sábado, 31 de Outubro de 2009

Mentiras da Modernidade: O Progressismo


Uma das últimas invenções modernas foi a nova ideia de progresso, ninguém quer perder a carruagem do “progresso”, nem mesmo alguns clérigos, o que é absurdo. Esta ideia tomou forma de doutrina político-filosófica dando origem ao progressismo sustentado pelo positivismo de Augusto Comte e da sua sociologia, e ambos surgem na sequência do Iluminismo. A ideia progressista promove a substituição da teologia e da metafísica por valores completamente humanos extremando o antropocentrismo e o individualismo. Os progressistas dizem-se promotores do desenvolvimento, do aperfeiçoamento, da evolução, e claro, são grandes combatentes contra o conservadorismo a que chamam anacrónico, rígido, autoritário e repressivo. As suas políticas impuseram mudanças socioeconómicas radicais com vista ao desenvolvimento, isto é, à multiplicação do lucro permitido pelo desregrado sistema liberal. Porém, este desenvolvimento tem-se revelado, em muitas situações, contraproducente uma vez que a qualidade de vida das populações tem vindo a diminuir à medida que avança o progresso liberal. O progresso não aceita as verdades eternas, porque reconhecendo-se as realidades imutáveis não pode haver progresso conforme entendido pela mentalidade revolucionária. O progresso implica portanto a quebra de todas as regras para que seja possível a mudança. Mas alguém sabe para onde nos leva o ilógico progresso revolucionário?! O desenvolvimento progressista está longe de ser sustentável, o acentuar das desigualdades sociais, o desemprego, a insegurança e a construção civil caótica são o preço a pagar numa primeira fase deste processo revolucionário. A segunda fase será muito mais catastrófica.

A justiça de Jesus determinava “a cada qual segundo as suas obras” (Mateus, 16:27). Ora, aqui estamos na presença de uma lei divina que é verdade eterna porque garante a equidade. No entanto, o mundo revolucionário não distribui a cada um segundo as suas obras, permite paradoxalmente a exploração, a escravatura e a manutenção da corrupção. O homem honesto paga para alimentar os luxos de todos os parasitas e oportunistas.

Analisando o conceito de “progresso” também não é possível aceitar este como evolução, o progresso é a negação da evolução. Todos verificamos que as criaturas de carácter pusilânime e pérfido de ontem existem hoje e existirão também amanhã, o progresso aqui não produziu qualquer efeito. Os homens gloriosos e virtuosos de ontem também nos acompanham hoje. Os hedonistas de ontem também respiram hoje, onde está então o progresso?! Claro, os progressistas não se preocupam com a moral nem com o carácter dos homens mas apenas com a parte económica e fundamentalmente com a oportunidade de negócio.

Dentro da ideia de progresso encontramos o mito marxista do “homem novo”, que não passa de mais uma fraude, uma vez que, a essência humana não é passível de mudanças. Este “homem novo” é apenas uma versão acriançada, medíocre portanto, do homem cristalizado e criador legado pela tradição. O homem infantil surge como símbolo de esterilidade envolto em agitação apto para a destruição e impotente para a construção, logo, um inútil. O “homem novo” fede a vícios, nega a família e despreza a comunidade, não reconhece divindades mas venera os ídolos efémeros da moda que os manipuladores da opinião pública criam e difundem. A forte propaganda evidentemente afecta os indivíduos confundindo-os e levando-os a agir contra os seus próprios interesses. Multiplicam-se as manadas de “homens novos”, mas não se pode dizer que estamos em presença de um “homem novo” mais imbecil que os seus antepassados, acreditamos que estes sujeitos se encontram socialmente anestesiados. Se pudéssemos desligar estes homens da corrente mediática que os prende à mediocridade, tornando-os verdadeiramente livres, seguramente voltariam a ser fecundos e felizes como outrora.

Os progressistas acreditam que através da ciência o homem se emancipará e como consequência directa terminará o sofrimento e a injustiça no planeta. Só haverá, portanto, espíritos bons e criaturas aperfeiçoadas, e assim, os homens não mais sofrerão as consequências das suas imperfeições. A transformação da sociedade para esta utopia já está em marcha acelerada e não admite a menor oposição. As desordens actuais, que todos constatamos, são já o pronuncio da Nova Ordem Mundial forjada nas lojas maçónicas contando, esta, com o apoio de todos os heréticos e de todas as ceitas religiosas que surgiram em oposição à Igreja Católica Apostólica Romana. O Espiritismo chega mesmo a chamar-lhe o “mundo maduro” em oposição ao que entende ser o “mundo infantil” sacro e aristocrático de herança cristã, e todos os seus seguidores aguardam a chegada do Governo Único com grande ansiedade, aplaudindo, assim, consciente ou inconscientemente, o chefe dos rebeldes, a ascensão da Besta. As raízes da mudança encontramo-las, evidentemente, na insurreição de Martinho Lutero, o pai do protestantismo, que liderando a rebelião originou a revolucionária Reforma.

O progressismo nasceu da transgressão, da subversão, da quebra de todos os valores que efectivamente emanciparam a humanidade retirando-a das trevas da barbárie. A ausência de senso moral, causado pelo relativismo, pelo materialismo, e pela negação de Deus, teve como consequência a perda das noções do bem e do mal, do justo e do injusto. No mundo actual do progressismo o perverso é visto como o bom e o justo, o humilde e o honesto vistos como retrógrados idiotas a quem a liberdade de expressão está superiormente interdita. Os progressistas rotulam sempre aqueles que os repudiam, como adversários das novas ideias, inculcando a ideia de que se trata de gente retrógrada, retardada mesmo, fora de moda e desactualizada, gente incapaz de acompanhar as grandes transformações, que não se adapta à sociedade em mudança, são pois intolerantes, discriminadores e preconceituosos. Mais grave ainda, em nome do progressismo não é permitido que todos tenham voz na sociedade. Como tal, depressa se infere que qualquer imposição totalitária, apesar de se autodenominar progressista, que não admite a manifestação de outros saberes só pode estar condenada ao fracasso.

O progressismo nivela as raças avançadas com as raças atrasadas, homogeneizando-as, criando uma miscigenação e uma confusão que provoca inevitavelmente uma repugnante mediocridade galopante. Uma só espécie de indivíduos miscigenados orientados por uma elite pura, submetidos à lei do progresso, dará forma ao Governo Universal. Partem os revolucionários do princípio que esta mescla unida sem vontade própria é preferível à pluralidade racial. No entanto, a perda da identidade a par com a desenraização cultural, traz a desorientação e a desmotivação. Em tais seres cujo hedonismo, princípio de iniquidade será o único móbil, só poderá habitar destruição.

O progressismo, em todas as frentes, fez da Igreja Católica o seu alvo principal, mas tudo quando cheire a autoridade e hierarquia, valores de ordem, estão igualmente condenados ao seu ódio. Este sectarismo, de raiz materialista, negando a força do espírito impede a prática dos ritos religiosos, logo, as pessoas podem redimir as suas faltas através do arrependimento, da expiação e da reparação, conduzindo as pessoas desorientadas e afogadas na fria tecnologia à destrutiva doença da depressão. São aos milhões os afectados pela terrível doença da modernidade. As imperfeições humanas não podem ser corrigidas quando se abandonam os sistemas morais e no seu lugar se instala a ciência. A ciência actua sobre a matéria e é bem-vinda quando não escraviza o homem, mas só a moral pode actuar sobre o espírito e assim evoluir verdadeiramente o ser humano. Seguir o progresso e os seus impulsionadores significa não permitir que os espíritos dos nossos antepassados estejam connosco, nos assistam, nos inspirem e que abandonemos o seu empreendimento. O progresso leva-nos no caminho da desunião familiar, do desprezo pela Pátria, da ausência de propriedade privada, da negação da religião e da moral, da abolição da hereditariedade, enfim, de tudo quanto os aspirantes ao topo da pirâmide que visa concentrar em si todo o poder do mundo. Que progresso pode ser este?!

O progressista parte da ideia de que o homem é bondoso por natureza, que a moral que lhe chega do exterior não tem qualquer valor, porque ele, o homem autónomo, sabe sempre o que é melhor para cada situação, imagina que os homens são já mais evoluídos que os seus antepassados recentes, como se fossem uma nova versão. Mas, como justificam os progressistas, forjados pelas perversas revoluções, que o mundo tradicional tenha elevado a Europa a uma civilização superior, cujo auge estético na arte barroca comprova, contrastando de forma incrível com o mundo dos indígenas que se conservavam numa estagnação atroz que os prendia à idade da pedra? Verificamos, curiosamente, que os progressistas só podem ser paradoxais ao querer devolver o homem moderno e superiormente civilizado ao estado tribal transformando-o num selvagem. O embrutecimento das populações a que o mundo pós-moderno entregou as pessoas prova isso mesmo. Que progresso é então este que transforma homens civilizados em homens selvagens, regredindo a espécie humana para milhares de anos atrás?!

O progresso faz lembrar a moda, a busca da novidade, a insatisfação permanente, anda em círculos de tal forma que a última novidade já está desactualizada revelando-se sempre falsa. São os eternos equívocos do progresso. Conclui-se, pois, que o progresso forjado pelos revolucionários não é progresso mas sim retrocesso. O progressismo é, pois, primeiro que tudo, a negação da espiritualidade e a imposição da materialidade, o mesmo é dizer laico e materialista, e só possível porque se derrubaram as barreiras da ordem e se instituiu o primado dos interesses individuais sobre o bem comum.

Outras mentiras:

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

Saramago: “O Deus da Bíblia não é de fiar: é vingativo e má pessoa.”


A sacristia progressista e socialista tem o que merece nestas tristes palavras proferidas por um comunista a quem alguém resolveu atribuir um prémio Nobel. Está na hora dos homens de bem questionarem quem atribui este tipo de prémios. Todos os outros cristãos e religiosos só podem sentir-se profundamente ofendidos, indignados e revoltados por tais palavras dignas de uma autêntica besta. Hitler, odiado até ao vómito no mundo onde o socialismo é quem mais ordena, sempre teve um respeito louvável por Deus, a quem identificava com o Todo-Poderoso. Leiam o Mein Kampf e comprovem como o líder nazi superava de longe em termos morais a doutrina do satânico marxismo. O marxismo quis livrar-se da moral a fim de subverter todos os povos do mundo para que um dia todo o planeta pudesse ser governado por um comité sanguinário e implacável. Ai de quem se oponha aos dogmas do materialismo, da ditadura do proletariado e da luta de classes. Ai dos opositores... O fanatismo, a irracionalidade e a vileza avançam a passos largos em Portugal e não só; o Reino da Besta já tem o seu exército bem formado, a quantidade de zombies é indescritível, a lavagem cerebral marxista em vigor produziu os seus frutos, o seu trabalho é de facto louvável, conseguiram transformar o bem em mal e o bom em mau sem a mínima oposição visível. No entanto, a vida tem verdades que os socialistas acéfalos estão longe de compreender, um dia far-se-á justiça. É lamentável que os cristãos na sua maioria ainda não tenham percebido de onde vem o Mal e que não se unam para o combater, aqui está bem patente o preço da ingénua tolerância. Até quando repousarão no sono socialista? É que este pesadelo é real e está a destruir-nos o corpo e a alma. Os monstros avançam imparáveis, impunemente e estão perigosamente perto.

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

Duas Mentalidades: O Tradicional e o Revolucionário


Do salto vertiginoso, da manutenção da evolução para o frenesim da revolução, resultou a falência de toda uma ambiência construtora cujo bem comum era a razão e finalidade de vida. No seu lugar instalaram-se, sem a mínima oposição, as tendências rebeldes assentes nas filosofias da desconstrução. Ao nível religioso a sacristia austera e tradicional deu lugar à sacristia progressista e socialista. As diferenças entre as duas concepções do mundo sendo evidentes nem sempre são recordadas, este pequeno ensaio pretende lembrar que face ao pesadelo revolucionário de cariz totalitário, instalado à custa de revoluções apoiadas por forças externas, existe uma outra forma de interpretação da realidade muito diferente e que não se conforma com o actual estado de decadência.

Alegria da Tradição
Antes da última e fatal revolução, o espírito de sacrifício, a importância do esforço, a memória das glórias e o sentido de missão, eram o móbil do cidadão exemplar, fosse ele rico ou pobre, homem ou mulher; a dignidade e a honra garantiam a credibilidade da pessoa na comunidade. Não se questionavam os valores ocidentais e cristãos, símbolos de civilização, tais como, a Fé, a Pátria, a Família, a Justiça ou o Trabalho; a Autoridade e o respeito pela Hierarquia garantiam a Ordem da sociedade. O direito ao trabalho e à família eram garantidos, o Estado preocupava-se com o futuro dos filhos da Nação, ninguém era abandonado à sua sorte caso o juízo não lhe faltasse. E mesmo as vítimas da falta de sensatez encontravam sempre algum conforto na caridade instituída. Os valores patrióticos e nacionalistas garantiam a continuidade dos luso-descendentes, a harmonia social, a tranquilidade da vida do lar, a alegria de viver e o alegre saborear da existência eram então suficientes. Da herança estóica permanecia o rigor, a serenidade e a virtude como fontes de paz e satisfação. O país era agrário, o camponês respeitado, o homem profundamente religioso, as pessoas eram felizes na partilha, as portas de casa permaneciam abertas, não se receavam os malfeitores; a simpatia, a educação, a disciplina, o encanto das mulheres dóceis e obedientes faziam da Pátria Portuguesa um salutar exemplo para todo o mundo civilizado e motivo de admiração para os povos culturalmente mais atrasados. A bravura, o heroísmo, a honradez, a honestidade, a nobreza de carácter, a ideia de grandeza, supervisionadas pela autoridade e trabalho, apanágio da superior cultura europeia, garantia a perseverança e continuidade da raça.

Neste país distinto, de brandos costumes e do “viver habitualmente”, a concepção do mundo assentava numa hierarquia de valores. Em tal ambiente o regime político orgulhava-se de ser conservador e reaccionário, permitindo que a verdadeira direita, a direita antiliberal, tivesse ampla liberdade de acção, como tal primava-se pela manutenção das virtudes e tradições patrióticas. As comunidades abraçadas, assim, pelo homem de fé e razão, progrediam lentamente mas continuamente de forma sustentada. Nos últimos anos de vigor do poder tradicional a expansão económica atingiria índices louváveis, as majestosas reservas de ouro espelhavam o orgulho da Nação.

Pesadelo Revolucionário
Após o triunfo revolucionário, a abolição do sentimento de patriotismo, de dever e de honra, alastra por todo o lado. Instala-se o espírito pacifista improdutivo e antimilitarista, nasce o complexo de inferioridade em todo um povo que perde a identidade e a racionalidade. A falta de iniciativa e de audácia, a par com um triste imobilismo minam as vontades de quase todos, as propagandas revolucionárias não deixam qualquer espaço para outros pensamentos e para que outras verdades se manifestem. A inércia, repudiada e vista como um vício que merecia dura oposição, aparece como valor a ser instalado em todo o sector produtivo nacional. A falência de empresas rentáveis torna-se inevitável, os campos são abandonados, o sector produtivo entra em colapso ao qual a União Europeia virá dar a machadada final. A destruição através da inactividade, da sabotagem, e da interminável e abominável luta de classes, sempre foi apologia marxista com vista ao desmembramento das nações a fim de possibilitar a instalação da ditadura do proletariado. Porém, esta ditadura vermelha acabou sempre numa ditadura de elites onde o proletariado insensato ficou amarrado à escravatura e à mendicidade.

Actualmente medra, fruto da vasta propaganda marxista, o tribalismo, o bom indígena, o bom selvagem de Rousseau. As sociedades estagnadas por espíritos débeis e selvagens passaram a modelos culturais exemplares, porém a selvajaria, o vandalismo, a barbárie e o embrutecimento das populações são inevitavelmente um duro preço a pagar. Por todo o lado se dissemina a gente inarmónica, descentrada, alienada e excêntrica; esta gente desenraizada esqueceu as afinidades e perdeu a consciência racial. A podridão revolucionária gerou ainda inúmeros farrapos humanos, através da inculcação da indisciplina e da deseducação; a subversão, o pacifismo folclórico, a degradação e confusão, o oportunismo, trouxe o tolerado parasitismo. A subsidio-depêndencia, a esmola, passou a ser a forma de sobrevivência para muitos idólatras dos top-models revolucionários. Nesta sociedade caótica, que alimenta o anarco-capitalismo, imperara o laicismo, cujos ritos se fundam nos novos faróis que a maçonaria impôs. Como se perderam as regras básicas de convivência lavra a indiferença para com o próximo, cada revolucionário julga-se um deus, o prazer do natural convívio sumiu-se.

A iluminação cor-de-rosa que os meios audiovisuais, juntamente com o ensino púbico difundem, atinge as massas menos esclarecidas, provocando desta forma o consumismo, o endividamento familiar, a depressão, o feminismo, em suma, a destruição dos lares. A mulher moderna ganhou ódio ao lar e à família. Por outro lado, atinge-se o cúmulo do irracional, os apelos à desobediência civil são uma triste realidade, a protecção e promoção de graffitis são uma prova de que existem intenções obscuras nesta forma vândala de fazer política. No entanto, forçosamente, as pessoas são lançadas na confusão mental e na profunda angústia ao perceber que estão rodeadas pelo caos. E pior, não se podem defender nem apresentar queixa a alguém. Sobram os exércitos de psicólogos e psiquiatras, apoiados em depravados como Freud, que logo aconselham o pensamento positivo para cura de todos os males. Ou seja, basta pensar que um problema não existe para ele imediatamente desaparecer como por encanto.

Entretanto, a noção de bem e de mal desapareceu, a mediocridade instalou-se sem resistências, os contra-valores, a subversão, a discórdia, a divisão para reinar, a rebeldia e a irreverência, são promovidos até à agonia dos espíritos mais íntegros. Coroam-se de glória todo o tipo de arruaceiros, de corruptos, de delinquentes; os maus caracteres são o exemplo a seguir, prevalece o lema “quanto pior melhor”. Devido ainda à impregnada cultura esquerdista, o ódio de classe mobiliza, e em simultâneo revela, as forças mais medíocres que habitam cá no exíguo rectângulo. Estas forças movidas pelo egoísmo e pela inveja cativaram já uma boa parcela do povo menos elucidado.

A sociedade revolucionária teve origem no individualismo renascentista, mas, depressa se passou ao despoletar do relativismo como forma de ofuscar a verdade, de seguida, e no culminar do erro, triunfou o materialismo impondo prontamente o consumismo, o multiculturalismo e o facilitismo, ou seja, o nivelamento por baixo, como forma de homogeneizar os diferentes povos do globo. Pretende-se a uniformização de costumes, e uma massa humana desprovida de vontade própria, precisamente para que o comando dessa amálgama seja controlada por um único poder, o Governo Mundial. O Reino da Besta aproxima-se.

segunda-feira, 5 de Outubro de 2009

Partitura do Hino Monárquico Português

























Ouvir no Youtube o fabuloso Hino: http://www.youtube.com/watch?v=DzUc00_2c5s&feature=related

Letra do Hino da Carta - Hino Monárquico (1834-1911)

1.
Ó Pátria, Ó Rei, Ó Povo,
Ama a tua Religião
Observa e guarda sempre
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

2.
Ó com quanto desafogo
Na comum agitação
Dá vigor às almas todas
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

3.
Venturosos nós seremos
Em perfeita união
Tendo sempre em vista todos
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

4.
A verdade não se ofusca
O Rei não se engana, não,
Proclamemos Portugueses
Divinal Constituição
(Coro)
Viva, viva, viva ó Rei
Viva a Santa Religião
Vivam Lusos valorosos
A feliz Constituição
A feliz Constituição

sábado, 19 de Setembro de 2009

Ser Cristão é ser Radical, Ser Nacionalista é ser Leal

Pró-Pátria
Pró-Vida
Pró-Família


sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Mentiras da Modernidade: O Absurdo do Relativismo


Há duas formas distintas de estar nesta vida:
1 – Procurando as verdades contidas nas leis da natureza a fim de viver em harmonia com a nossa essência, cumprindo escrupulosamente os nossos deveres para assim a felicidade, assente na verdade, ser possível e resultar da prática do bem.
2 – Postular que não há verdades, que cada um tem a sua perspectiva de bem e de mal, que se deve agir buscando o melhor bem possível para cada indivíduo não olhando a meios para atingir fins, cada qual tem a sua lei moral e só deve obedecer a si próprio a fim de que se atinja a felicidade, esta resulta da máxima quantidade de prazer que se possa obter.

Na actualidade, e devido à força das armas, a segunda via está em vigor, trilha-se o caminho do relativismo apoiado por todo o liberalismo (da direita moderada até à extrema-esquerda) contando com o fanatismo de todo o género de revolucionários, pois todos estes negam a ordem, a elevação moral e a evolução. O relativismo, impondo-se como uma obrigação, não permite objecções alimentando, assim, a ditadura das cegas crenças impostas pelas maiorias. As forças do número, que apostam na quantidade em desfavor da qualidade, as maiorias manipuladas, sem sequer terem consciência disso, pelos poderosos que controlam a economia mundial, entregam-se aos piores vícios de corpo e alma. Freneticamente imbuídas de um apetite voraz pelo prazer correm desesperadas ao seu encontro, o prazer desenfreado é o seu móbil e razão de vida.

O relativismo foi introduzido, em forma de vírus, pois dissemina-se como uma epidemia, para que a verdade não mais fosse possível encontrar. Ao afirmar que tudo é verdade ou tudo é falso, esta forma aberrante de interpretação da realidade não permite que se apurem quaisquer verdades. Claro está que, o relativismo foi elevado a bem supremo e interditou-se qualquer força de pensamento que se lhe oponha. No entanto, não restam dúvidas sobre a falsidade deste absurdo. Uma coisa não pode ser e não-ser ao mesmo tempo, ou é ou não é. Se a verdade depender do ponto de vista individual e da interpretação subjectiva do sujeito que observa certo é que não poderá ser determinada, uma vez que, a forma comum de conhecimento é a crença com base nos sentidos, assim, o que parece a uns não parece a outros, e cada qual tem uma percepção diferente do objecto. Porém, independentemente das diferentes perspectivas individuais há uma verdade absoluta.

Sendo o relativismo um atentado à lógica, resta a animalidade, sobressaem, em ambiente calamitoso, as opiniões fundadas no prisma individual. Nesta atmosfera primitiva a opinião caprichosa esmaga a força da razão. Afirmamos mesmo que o retrocesso civilizacional é patente, há mais de 2500 anos que o Homem descobriu a razão para agora, desgraçadamente, mergulharmos no pântano da imaginação. A irracionalidade do relativismo é manifesta uma vez que viola todos os princípios do conhecimento, vejamos:

O primeiro princípio director do conhecimento é o Princípio de Identidade que se formula pelo: o que é, é – A é A – uma coisa é idêntica a si mesma. Ora bem, se o que é, é, não pode logicamente ser outra coisa qualquer, se o A é A será lógico que o A não pode ser B, mas, para um relativista isso vai depender do ponto de vista do sujeito observador. Logo, o A tanto poderá ser A como B ou C ou outra qualquer coisa pois vai variar em função do que parece àquele que observa. A verdade torna-se assim relativa. Mas a verdade é o que é, e não pode ser outra coisa. Ademais, temos o Princípio de Contradição, que nos declara que o ser exclui o não ser – A exclui o não A, logo, uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Assim, também à luz deste princípio do conhecimento o relativismo se revela falacioso, uma vez que, duas pessoas ostentando uma afirmação diferente e contraditória sobre um mesmo assunto, necessariamente, implica que uma delas pelo menos esteja equivocada. Ora se uma delas detém um pensamento falso implica que está errada e, logo a sua perspectiva é desprovida de sentido. Mais ainda, tendo em conta o Princípio de Alternativa ou De Meio Excluído que nos diz que: uma coisa é ou não é, não há meio-termo – Os dois termos da alternativa devem opor-se contraditoriamente. Também de acordo com este princípio do conhecimento o relativismo não pode ser aceite, em virtude do seu desregramento que impõe que uma coisa possa ser o que quer que seja, uma vez que quem mais ordena é o subjectivismo do sujeito. Logo, devido à abrangência e aos pluralismos subjectivistas uma coisa pode ser dada como algo muito diferente da sua verdadeira essência. Equivale a apresentar uma determinada tonalidade como uma outra tonalidade qualquer escolhida à toa dentro de um arco-íris.

Concluindo, com inteira certeza, que o relativismo é um pesado obstáculo na busca da verdade, só pode merecer o nosso veemente repúdio. As foças que o sustentam e promovem não podem ser toleradas, é imperativo que o homem justo combata o monstro da mentira que é o relativismo. Nenhum juízo é possível obter com precisão quando as verdades aparecem distorcidas, camufladas, manipuladas ou falseadas. Infelizmente é isto mesmo que acontece nos dias de hoje, somos náufragos num enorme oceano de mentiras. A vantagem de deter a verdade é enorme, evita-se o erro, evita-se muito sofrimento, evitam-se guerras, as pessoas podem ordenadamente viver sem grandes obstáculos no cumprimento da missão que trazem quando despertaram neste mundo. No entanto, o lucro caso haja ordem é mínimo para os exploradores, enquanto que, chafurdando na desordem e na mentira o lucro é enorme para os vigaristas e outros parasitas. A conservação da mentira favorece interesses obscuros, permite o acumular de riqueza num número muito reduzido de pessoas concentradas num ponto estratégico do planeta. Existe obviamente uma relação poderosa entre o Cepticismo, o Relativismo, a Crise e o Ouro. A quem interessa a imposição do subjectivismo e a manutenção da anarquia vigente é, pois, uma resposta fácil de dar, basta seguir a pirâmide da corrupção.

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

Viver é Lutar


Desde que nasce o animal, a vida revela-se uma luta pela sobrevivência. É inerente ao ser humano, a boa acção, o esforço, o sofrimento para que a conservação da vida seja possível. Para que seja garantida a continuidade das gerações futuras o esforço é acrescido, há sempre que ter o cuidado de realizar obra no sentido de legar uma sociedade e uma sustentabilidade económica superior àquela que se herdou.

O instinto de sobrevivência é um apetrecho que não pode ser desprezado, no entanto as propagandas lançadas pelos revolucionários assentes nas tolerâncias, nas falsas igualdades, nas liberdades dos instintos sobre a razão, diminuíram drasticamente a capacidade dos povos resistirem aos males da vida pondo em risco a sua sobrevivência e não permitindo a continuidade da vida dos seus povos. O vírus revolucionário está mais forte do que nunca, a Europa tornou-se um redemoinho de insensatez e actua em nome de contra-valores. A luta pelo resgate da Europa dos nossos antepassados, que bravamente elevou o nível cultural do mundo, não pode ser travada em nome de qualquer comodismo e das promessas das falsas felicidades originadas pelos prazeres mais desprezíveis, ou seja, pelos vícios. Quem em nome do prazer abdica da verdadeira realização pessoal não pode ter mente sã. A realização do indivíduo saudável passa pela constituição de família, todos os jovens deveriam ser educados nesse sentido. Para uma mente sã a incompatibilidade com a sociedade socialista, sociedade freudiana, actual só pode ser total, é impossível tolerar a desconstrução vigente. Os problemas que resultam desta sociedade aberrante são enormes: baixa natalidade, invasão imigrante, criminalidade, desemprego, toxicodependência, conflitos sociais, desrespeito, depressão, miséria, suicídio.

O cristão não pode ser indiferente à angústia crescente, é uma obrigação lutar pelo bem e combater o mal, porém, as novas filosofias da paz apelam à tranquilidade, à passividade, à indiferença, à aceitação de todos os pontos de vista, ao bem-estar interior que esquece os problemas exteriores.

A ruptura com a sociedade produtora de zombies em vez de homens honestos só pode ser feita pela via da luta. Não adianta discutir pequenas questões quando só invertendo esta marcha imunda se pode recuperar a evolução ceifada pela mente doente revolucionária. Só abolindo o dogma económico e recuperando o dogma religioso se poderá ambicionar um futuro promissor. O primado do indivíduo sobre a comunidade tem também de ser abolido, o todo é superior às partes que o compõem, como tal, o todo é que deve merecer o primado sobre o indivíduo.

A luta pela continuidade garante o sentido da nossa vida, se cada um assumir a sua luta e a sua cruz será possível mudar o rumo do mundo. A luta pelo bem proporciona um enorme prazer. Em frente, pois, que a força dos nossos ancestrais está connosco. Honremos nobremente o sacrifício de quem nos possibilitou ser o que somos hoje não virando costas às nossas obrigações e deveres.

sábado, 12 de Setembro de 2009

Resposta aos Moderados

Desmascarado o pai de todos os revolucionários, a defesa de John Locke reage, como tal, é agora mais fácil separar a água límpida da turva. Os moderados, responsáveis também pela mentalidade libertária, não camuflando a sua predilecção pela costela revolucionária revelam a sua essência liberal e desta forma se distanciam de todos os apaixonados pelos valores tradicionais. Não toleram sequer o antiliberalismo e em desespero de causa acusam mesmo os tradicionalistas de serem iguais aos execráveis anarquistas. Faz efectivamente falta na sociedade uma organização política antiliberal com liberdade para expor os seus argumentos e apresentar as suas propostas sem o ostracismo habitual quer pela comunicação social quer pelo ensino oficial. A ignorância é muita, pois há uma interpretação importante da realidade cuja defesa está vedada. E a servir de tampão a que essa perspectiva se possa manifestar assistimos tristemente às vacilações dos moderados que lamentavelmente servem os interesses das forças da mediocridade. Pior ainda, acusam os tradicionalistas de seguirem posições totalitárias colando-os aos ditadores mais difamados da História. È fácil argumentar assim, etiqueta-se de totalitários todos aqueles que se pretendem silenciar e assunto arrumado. Parece impossível como se pode fazer coincidir o pensamento totalitário com o pensamento cujo suporte é Deus e o bem comum é a meta. Quando o valor supremo é Deus o totalitarismo não pode existir, pois este nega a lei divina e coloca em seu lugar a arbitrariedade humana. Os moderados confundem a hierarquia, a autoridade, a ordem, o respeito e a disciplina com o totalitarismo. Caminhar para Deus é caminhar para a perfeição, para a excelência em todas as áreas da vida. O liberalismo é precisamente o oposto da ordem divina porque coloca o valor supremo no indivíduo no seguimento do naturalismo e do antropocentrismo. O individualismo é intolerável para quem idealiza uma sociedade mais justa. Os moderados não percebem que a aliança com Deus e com o diabo não se traduz em bons resultados. Dois séculos de hegemonia liberal conduziram o planeta à beira da rotura em matéria de sustentabilidade quer económica quer social. O caos e a anarquia estão em todo o lado devido aos sucessivos falhanços provocados pelos liberais moderados, dia após dia o liberalismo radical ganha terreno tornando os liberais moderados em simples marionetas ao seu serviço. Apesar das provas que todos os dias nos chegam da inutilidade liberal, alguns católicos e outros que se dizem cristãos continuam colados como lapas à decadência, à desconstrução vigente.

terça-feira, 1 de Setembro de 2009

Clube Bilderberg focado pelos seus jornalistas


Vale a pena ler esta perspectiva: O que está por detrás da Nova Ordem Mundial

sábado, 29 de Agosto de 2009

Ai Portugal... Quem Governa o Mundo?

(Clicar na imagem para ampliar e ler o seu conteúdo)

Esta coisa apareceu recentemente na Praça de S. Domingos em Lisboa, merece atenção e reflexão, pois, parece que esta estrela nos indica o rumo que leva o mundo.

sábado, 22 de Agosto de 2009

A Direita Inútil: Os Moderados


Os moderados definem-se como aquele conjunto de pessoas que, demarcando-se do espírito revolucionário, se identificam, normalmente e sem vergonha, como conservadores e desejam a conservação dos valores tradicionais. Estes valores estão alicerçados na lei natural, que é o conjunto de normas que o homem deve seguir para atingir o seu fim último que é Deus, o supremo bem. Estas normas não necessitam ser promulgadas, a razão estabelece-as naturalmente e, como exemplo: «é necessário fazer o bem e evitar o mal», a partir daqui se desenvolve toda a vida moral. O cultivo das virtudes e o banimento dos vícios é uma característica da tradição. A virtude resulta do hábito de agir de acordo com a lei moral, enquanto o vício resulta da repetição dos actos contrários à lei moral. Esta moral é portanto fundada em Deus. Também, legado da tradição são as Morais Racionais cujo supremo bem é a perfeição da natureza racional, tais como o Eudemonismo Racional de Aristóteles que praticava a Moral das Virtudes, o Estoicismo e a Moral Tomista de São Tomás de Aquino.

Com a proliferação da mentalidade revolucionária, entretanto, outros sistemas morais surgiram apoiados pelo liberalismo e suas várias formas políticas, uns como cadáveres ressuscitados tal como o Hedonismo de Aristipo de Cirene e o Epicurismo materialista, outros criados pelo modernismo em Inglaterra no século XIX, cuja origem é o Renascimento devido à mudança de paradigma na questão dos universais, tais como o Utilitarismo de Jeremy Bentham e o Utilitarismo Social de John Stuart Mill. Todas estas teorias, pregadas à mediocridade, são de repelir porque transformam o prazer no fim para o homem enquanto este é meramente um meio. Por outro lado o prazer não é obrigatório, nem absoluto, nem universal e, assim, não pode ser considerado como norma moral. E mais, se o prazer fosse o supremo bem, todos se atropelariam para o obter e daqui resultaria a anarquia social. Actualmente a moral não existe, a injustiça é uma realidade juntamente com a ideia do salve-se quem puder. Vinga a prática do “todos contra todos”, cada qual é um potencial inimigo do outro. Estamos evidentemente na presença de um sistema corrupto e imoral, poucos o negam. Os moderados, os conservadores estéreis, sabem-no bem, sentem o caos social, não têm esperança no futuro, sabem que os seus filhos terão mais dificuldades do que eles tiveram para sobreviver, sabem que a vida se está a tornar insuportável e o sistema económico insustentável.

Os moderados querem liberdade para circular na rua sem temor, querem um sistema de ensino eficiente, querem ordem, querem qualidade de vida, querem justiça. Lutam mesmo, alguns menos conformados e mais desconfiados, por uma sociedade melhor, mas têm um enorme defeito, e aqui se diferenciam dos destemidos que resistem descomplexadamente e sem medo de discriminações, horrorizam-se com a ideia de serem considerados radicais, extremistas, fundamentalistas, pelos detentores do poder revolucionário. Aderiram sem consciência disso aos preceitos revolucionários, subjugaram-se à ditadura do politicamente correcto, instituída para castrar os opositores. Lamentavelmente corroboram na destruição de todos os valores que dizem defender, sendo fieis à falácia do “se não os podes vencer junta-te a eles” acabaram por se anular, e se esvaziar da força da vontade tão essencial a qualquer empreendimento. São pois uns fracassados, foram-se afeiçoando ao inimigo, muitas das vezes são indistintos dos revolucionários mais perversos, conformaram-se já de corpo e alma à nova forma de vida imoral, consumista e materialista. A tolerância, a liberdade e a igualdade, abstracções maçónicas, princípios de iniquidade, estão-lhes sempre na boca.

Dia após dia aumenta a degradação, o moderado lamenta-se, queixa-se de tudo, no entanto, acomodado que está e incapaz que é, as suas acções não evitam o pior. A anarquia está presente em todo o lado, impôs-se quase sem oposição em todos os sectores da sociedade, claro que o anarco-capitalismo é financiado por avultados meios económicos vindos do exterior, mas mesmo assim merecia ser duramente combatido caso houvesse uma verdadeira cultura tradicional bem enraizada na sociedade portuguesa. Mas não, as forças anti-nação lavram com a complacência dos moderados, anestesiados que estão pelo deslumbramento do conforto material, inconscientemente venderam também a alma ao diabo, tal como os traidores que dizem combater. O lucro é também o valor principal para os moderados, e desprezando a moral tornaram-se liberais, modernistas, antinacionais e internacionalistas. Mas mais grave ainda é que quando sentem o despertar da consciência nacional, em algumas franjas da sociedade, logo se insurgem contra as mesmas, não hesitam em se juntar às forças da mediocridade para juntos repelir o medonho inimigo comum a que chamam nacionalismo.

domingo, 16 de Agosto de 2009

Formas de Governo Concebidas por Platão


Bibliografia:
Platão, A República, Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 2001.

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

O Rock dos Vícios e o Rock das Virtudes

A música rock apareceu colada a mensagens subversivas visando a transformação da sociedade que se considerava conservadora então. A quebra de todas as leis e convenções que garantiam a justiça eram o seu alvo principal juntamente com a promoção da transgressão. As mensagens inicias circulavam entre o apelo ao sexo livre, a promiscuidade, à posse de carros, à abdicação da faculdade de julgar e à revolta contra as autoridades. A música deixava de ser um mecanismo para alimentar o espírito passando a alimentar o corpo que ao seu som abanava descoordenadamente. Pouco tempo depois o rock entregava-se por completo ao satanismo e publicitava o consumo de drogas. Finalmente o rock entra também ao serviço da política, através da chamada música de intervenção, e inúmeros actores encontram nessa forma pseudocultural uma maneira de moldar mentes e de favorecer os partidos revolucionários mais extremistas. Desta forma a cultura rock e a violação da mente tornava-se uma tenebrosa realidade. Invariavelmente este tipo de música, repetitiva e agressiva, ampliava os vícios nas sociedades que ingenuamente a acolhiam. Claro que os católicos tolerantes estão na primeira linha, por norma, este tipo de pessoas acolhem tudo o que o modernismo impõe e não hesitam em expor orgulhosamente esses vícios inculcados pelos revolucionários mais azedos nos seus locais sagrados, como nas igrejas, infelizmente. Tudo o que este rock combatia e combate ainda, se resume à trilogia Deus, Pátria, Família. Esta música ajudou a difundir as ideias falsas de que a embriaguez é preferível à lucidez, e que a vida do injusto é muito melhor que a vida do justo.

Mas o mundo é composto de mudança e entretanto surge também o rock indesejável e perturbador para o comodismo instalado, proibido pela lei dos acérrimos defensores da liberdade de expressão, aquele que apela à defesa dos valores opostos ao rock dos vícios. Assim inúmeras bandas, remetidas para a clandestinidade exaltam os valores patrióticos, colocam ênfase na continuidade da vida do seu povo, incentivam a rectidão, a ordem, o heroísmo, a justiça, enfim todas as virtudes herdades da sua tradição mais pura. Este rock conhecido por rock nacionalista, ou Rock contra o comunismo (RAC) entre o meio que o compreende, é rotulado de música do ódio pelos revolucionários no poder. Entre estes grupos destacamos os WeisseWölfe, os Teardown, os Blue Eyed Devils os Brutal Attack, ou os Battlecry. A lista poderia ser enorme, mas ficamos por aqui, oiçam as mensagens contidas nas suas letras, inibam os preconceitos evidentemente, e descubram onde está o motivo da sua interdição. O rock é por natureza música perturbadora, claro que o ideal é escutar música clássica e de preferência antes de o triunfo revolucionário se infiltrar no seu seio, mas quando queremos descontrair e suspender o pensamento então optemos pelo melhor. Pela nossa parte não nos constringiremos perante os imoralistas autolegitimados, e quando o assunto é rock então, do mal o menos, que floresça o rock das virtudes e enterre-se o rock dos vícios que tanto mal já provocou. Para os chocados com a exposição da verdade, a que se fecha os olhos, afirmamos com convicção inabalável que não aceitamos lições de moral por nenhum daqueles que sustenta a iniquidade vigente.

quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Ditadura do Relativismo - Acusa o Santo Papa Bento XVI

Conforme notícia dos media revolucionários, a 05 Agosto do presente ano, na primeira audiência pública celebrada após as férias «O papa Bento XVI considera que o mundo actual está a viver uma “espécie de ditadura do relativismo que mortifica a razão, uma vez que chega a afirmar que o ser humano não pode conhecer, com segurança, o que há para além do campo científico”. Perante várias centenas de fiéis na residência dos papas, em Castel Gandolfo, Bento XVI alegou que o racionalismo, corrente filosófica central no pensamento liberal, foi inadequado, uma vez que não teve em conta os limites humanos e pretendeu elevar apenas a razão para medir todas as coisas, “transformando-a numa deusa”.»

A ditadura da fé no tudo é falso – relativismo – impôs-se efectivamente ao mundo após a Segunda Guerra Mundial com o triunfo do modernismo. Neste momento o bem e o mal já não estão definidos, ninguém pode defender o bem nem atacar o mal, pois o farol que os referenciava tem vindo a ser desprezado. Ninguém quer saber da Verdade, todos querem o máximo prazer, todos querem chafurdar no hedonismo, mas, da justiça, da moral, da honra, poucos se interessam. O racionalismo conduziu à sua forma extrema – o empirismo – cujo precursor foi o pai de todos os revolucionários, John Locke. Desta forma defeituosa de entender a origem do conhecimento nasceu o liberalismo e com ele as futuras revoluções que viraram o mundo ao contrário. Para o empirismo o único conhecimento possível é o determinado pela experiência. Negligencia-se assim o conhecimento interior, as faculdades inatas, e o poder da razão sem a observação, e ainda o conhecimento transmitido de forma divina com base na contemplação, na reflexão e na intuição. A modernidade está cheia de falsidades, em boa hora o Santo Papa alerta o mundo para o perigo de se pretender a todo o custo fugir à verdade. Não confundir pois o nobre e honesto homem leal com o homem liberal. Quando se questiona: posso ser cristão e liberal? não há pois que ter dúvidas na resposta.

Apêndice: Relativamente a este assunto consultar "A Verdade não é Relativa".

terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Autores Esquecidos da Contra-Revolução Francesa


Blanc de Saint Bonnet (1815 – 1880) - Filósofo e metafísico, francês, contra-revolucionário, condenou o liberalismo e o socialismo propondo, em alternativa, uma renovação social com base na verdadeira natureza do homem.
Citações:
“Cada homem é a adição da sua raça”.
“Vós que separais a razão da religião, saibais que destruís uma e outra”.
"O lucro [...] forma inteligente, com um aspecto jurídico, é um canibalismo".
"O Socialismo [...] resultado do liberalismo".
"O erro começa no protestantismo e termina no socialismo. Os outros erros são vários patamares do mesmo pensamento"
"Com base em quimeras e apoiadas pela farsa, ela [a República] leva as pessoas para a perdição e a humanidade para o seu fim".
“O Homem sem Deus conduz ao sacrifício do homem”.

Maurice Barrès (1862- 1923) - Escritor, com vasta obra publicada, e figura de prôa do nacionalismo francês.
Citações:
” Voltar atrás não significa sempre recuar. Um doente não recua, quando de 40 graus de temperatura, passa aos 36”.
"O que eu gosto no passado? A sua tristeza, o seu silêncio e especialmente a sua invariabilidade. Isso me emociona".
"Todos têm o desprezo para todos".

Èdouard Drumont (1844 – 1917) - Nacionalista francês, jornalista, e escritor católico.

Paul Bourget (1852 – 1935) - Escritor francês representante da tradição e da ordem moral, seguidor das doutrinas da Action Française, combateu o naturalismo.

quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Santa Missa Tridentina, a Missa dos Tradicionalistas


Proporcionando fortes manifestações emocionais, segundo testemunho da Magdália, foi celebrada recentemente, em Braga, para glória dos católicos tradicionais, a Santa Missa Tridentina, que passará a ser celebrada todos os Domingos, pelo padre Mário da Cruz. Esta missa tradicional, Missa celebrada em latim, foi promulgada em 1570 por S. Pio V, relativa ao Concílio de Trento, e utilizada pela Igreja Católica de rito romano até ao seu fim imposto, em 1965, pelo Concílio Vaticano II, sob jurisdição do Papa Paulo VI. As insatisfações com os novos ritos progressistas manifestaram-se de imediato, sobressaindo o principal reclamador da tradição, o arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X. O mundo é composto de ciclos e o que vai também volta, a 7 de Julho de 2007, o Papa Bento XVI promulgou o motu proprio "Summorum Pontificum", que liberaliza o uso do Missal Romano de 1962, a Missa Tradicional.

O modernismo que se impôs em todos os domínios da sociedade com a sua a inversão de valores, possibilitados pela Revolução Francesa, está na base do Mal que atormenta o mundo actual, a saber: a substituição da desigualdade natural pela falsa igualdade maçónica, a substituição da liberdade da mente em relação aos desejos do corpo pela liberdade maçónica para a libertinagem, a substituição da caridade verdadeira pela fraternidade entre grupelhos, a substituição da verdade pela tolerância maçónica. O modernismo impôs ainda o nefasto individualismo, o criminoso materialismo, e a subjugação à mediocridade. O regresso dos valores tradicionais como a Honra, a Lealdade, a Justiça, a Fidelidade, o Amor verdadeiro com a sua entrega incondicional são a única via para a salvação dos povos e das Nações. A recuperação da Missa Tradicional é um passo importantíssimo para a recuperação de todos os valores da tradição, é um passo importantíssimo contra a lavagem cerebral obrada pela sociedade socialista vigente em quase todo o Mundo Ocidental. Na recuperação dos valores dos nossos antepassados está a garantia do futuro dos nossos filhos.

segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Genealogia do Pensamento Nacionalista Português


sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Freudismo - A Sociedade Freudiana


O judeu Sigmund Freud, falso ateu pois venerava Moisés, marcado por isso pelo judaísmo, detentor de ódio à Igreja Católica, não suportava a sua autoridade institucional, a sua moral e a sua educação sexual voltada para a família. Não suportava também o comportamento disciplinado do homem religioso, a sua serenidade, a sua submissão, a sua caridade. No entanto, enquanto o rigoroso cumprimento do dever produz verdadeira liberdade e senhores assentes nela, a libertação dos instintos que Freud promoveu apenas produziu dependência e escravidão. A sociedade freudiana agarrou os indivíduos a vícios e vírus psicológicos, falácias, mentiras e obsessões. As mentes foram manipuladas no sentido dos indivíduos tudo consumirem. Hoje tudo se vende, as famílias endividam-se, e o futuro dos nossos filhos está hipotecado. A psicanálise, psicologia do desejo, veio reforçar o individualismo mais perverso, veio exaltar o "eu", veio quebrar todas as barreiras morais. O que a psicanálise tem feito, escudando-se no método terapêutico, é mudar o comportamento através da alteração da personalidade. O "tratamento" consiste na mudança de hábitos, a psicanálise faz desaprender costumes e substitui-los por hábitos mais "adequados". Dá-se a quebra do constrangimento. Um século após Freud ter parido a ciência do inconsciente, e das duas grandes guerras terem legitimado os seus intentos, o homem efectivamente mudou: acabou o respeito, a disciplina, a educação, os bons princípios de socialização. Instalou-se o oportunismo, medrou a ganância, incentivou-se a inveja e o egoísmo.

Mais do que nunca a depressão avança assustadoramente deixando um rasto de suicídios e de farrapos humanos, e como seria de esperar a eficácia terapêutica da psicanálise está cheia de reservas e de fracassos, não obstante os elevados custos que os infelizes pacientes têm que suportar. O método de cura utilizado consiste em que o paciente descubra o seu trauma e o aceite, isto é possível quando o paciente, falando e calando, confessa toda a sua vida ao psicanalista. A ideia da libertação pela palavra, que já a Igreja Católica pratica há séculos é reformada por Freud. No entanto, enquanto o pai da ciência do inconsciente liberta a bestialidade e a mediocridade, a Igreja, através do sacramento da penitência, produz genialidade e heroísmo.

A cultura actual, que é a cultura revolucionária, está impregnada do pensamento psicanalítico. A imposição deste pensamento transformou totalmente a mentalidade do indivíduo e da sociedade abrindo-se, desta forma, a porta a uma sociedade mais primitiva.

Não há dúvida que este burguês judeu contribuiu decisivamente para ajudar a destruir a superior civilização europeia, a civilização do amor, apoiada nas verdades eternas, absolutas e para todas as gerações. A intenção de tornar o inconsciente acessível ao consciente provoca que os instintos primitivos se libertem e passem para o campo do real. Soltam-se desta forma os impulsos perversos que naturalmente estavam submetidos ao constrangimento. A preocupação de Freud debatia-se com a limitação da expansão selvagem imposta pela moral e pela razão.

As doenças mentais ou são de origem somática ou de origem afectiva. Quando se trata de problemas de afectividade a cura da nevrose, segundo Freud, acontece quando se identificam os conflitos de ordem sexual que se arrastam desde a infância. No entanto esta redução da doença mental à sexualidade é algo diabólica na mediada em que os estudos actuais provam que a perda das pessoas que nos são queridas está no topo das causas que provoca a doença mental, e o divórcio vem em segundo lugar. Mais uma vez a Igreja, com a sua promessa de vida eterna, é a solução. A tragédia Ática pode-se comparar ao trabalho de uma cura psicanalítica. Porém esse tipo de arte foi suprimida pela mentalidade revolucionária que actualmente tem a hegemonia do poder no Mundo Ocidental. Os seguidores de Freud reconhecem que na psicopatologia existe uma moda, isto é, as épocas consoante as politicas dominantes assim provocam mais ou menos danos mentais. Assim, enquanto há 100 anos atrás a moda era a histeria agora é a depressão. A conclusão é que a sociedade revolucionária provoca grande sofrimento nas pessoas antes de as destruir completamente. Dizem bem os fanáticos do inconsciente que a psicanálise não prescreve moral, mas já o mesmo não é válido para a imoralidade. É precisamente o seu oposto e afirmamos com convicção que a psicanálise prescreve imoralidade. A psicanálise é herdeira do racionalismo e do cientismo do século das luzes revolucionárias. A psicanálise reduz tudo ao erotismo ou ao complexo de Édipo. Há um fanatismo pelo impulso sexual. Tudo assenta nos impulsos e desejos reprimidos, é a questão do prazer, é, enfim a promoção do hedonismo. Os comparsas de Freud regozijam-se pela psicanálise renunciar ao prazer da perfeição moral, e desta forma bizarra tentam justificar que a psicanálise nada tem de hedonista. Acusando, estes agentes da iniquidade, que a perfeição moral é uma forma de hedonismo. Esquecem-se porém que a satisfação obtida pela entrega ao Bem nada tem de egoísta. Freud substituiu o espírito pelo impulso e pelo desejo. Entende mesmo que por ser impulsivo o homem é um ser amoral. Isto nada mais é do que libertar o homem da moral. Não foi à toa que lhe imputaram uma moral libertina. Fez ainda coincidir a noção de amor com o impulso e o desejo esquecendo a entrega incondicional ao outro.

Freud elaborou teses de tipo mecanicista e acreditou no determinismo psicológico. Desta forma se exclui a verdadeira liberdade que é a grande vantagem do ser humano em relação aos restantes animais. A capacidade para mudar, evoluir e ascender a humanidade pela transformação positiva encontra aqui uma enorme barreira. A estagnação ganha espaço enquanto o dinamismo recua. Mas Freud tem outros intentos, e ao descobrir que o indivíduo é formado pela cultura, deu o primeiro passo para que através da manipulação da cultura as massas servissem os macabros desígnios dos mais incríveis interesses económicos. Os jornais, a imprensa, são manuais de propaganda revolucionária ao serviço dos donos do mundo. As pessoas foram viciadas neste modo de vida materialista com o propósito de tudo consumirem. Deu-se uma quebra da resistência e das defesas contra o Mal, desmantelaram-se os sistemas de protecção que os indivíduos possuem devido ao constrangimento inerente. Os sentidos e a imaginação iludem o homem, enganam, todos os sábios o sabem, a angústia está sempre presente, mas a sociedade freudiana quer o homem dependente dos caprichos, da ilusão, quer um homem infantil pois este homem oco serve na perfeição os planos dos grandes senhores do mundo.


Bibliografia:
AAVV, A Psicanálise, Ciência do Homem, Livros do Brasil, Lisboa.

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Porque não sou Socialista - 100 Razões para não ser socialista


O Socialismo é uma teoria que subordina o indivíduo à sociedade. Neste ambiente político, enquanto a individualidade de cada um lastimavelmente se perde, a sociedade encarrega-se de explorar o Estado até ao seu completo esgotamento. A subjugação da pessoa à mediocridade das maiorias, uma vez que os homens dotados de caracteres inferiores são em número muito superior aos homens sábios e nobres, resulta numa ditadura de pensamento único imposto pelas massas embrutecidas e por quem as domina. O cidadão inteligente habituado a pensar é marginalizado. O socialismo, influenciado pelo individualismo protestante, abarca uma grande variedade de denominações, correspondendo a alguma diferença superficial, porém a sua essência é comum a todas as formas. A essência compõe-se pelas abstracções de Liberdade e de Igualdade forjadas nas lojas maçónicas. Neste campo confrontamo-nos assim com: o Socialismo Católico (uma fraude); o Socialismo Utópico (primórdios); o Socialismo Científico (comunismo) detentor de uma doutrina para além de internacionalista antipatriótica, antiburguesa logo contra as classes médias; a Social-Democracia; o Socialismo Libertário (anarquismo). Este leque tem similitude política com a direita liberal, o centro e a esquerda do leque político nacional.

1 - Não sou socialista porque a ideia sobre o Estado alimentar todos com subsídios e rendimentos mínimos não é feita com a intenção de resolver efectivamente o problema das pessoas mas sim de resolver o problema da superprodução mundial. Já em 1818 enquanto a população aumentava 20 por cento a produção crescia em 1500 por cento. Pessoas com dinheiro mas sem ocupação são consumidores por excelência, as massas têm que ter poder de compra para assim escoarem o excesso de produção. Mas, a pobreza do Estado aumenta diariamente, as reservas de ouro que são a garantia da sobrevivência do nosso povo vão sendo transferidas dos cofres nacionais para algures fora das fronteiras. Desde 1974 já nos libertaram de mais de 500 mil toneladas de ouro. O colapso financeiro será uma inevitabilidade, a economia socialista é insustentável.

2 - O socialismo pugna, desde a sua origem com Robert Owen, no Século XIX, para que não exista propriedade individual, para que não haja religiões e para não haja laços legais em matéria sexual, o que equivale ao fim da família. Acabando a família acaba a raça, extingue-se um povo.

3 – Não sou socialista porque o socialismo, apostando tudo na sociedade e negligenciando o Estado e a pessoa, provocará a falência do Estado e o declínio da pessoa através da massificação.

4 - O socialismo é não só irreligioso como ainda ferozmente anti-religioso, especialmente anticatólico.

5 - Não sou socialista porque a livre concorrência, descartando a intervenção do Estado, provoca a concentração de fortunas, forma monopólios. Este feroz liberalismo socialista, encontrando as fronteiras escancaradas, permitirá que a concentração do ouro conflua para onde a exploração humana for maior. Expõe-se assim um paradoxo socialista, agrava-se a exploração do homem pelo homem no socialismo.

6 - O socialismo permitindo a corrupção e a vigarice descura os interesses dos mais fracos, dos mais pobres e dos mais honestos que assim são vítimas fáceis dos mais oportunistas e dos astutos individualistas.

7 – Não sou socialista porque o Estado deveria intervir nos fenómenos económicos a fim de conservar a sustentabilidade económica e de promover a harmonia entre empregados e empregadores. Mas, o radicalismo socialista fanatizado pela liberdade não permite um Estado forte.

8 - O socialismo abomina a disciplina, porém a indisciplina gera destruição e esta infelicidade.

9 - Não sou socialista porque as promessas socialistas, que entusiasmam as massas embrutecidas, apelam para uma menor desigualdade na partilha dos recursos e por uma liberdade para todos, mas o resultado é precisamente o inverso, aumenta a desigualdade e diminui a liberdade.

10 - O socialismo abstém-se de moralizar homens e credibilizar instituições.

11 - Não sou socialista porque a fim de guiar os povos, outro famoso percursor do socialismo, amante das doutrinas do liberalismo económico, Saint-Simon, funda uma espécie de cooperativa internacional composta dos sábios do seu tempo. Mas tudo o que labora na obscuridade dos grupos internacionais, tudo o que não é claro, é de desconfiar não oferece credibilidade nem confiança.

12 - O socialismo caracteriza-se por um anticlericalismo feroz.

13 - Não sou socialista porque com a chegada do socialismo ao poder aboliu-se a autoridade, garante da ordem pública, e instituiu-se em seu lugar a liberdade cujo conceito é totalmente abstracto. O resultado é o aumento da anarquia.

14 - O socialismo apoia sistematicamente a acção do indivíduo contra o Estado, e apoia ainda as forças de desagregação antinacionais.

15 - Não sou socialista porque os metafísicos socialistas têm trabalhado no sentido de abalar as crenças teológicas. No entanto os sábios que estão no topo da pirâmide socialista não se desligam das crenças milenares, nem adoptam as falsas crenças como as que impingem às massas.

16 – O socialismo desconhece o prazer do sacrifício, o gosto do cumprimento do dever. A satisfação de vencer a privação.

17 - Não sou socialista porque o socialismo transformou as massas de produtores em consumidores. Obviamente que as massas de consumidores, graças à insustentabilidade económica, desaparecerão com o tempo. O desgaste natural dos recursos ditará o fim dos consumidores considerados inúteis.

18 - O socialismo aposta nas teorias da gratuitidade, nos facilitismos e subsídios de tudo para tudo e para todos.

19 - Não sou socialista porque no topo da hierarquia da sociedade freneticamente industrial encontram-se os banqueiros que vão acumulando todo o ouro dos povos.

20 - O socialismo, visando derrubar todas as fronteiras, promove a propaganda anarquista, ataca toda a autoridade.

21 - Não sou socialista porque o socialismo tem as suas mais tenras raízes em sociedades secretas. A conspiração para a igualdade floresceu no obscurantismo das ceitas à margem da sociedade.

22 - O socialismo anda de mãos dadas com o positivismo, com o federalismo, com o laicismo.

23 - Não sou socialista porque ambos os sistemas económicos socialistas são maus, quer o sistema egoísta, com o seu individualismo, o laissez faire, leissez passer, preconizado por Bastiat., a concorrência desenfreada, quer o sistema da igualdade que quebra os elementares princípios de justiça natural. A ideia socialista de que a natureza concedeu a todos os homens igual direito a todos os bens é falsa.

24 - O socialismo denegride o heroísmo e exalta o primitivismo.

25 - Não sou socialista porque desde o início do socialismo que a abolição da hereditariedade é para cumprir. O comunismo fê-lo por decreto, o socialismo rosa fá-lo de forma suave. Diminui o poder de compra de forma a que a propriedade privada desapareça e por conseguinte nada haverá para deixar como herança à descendência. Isto é hipotecar o futuro daqueles que estão para nascer. Neste contexto lembramos o socialista Proudhon bradando que a propriedade é um roubo, argumentado que a propriedade é injusta e impossível.

26 - O socialismo sempre falou em nome do povo, para desta forma tirar o poder das mãos de muitos e o concentrar nas mãos de poucos.


27 - Não sou socialista porque o socialismo corrompeu o cristianismo, e da ideia de Buchez (1796) de que o espírito cristão não está em contradição com o espírito revolucionário nasce o aberrante socialismo cristão. Assim a autoridade e a desigualdade instituída por Deus converteram-se em liberdade e igualdade. Entende-se ainda que o espírito da fraternidade organizará a sociedade de uma forma simultaneamente cristã e democrática. E assim chegámos ao medonho Socialismo de Sacristia.

28 - O socialismo abraça todas as podridões modernas. Apoia perversidades, o aborto e outras mais, é deplorável, é lastimável.

29 - Não sou socialista porque sempre que se pretende realizar um plano ilegítimo, o socialista revolucionário promove uma revolução e usurpa direitos aos quais não teria acesso. A subversão, valor satânico, é premiada.

30 - O socialismo disseminou a liberdade irregulamentada, incondicional, tornando-a valor sagrado. Castra em simultâneo a liberdade para educar.

31 - Não sou socialista porque o direito ao trabalho, não faz parte dos planos socialistas. Na Europa socialista o desemprego agrava-se diariamente.

32 - O socialismo vive da ambição, do desejo do poder pelo poder.

33 - Não sou socialista porque na corrida louca pelas transformações económicas, verdadeiro objectivo socialista, todas as medidas se justificam como por exemplo a injusta e inútil lei da paridade, que obriga as mulheres, independentemente do mérito, a ocuparem lugares de decisão. Claro que para os planos socialistas serem satisfeitos os capitalistas investem milhões, mas os ganhos da cúpula capitalista serão altamente recompensados.

34 - O socialismo matou a alma do povo, a nação adulterou-se, ceifou o corpo orgânico marcado por interesses comuns em expansão na maravilha da unidade.

35 - Não sou socialista porque um ícone de topo socialista, Fourier, chega ao ponto de afirmar que a moral mutila inutilmente a humanidade. Defende que as paixões más são boas porque ambas derivam da vontade de Deus. Esta alucinação não poderia ser mais contrária quer à moral cristã, quer mesmo à moral pagã greco-romana.

36 - O socialismo transforma a unificadora consciência nacional na particular e conflituosa consciência de classe.

37 - Não sou socialista porque o socialismo nunca quis compreender o mundo, mas sim mudá-lo. A verdade não tem qualquer relevância para as concepções socialistas. Como a Verdade não interessa, sobra a falsidade como farol, e logicamente constatamos o falhanço das teorias socialistas em todas as áreas, embora normalmente só se foque a economia ruinosa. A mudança acontece para que o poder balance e se concentre noutro lugar e sirva outros interesses e outros povos. Uma coisa é certa os europeus perderam profundamente com as conspirações socialistas. Portanto pode-se concluir que o pólo dinamizador do socialismo está algures fora da velha Europa cristã.

38 - O socialismo é uma máquina de agregação de interesses com a finalidade de privilegiar os interesses particulares e sectários.

39 - Não sou socialista porque com o socialismo a sociedade afasta-se da Nação.


40 - O socialismo não evita a decadência nem a perda de vigor evolutivo.


41 - Não sou socialista porque o socialismo luta sempre pelos direitos do homem, mas nunca pelos deveres, fomentando assim exércitos de parasitas, oportunistas e vigaristas.

42 - O socialismo agarrado ao dogma igualitário, embrutece e empobrece, fomenta o terror das massas, cria os sub-homens, tal como diz Nietzsche.

43 - Não sou socialista porque no socialismo há sempre lugar para a violência e para o extremismo, quer o comunismo quer o anarquismo são ramificações do mesmo esgoto socialista. A mentalidade revolucionária não olha a meios para atingir fins, recorrendo ao terrorismo e ao sindicalismo, colocam bombas, fazem greves gerais, revoluções, destroem o sector produtivo, fazem o que calha para mudarem a sociedade a fim de que os seus objectivos sejam cumpridos.

44 - O socialismo venera a liberdade sem definir o seu conceito. A submissão instituída à liberdade indefinida conduz ao despotismo e à anarquia. Em lugar da concórdia instala-se a discórdia.

45 - Não sou socialista porque o antipatriotismo lhe é inerente.

46 - O socialismo promove a anomia, a desordem. A ideia abstracta de liberdade conduz a que não se respeitem os outros, mas, o problema é que todos gostamos de ser respeitados.

47 - Não sou socialista porque o socialismo tende para o totalitarismo, ora concentra o poder no Estado, ora num grupo restrito de capitalistas. A ideia do imperalismo socialista esteve sempre presente, sempre os socialistas abraçaram a ideia dum federalismo europeu., e em última escala a ideia do Governo Único Mundial.

48 - O socialismo tem um tentáculo que descristianiza a sociedade e outro que a judaíza, o valor do amor é trocado pelo valor do ouro.

49 - Não sou socialista porque o socialismo está possuído por um radicalismo paralítico, no sentido em que castra uma evolução natural, revolução é oposto de evolução.

50 - O socialista troca de bom grado a razão pela sensação, pela paixão e pela imaginação.

51 – Não sou socialista porque o socialismo é brando no combate ao crime, a criminalidade aumenta assustadoramente a cada dia que passa e está totalmente fora do controlo das autoridades.

52 - O socialismo produz sociedades de consumo, sobressaem os valores materialistas e hedonistas, onde a solidariedade e a fraternidade deixam de ser marcantes. Eis mais um paradoxo pois um lema forte do socialismo é a fraternidade.

53 - Não sou socialista porque na realidade todo o socialismo é ateu e materialista.

54 - O socialismo condena a xenofobia mas fomenta a xenomania.

55 - Não sou socialista porque o socialismo tem diferentes origens sentimentais, e ambas más, ora assenta no hedonismo, ora no utilitarismo.

56 - O socialismo não garante a tranquilidade aos povos, em vez disso coloca-os em permanente agitação, fomentando sempre uma nova perturbação na ordem estabelecida. A opinião pública é permanentemente excitada.

57 - Não sou socialista porque alguns socialistas embora conhecendo a verdade, escutemos o socialista inglês Ruskin "É preciso aceitar as relações sociais e naturais de subordinação e de comando, aceitar a desigualdade", promovem a mentira.

58 - O socialismo baniu a arte dramática altamente libertadora e que inspira o homem superior, colocando no seu lugar a decadente comédia e o drama que só inspiram homens rasteiros.

59 - Não sou socialista porque o socialismo sofre de contradições internas que se vão agravando até provocarem a ruína total do sistema. Entre As quais a mais que evidente contradição entre liberdade e igualdade.

60 - O socialismo deseja o progresso, o fervilhar no caos, a dinâmica desregrada e atabalhoada. Assim, alimenta os apetites mais gananciosos aumentando as desigualdades sociais, deixando visível o paradoxo socialista.

61 - Não sou socialista porque a liberdade política é uma ideia e não uma realidade. Não há igualdade na natureza, a própria natureza estabeleceu a desigualdade dos espíritos. Os caracteres e as inteligências não são iguais entre os homens. As leis da criação estabeleceram a subordinação.

62 - O socialismo investe em todas as emancipações alienando dessa forma os indivíduos das suas obrigações naturais. O incumprimento do dever arrasta as pessoas para a miséria se não económica certamente social. O ser independente em relação à realidade não é um bem é um mal.

63 - Não sou socialista porque a liberdade transforma as pessoas em bestas porque sem a noção de Bem, estas colocam em evidência os piores instintos.

64 – O socialismo é claramente um movimento desagregador de famílias, pode-se verificar isso na alta taxa de divórcios em comparação ao número cada vez mais reduzido de casamentos. Desde a instalação do feminismo e das emancipações atribuídas às mulheres que foi destruído o verdadeiro significado da família. Perpetuam-se assim as indesejáveis perturbações familiares.

65 - Não sou socialista porque na sociedade socialista a corrupção faz parte natural do sistema, todos convivem relativamente bem com os delitos contra o bem-comum e contra o Estado.

66 - O socialismo combate Deus, a Pátria e a Família, mas fora destas realidades não há prosperidade nem plenitude.

67 - Não sou socialista porque em tal teoria se abusa do recurso a empréstimos, aumentando exponencialmente a dívida externa, comprometendo assim a independência das nações, e o futuro dos nossos filhos.

68 - O socialismo fala em nome do povo e manipula-o conforme os seus objectivos, mas o conjunto de pessoas que formam o povo tem pensamentos e necessidades muito diferentes.

69 - Não sou socialista porque o socialismo traçou a meta da mudança e do progresso mas o fim poucos sabem qual é.

70 - O socialismo nutre o maior desprezo pela fidelidade que é a fonte do respeito, de obediência e da felicidade sustentada pela força positiva da aliança.

71 - Não sou socialista porque o socialismo recorre sempre ao argumento do sistema que se funda na vontade de todos para que seja possível o proveito de alguns.

72 - O socialismo prefere a paixão e a imaginação secundarizando a razão e a verdade.

73 - Não sou socialista porque ministrar um ensino público sem religião e sem Deus é destruir uma civilização. Sobra a incompetência, o imoralismo, a deseducação, a mentira.

74 - O socialismo agarrado ao positivismo descartou-se do valor das coisas, a qualidade foi desprezada, chegou o relativismo, turva-se a verdade.

75 – Não sou socialista porque o socialismo promove a aculturação de onde resulta a descaracterização dos povos e a perda irremediável da genuinidade, pala além de quebrar as afinidades entre os indivíduos, produzindo assim a morte das culturas originais e a infelicidade das pessoas.

76 - O socialismo aderiu a todas as roturas com todas as verdades eternas herdadas dos nossos ancestrais.

77 - Não sou socialista porque o socialismo favorece a apatia política, a indiferença, a desesperança, o conformismo, onde quem não se manifesta contra é considerado a favor do seu sistema.
78 - O socialismo subordina o homem à máquina, instituiu a competição e destruiu a fidelidade que garantia a união das pessoas.

79 - Não sou socialista porque no socialismo a vida não tem sentido transcendente, só resta a mediocridade espiritual.

80 - O socialismo só aceita a cultura politica socialista, daqui resulta um único padrão de orientação de massas, não de acordo com o bem, mas sim com o interesse. È o chamado pensamento politicamente correcto.

81 - Não sou socialista porque a tolerância que o socialismo apregoa origina que as leis não se cumpram devidamente. O injusto triunfa assim sobre o justo.

82 - O socialismo domina e manipula as massas pela emoção e pela moda, levando ao desaparecimento da moralidade.

83 - Não sou socialista porque a ética socialista é a da convicção, incita cada um a agir sem se preocupar com as consequências, diz para vivermos como pensamos, sem pensar como vivemos.
84 - O socialismo recorre à lavagem cerebral das massas através das instâncias de socialização, principalmente os órgãos de comunicação social e o ensino público, inculcando assim as suas convicções e contravalores sempre para proveito de poucos mas para prejuízo de muitos.

85 - Não sou socialista porque o socialismo na demanda da igualdade opõe-se a toda a hierarquia, mas sem hierarquia é impossível a ordem.

86 – O socialismo cria artificialmente necessidades nos indivíduos de forma a conserva-los eternamente insatisfeitos. Desta forma se potencia o consumismo e se conserva a mentalidade revolucionária.

87 - Não sou socialista porque o socialismo é um totalitarismo encapotado, quer moldar o Mundo à sua imagem, diz-se democrático mas não tolera partidos reaccionários, todos são obrigados a aceitar as mudanças revolucionárias.

88 - O socialismo seculariza, substitui o sagrado e o misticismo por padrões pragmáticos e utilitários, desordenando assim o mundo, porém no caos não há felicidade.

89 – Não sou socialista porque o socialismo promove o multiculturalismo e a globalização, consequentemente, cresce o desentendimento entre raças e etnias o que dá origem a um mau estar social no início e, mais tarde, possivelmente, a indesejadas guerras civis.


90 - O socialismo onde se instala conduz uma boa parte da população à depressão e ao suicídio. Portugal tem 1 milhão de pessoas em depressão e o suicídio é a oitava causa de morte.

91 – Não sou socialista porque o socialismo institui políticas anti-natalidade que levam à extinção dos povos, isto reflecte-se na organização das famílias e da sociedade; por exemplo, são inadmissíveis os altos custos que exigem os infantários por cada criança. Estes impedem os casais submetidos ao socialismo de ter filhos.

92 – O socialismo investiu contra o homem europeu. Infelizmente testemunhamos a deseuropeização do homem europeu, a desaportuguezação dos portugueses e por aí fora. Perdem-se as identidades, as tradições e o património cultural e civilizacional. Na Europa socialista os europeus estão desenraizados.

93 - Não sou socialista porque o socialismo destruiu a hierarquia dentro do lar, o que provoca o fim da família. Uma vez que é impossível conviver em tal ambiente anárquico só restam duas saídas, ou a violência doméstica baseada na lei do mais forte ou o divórcio para evitar violências maiores.

94 – O socialismo tende a abolir a propriedade privada. Os filhos não herdarão nada de seus pais, neste momento já é visível esta realidade. As pessoas estão cada vez mais desprovidas de bens e não têm poder de compra para os adquirir. Terão ainda que vender o pouco que têm para poder sobreviver.

95 - Não sou socialista porque o socialismo engendrou o feminismo que é um movimento subversivo apoiado na luta de sexos, para o domínio da classe feminina. A consequência é o desequilíbrio e instabilidade familiar obrigando homem e mulher a competirem em vez de se complementarem.

96 - O socialismo incentiva a imigração ilegal directa ou indirectamente, aumentando assim o lucro dos patrões e aumentando também a taxa de desemprego entre os portugueses e os restantes europeus.

97 - Não sou socialista porque o socialismo alimenta o individualismo, subordinando assim o interesse geral à conveniência particular, coincide com o egoísmo no plano moral. Como consequência aumentam as desigualdades sociais devido ao princípio injusto do “vale tudo”.

98 – O socialismo trouxe a degradação dos bons costumes, acabou o respeito, aumentou a falta de educação, medrou a ordinarice.

99 - Não sou socialista porque o socialismo fomenta o endividamento familiar para dinamizar a economia, contudo para além de não resolver o problema económico provoca ainda danos familiares irreparáveis.

100 – O socialismo alimenta-se de dois tipos de repúblicas, a dos bananas e a dos sacanas.


Bibliografia:

Élie Halévy, História do Socialismo Europeu, Difusão Editorial, S. A., São Paulo, Brasil, 1975.
Protocolos dos Sábios de Sião, AtomicBooks, Lisboa, 2007.





Desafio: Vamos todos ajudar a melhorar este manifesto anti-socialista, venham sugestões!

domingo, 14 de Junho de 2009

Raízes do Nacionalismo - Ramalho Ortigão

José Duarte Ramalho Ortigão foi um virtuoso escritor português (1836-1915). De pendor positivista e republicano andou errante pelo modernismo e pelo progressismo, mas perto do fim da sua vida e desiludido com a República instaurada em 1910 arrependeu-se e redimiu-se nas Últimas Farpas. Alicerçado nos valores patrióticos viria a ser figura de destaque na geração nacionalista que conduziu ao memorável Integralismo Lusitano. Ramalho Ortigão merece por isso ser evocado e recordado com saudade por todos os que não se deixam alienar pelos equívocos maliciosos da sociedade autodenominada moderna, mas cujos preceitos que carrega são do mais retrógrado e infrutífero que se possa imaginar. Nunca povos ateus, agarrados ao irracionalismo tribal superaram os povos sustentados na força do espírito superior. Mais que nunca, uma vez que estamos à beira do caos total, homens desta natureza invulgar têm pleno direito a um lugar de realce na história da humanidade e como tal merecedores de eterno destaque. Aqui fica uma prova da sua valorosa erudição numa simples carta que deveria fazer parte do programa do decadente ensino público: Carta de um velho a um novo, de Ramalho Ortigão

segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Divórcio e Feminismo


A família democrática, tal como chamam à aberrante abolição hierárquica dentro do lar, tem como fim implícito a destruição da família. Uma vez que é impossível conviver em tal ambiente anárquico só restam duas saídas, ou a violência doméstica baseada na lei do mais forte ou o divórcio para evitar violências maiores. A promoção da emancipação feminina originou a infelicidade de milhares de famílias, o fim de outras tantas e ainda a baixa natalidade. Contra a palavra de Deus se ergueram as mentes perversas, mas não esquecer que os erros pagam-se.

"Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos custosos, mas como convém às mulheres que fazem profissão de servir a Deus com boas obras. A mulher aprenda em silêncio com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão; salvar-se-á, todavia, dando à luz filhos, se permanecer com sobriedade na fé, no amor e na santificação.” (I Tim. 2:8-15)

Excerto bíblico usado para mostrar Por que as mulheres não falam e nem oram em público em nossa igreja?

quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Hedonismo, mais uma praga para o século XXI


Dizem-nos que a vida deve ser aproveitada ao máximo e com o máximo prazer, argumentando que a vida é uma dádiva e por isso temos que a saber gozar, e ainda que o prazer sensitivo é a única coisa que levamos desta vida. Usando desta perspectiva e inserido no pacote da mentalidade revolucionária chega até nós, tremendamente amplificado pela hegemonia socialista, o hedonismo. Esta busca desenfreada da felicidade faz corresponder o bem supremo, o valor mais elevado, com o prazer. A felicidade é pois apresentada como prazer, a maximização do prazer surge assim como móbil e finalidade para a vida. Mas, muitas vezes, esse prazer não passa de aparência, a realidade verifica-se diferente, o vício é inimigo do perfeccionismo, mas amigo do descontentamento. Por outro lado as exigências mais elevadas assentes na racionalidade e que efectivamente evoluem a humanidade, dependentes do esforço e do sacrifício pessoal, como as verdades tradicionais (sabedoria, fortaleza, temperança e justiça) são amplamente negligenciadas. Devemos ter em conta, ainda, que o prazer dos desejos desnecessários não está incluído na esfera dos bens da vida que são naturais (vida, saúde). O prazer tal como concebido na modernidade é antinatural. Os desejos de poder, a necessidade de ostentação, os vícios, são estranhos à nossa natureza. O homem pode por isso aperfeiçoar-se libertando-se do domínio do irracional. Muitos, vítimas da insatisfação, acabam nas teias implacáveis do mundo da droga. Quantas famílias destruídas, quantos inválidos e mortes desnecessárias devidos à procura do máximo prazer corporal?

Prova-se que a vida sã, vítima da mente perversa, desmorona-se como um castelo de cartas assim que os primeiros vícios se apoderam do organismo indefeso. Com a intensificação dos vícios adquiridos e a vinda de outros novos, uma vez que o hábito minimiza o prazer, o sujeito torna-se um farrapo humano desperdiçando assim a sua vida, pois, tornando-se inútil, torna-se um fardo para a sociedade. Esta extrema liberdade individual escrava dos prazeres corporais promove inevitavelmente o anarquismo. Na ânsia de maior satisfação, porém atingimos o paradoxo, no meio da desordem os sujeitos forçosamente se digladiam ora por questões de sobrevivência ora para satisfação da ambição desmedida de que padecem os hedonistas. E dá-se também o irracional porque o homem sempre procurou defender-se da desordem que o ameaça. Por outro lado, o hedonista vê-se privado do maior dos prazeres que é a satisfação do dever cumprido. O homem realiza-se na rectidão. Repare-se como Sócrates, face à morte pela cicuta, prefere o cumprimento do dever à manutenção da vida e olhe-se para os mártires que preferiram as piores torturas a abdicar do seu dever. Os homens sensatos sabem que não há maior felicidade do que praticar o bem. O bem nunca é o prazer egoísta mas sim a entrega altruísta. À medida que nos afastamos da nossa própria natureza aumenta a singularidade despida de racionalidade, aumenta o comportamento aberrante. O adepto entusiasta do desregrado hedonismo passa directamente da fase da juventude para a fase de declínio, a fase intermédia, da maturidade que é a de fecunda criação, acaba por lhe ser estranha. A medíocre cultura do vício e dos excessos está forçosamente reprovada.

Em alternativa, a felicidade deve repousar no conhecimento contemplativo da razão, à boa maneira aristotélica. O prazer mais puro é a alegria de pensar bem, conservando a lógica de subordinação do corpo ao espírito. Caso contrário, a escravização dos prazeres agrava a despersonalização uma vez que o homem distingue-se pela moral. O sujeito subjugado aos exacerbados apetites do corpo jamais será virtuoso. Quanto mais negamos a racionalidade mais nos assemelhamos a animais irracionais. A irracionalidade do hedonista chega a promover a necessidade, a dependência, identificando-as com a virtude. E, estamos perante mais uma subversão revolucionária. Poder-se-á argumentar que o homem sério por vezes se sente frustrado, é verdade. Mas, a esses dizemos, usando uma máxima do liberal Mill, "mais vale Sócrates insatisfeito do que um porco satisfeito". A razão é o maior dos bens, não podemos por isso concordar com a subordinação da razão ao prazer. A promoção da degradação do ser humano deve pois ser repelida por todos aqueles que se consideram possuidores de verticalidade. É preciso uma alteração do modo de pensar que retire o indivíduo da mediocridade e o coloque na competição saudável pela superioridade. O ascetismo inimigo dos prazeres sensuais é o oposto do hedonismo. Não enveredando por extremos, moderadamente é recomendável a guerra ao consumismo, ao materialismo, ao individualismo, e ao relativismo. A solução passa por voltarmos à sagrada união familiar e de grupo por afinidades e pelo sangue, tudo o resto são alienações. O corpo move-se no espaço e no tempo, a alma, unicamente no tempo, e reparem como a alma sem matéria comanda não só o corpo como todas as coisas e é eterna. Acreditamos que após a embriaguez inicial trazida pelo hedonismo é ainda possível um saudável regresso à razão que conduzirá a uma nova atitude. Negamos igualmente quer o vício como norma da vida quer o valor do facilitismo. Exaltamos, à boa maneira da Grécia clássica, o divino como medida de todas as coisas promovendo desta forma a excelência, cuja consequente elevação da personalidade possibilitará uma verdadeira emancipação da humanidade. Não há felicidade sem educação. Precisamos, pois, mais de uma Doutrina dos Deveres do que uma cartilha dos direitos. É imperativo que a justiça reine.

Bibliografia:
F. Heinemann, A Filosofia no Século XX, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2008.

quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Cepticismo, Relativismo, a Crise e o Ouro


A onda que arrastou o realismo e o idealismo para o abismo da clandestinidade foi a mesma que elevou o cepticismo ao lugar de estrela totalitária mergulhando todo o Mundo Ocidental na indiferença, na apatia, no individualismo, no vértice para o caos. O cepticismo, a seu ver, tem a crença de que o conhecimento do homem é muito limitado e como tal nunca há dados suficientes para se alcançar a verdade. Não obstante, a fé fanática no tudo é falso acabou por prevalecer, como tal, não é mais possível diferenciar o bem do mal uma vez que a referência de supremo bem não existe. Ou então, sendo a referência a tal estrela totalitária do cepticismo ficamos na mesma, uma vez que a sua doutrina aponta para o relativismo e logo para a injustiça do vale tudo. A verdade do cepticismo é a abolição de todas as religiões e consequentemente o fim da moralidade e de qualquer autoridade pois é negado o padrão daquilo que é o bem. O céptico não reconhece qualquer ordem nem no Universo nem no Homem. Para o cepticismo a vida é desprovida de finalidade, de onde resulta que, devido à falta de objectivos, se multiplicam as vidas inúteis e sem sentido. Contudo, os tradicionalistas, os defensores da ordem e da verdade, sabem perfeitamente que as relações humanas de amor e de alegria e que o cumprimento do dever dão sentido às nossas vidas, e ainda que a procura da verdade já oferece em si mesma uma recompensa.

A grande conclusão religiosa da Idade autodenominada Moderna é que Deus não é uma estrutura externa. Esta nova visão procurou apreender interiormente uma ordem cósmica. O maior defensor deste conceito subjectivista de moral foi o filósofo iluminista, idolatrado por toda a mentalidade subversiva e por todos os libertários do planeta, Immanuel Kant. Este legislador universal argumentou que é impossível provar a existência externa de Deus, como tal não reconheceu a moralidade da religião e nem sequer que a religião procedia de Deus. A sua filosofia é uma contraposição à filosofia teológica de Santo Agostinho que defendia que o nosso entendimento do bem e do mal deve provir da crença e da fé. A conclusão de Kant é que a lei moral não está fora do sujeito mas sim no seu interior, como tal, não há lei externa a que este ser deva estar submetido, e como consequência, este sujeito endeusado só deve obediência a si próprio.

Ainda durante a fase frenética do iluminismo, muitos pensadores adoptaram uma visão optimista de que o poder da ciência e da razão iriam superar os males que afligiam a condição humana. Porém, a ciência apenas pode melhorar o conforto e o prazer imediato, o reverso da medalha foi inevitável, tornámo-nos mais frios, calculistas, duros na compreensão dos nossos semelhantes e as relações familiares degradam-se ao ponto de ameaçar a continuidade de alguns povos, entre os quais os povos europeus que perdem população há vários anos consecutivos. E como se isso não bastasse, o mundo em que vivemos é cada vez mais imoral e inumano, numa só palavra, ímpio. Para tentar compensar o vazio e impulsionados por ferozes propagandas consumistas, na busca do máximo prazer e a qualquer custo, os infectados com o cânone do puro hedonismo destroem não só as relações humanas como também todo o planeta. Decididamente a humanidade conduzida pela perversidade revolucionária preferiu o vazio espiritual e conservar o corpo carregado de desejos e vícios. Pior não nos podia ter acontecido, este caminho conduz inevitavelmente à destruição da civilização que herdamos dos nossos antepassados, infelizmente, a cegueira de muitos prevalece sobre a lucidez de poucos, a imbecilidade é quem mais ordena.

Nas últimas décadas vulgarizou-se a ideia de que todas as crenças religiosas são essencialmente iguais e válidas e que nenhuma pode deter a verdade absoluta. As crenças religiosas e as opções morais são, agora, ambas vistas como sendo pessoais, apenas uma questão de preferência e de escolha individual, é como ir a um restaurante e escolher um qualquer prato, tanto faz um ou outro desde que nos mate a fome no momento. Porém, se a comida está estragada e nos envenena o aparelho digestivo isso tanto faz!? Para nós, fiéis guardiães dos valores eternos, o bem e o mal não se confundem, a verdade existe.

O cepticismo levou ao aparecimento do relativismo, a convicção de que não existem verdades absolutas, verdades universais, e sustenta-se que cada um tem a sua própria verdade. Esta tese remonta ao sofista Protágoras que viveu no século V a.C., afirmava então que "o homem é a medida de todas as coisas". As noções de verdade e erro surgem assim esbatidas uma vez que estão subjugadas à perspectiva do capricho individual. O sóbrio confunde-se com o ébrio. Fundamentar algo ou não fundamentar revela-se, aqui, exactamente a mesma coisa. Que significa isto senão a negação da razão e a busca da animalidade? É sem dúvida a besta que triunfa sobre o homem. Todavia, atendendo à definição de filosofia como, amor ao saber, busca da verdade, fundamentação e afirmação do insuperável, que nos coloca em contacto com a realidade da existência, só nos resta concluir que tanto o cepticismo como o relativismo, que são casos de negação da verdade, encontram-se com pretensões filosóficas mas na realidade não passam de falsas filosofias. Caso não fosse possível encontrar a verdade inabalável que utilidade teria a filosofia? E sem verdade não há conhecimento, e não havendo conhecimento não há filosofia, logo, as filosofias das falsidades são falsas filosofias. Sendo falsas filosofias não merecem credibilidade mas sim puro desprezo. Para além disso, o relativismo impõe-se ele mesmo como um absoluto e a lei passa a ser "tudo é relativo", e dá-se o absurdo, tudo é relativo menos o relativismo. A vida é demasiado curta para que se perca tempo com banalidades. Concentremo-nos pois nos ensinamentos de Aristóteles, onde a essência é o universal autêntico e a verdade, e nos supremos adversários do relativismo: Platão e Giovanni Gentile. A filosofia faz sentido quando determina o que é, o que é a valer, para além de toda a ilusão ou erro.

Falar em crise significa falar no caos eminente. O caos resulta sempre da desordem, a crise resulta do incumprimento do dever. Quando se fala em crise deveria primeiro que tudo falar-se nas suas causas. Mas não, as causas são omitidas à populaça, e enganam-nos dizendo que a crise é mundial. Observe-se que a quantidade de ouro no planeta é sempre igual, porém na mesma proporção em que ele diminui em algumas zonas acresce noutras. Onde se está a acumular o ouro?

A crise resulta precisamente do querer dos homens não se submeter a regras, normas e deveres e de ter vingado o direito de fazer o que nos apetece. Ora, o fim das obrigações é a consequência do relativismo. Numa sociedade cada vez mais complexa, onde seria normal o rigor e a ordem, a anarquia que se tem promovido em todos os domínios é não só irracional como também um crime. O anarco-capitalismo fruto do liberalismo e que se alimenta, em ambiente de extravagância, da confusão resultante do relativismo vai destruindo tranquilamente as instituições, entre elas a família, que permitiam a unidade nacional e a continuidade da vida. O homem leal e o homem liberal não podem ser confundidos pelos ilusionismos relativistas. A solução para a crise passa pelo rigoroso cumprimento do dever que se impõe a cada um, e daqui resulta o bem.

Perspectivas há muitas, verdade há só uma!...

Bibliografia:
António José de Brito, Para Uma Filosofia, Editorial Verbo, Barcelos, 1986.

quinta-feira, 23 de Abril de 2009

O Pensamento Político de Alexandre Soljenitsyne


"Ivan Iline, filósofo russo do nosso século, escrevia que a vida espiritual de um povo é mais importante que a extensão do seu território ou mesmo que a sua riqueza económica." (Alexandre Soljenitsyne).

A experiência revolucionária de tipo comunista na Rússia, embora silenciando pelo terror numerosas testemunhas, não evitou os veementes protestos de Alexandre Soljenitsyne (1918-2008). Em 1990 expressou que o seu país após a ditadura marxista-leninista, vigente durante 70 penosos anos, ficou "num estado de ruína catastrófica e a população desiludida com tudo". Contemplando a abstracção que é a liberdade revolucionária infere que "O século XX é abalado e corrompido por uma política que se libertou de toda a moral", como tal propõe que "devemos procurar para a vida dos Estados formas elevadas que não se fundem apenas no egoísmo, mas também na compaixão". Nesta obra, invulgar e fora de modas, aponta algumas ideias para recuperar o seu tão amado e mal tratado país.

No seio do monstro da URSS a hereditariedade foi suprimida e o valor do trabalho ignorado. O comunismo sempre entendeu o trabalho como sinónimo de escravatura, porém, sem trabalho não há economia que aguente, e prova-o a manifesta decadência de todos os países vítimas da ideologia vermelha, logo, em vez da sonhada criação de riqueza e prosperidade só multiplicou a pobreza e a mendicidade. Soljenitsyne, notável partidário das forças culturais e morais, que dizia não à degenerescência e sim ao desenvolvimento para recuperar a economia, desabafa assim: "É urgente imprimir um sentido ao trabalho, há meio século que já ninguém tem o menor interesse em trabalhar nem ninguém se interessa por moer o trigo e cuidar do gado". A terra e a sua agricultura foi outro valor desprezado pelo comunismo conforme testemunha Alexandre Soljenitsyne: "a nossa classe campesina foi aniquilada". Em alternativa contraria a opressão sofrida pelos agricultores defendendo que as pessoas devem ser livres de voltar à terra "para o homem, a terra não é apenas um valor económico, mas também moral". A terra liberta o camponês porque lhe garante o sustento e lhe concede autonomia uma vez que o torna auto-suficiente, mas o comunismo nunca gostou de homens livres, tem-lhes mesmo horror, prefere-os dependentes do poder central totalitário.

Se os efeitos das acções comunistas são um terrível desastre, os vícios do capitalismo são igualmente nefastos, a saber que ambos são espinhos do liberalismo, como tal, os latifúndios, na mente de Soljenitsyne, devem ser evitados por uma questão de verdadeira justiça social "se a terra começasse a ser açambarcada por grandes proprietários, isso entravaria consideravelmente a vida dos outros”. Ainda nesta linha, o autor não questiona a propriedade privada, e promove o direito à verdadeira liberdade "sem a propriedade privada, não podem existir cidadãos independentes. Em setenta anos, conseguiram levar-nos a ter medo da propriedade". Há entretanto a salvaguardar que os monopólios não se formem, como tal sugere que "uma legislação indispensável antimonopólios travará, através de um pesado aumento de impostos, todo o crescimento desmesurado. Quanto aos bancos, são necessários como centros operacionais da vida financeira, mas não devemos permitir que se transformem em excrências parasitárias que se alimentam da usura e dirijam de facto toda a vida do país". Vimos até aqui a defesa inalienável do direito ao trabalho, à terra e à propriedade privada.

O verdadeiro patriotismo brota também do coração de Alexandre Soljenitsyne: "nem o nosso subsolo, nem a superfície da nossa terra, nem, em particular, as nossas florestas devem ser distribuídos a capitalistas estrangeiros". Noutro ângulo, numa dinâmica de descentralização propõe "que a Província deixe de ser esmagada pelas capitais", a vida própria deve ser promovida. Tema de realce do autor é evidentemente a família e a escola, como tal alerta para a queda da natalidade recomendando que "a mulher tenha a possibilidade de regressar ao lar para criar os filhos: o salário do homem deve permitir-lho". O feminismo não recolhe a simpatia deste homem sábio. Com respeito ao ensino alerta: "há que pôr termo imediato à lavagem do cérebro que constitui o ensino do ateísmo", e em relação às instituições, defende princípios de autoridade, o Estado deve ser estável e com um poder presidencial forte: "a anarquia é a primeira portadora da morte, como aprendemos em 1917". A melhor definição de anarquia tem-na Soljenitsyne e ensina-nos: “é o poder de cada forte sobre cada fraco”. Lição de liberdade, este mestre tradicionalista, não aceita de revolucionário algum, prova-o defendendo que “Além dos seus direitos, o homem tem necessidade de preservar a alma, libertá-la para que se possa entregar à vida da inteligência e dos sentimentos". Os revolucionários deveriam aprender que a maior liberdade é a do espírito que assim encontra terreno fértil para a criatividade e para a realização da pessoa. Quando se negligência a moral, as relações humanas degradam-se até a desconfiança ser total, no Portugal socialista e na Rússia comunista o fenómeno é idêntico, o mau estar é geral, Alexandre Soljenitsyne fala em "rancor generalizado nutrido por todos contra todos", trepa o sentimento do reino do salve-se quem puder. Embora cristão fervoroso, Alexandre Soljenitsyne levanta problemas ao topo da hierarquia religiosa: "gostaríamos de encontrar um reconforto na possibilidade de uma influência benfeitora da Igreja. Infelizmente, mesmo neste momento em que tudo se agita no país, a hierarquia ortodoxa não foi afectada pela dinâmica da audácia".

Os direitos do homem impostos em cartilha dizem pouco a este destemido autor que questiona: "«Os direitos do homem», está muito bem, mas como providenciamos nós próprios para que os nossos não afectem os dos outros? Uma sociedade de direitos irrefreados é incapaz de resistir às provações". Atento, Alexandre Soljenitsyne desconfia também dos órgãos de comunicação social, "há cada vez mais jornais diferentes que empolam quem lhes convém" e a "parcialidade frequente dos media, que se limitam a desagradar a uma parte importante da população". Deixa entretanto uma informação encorajadora "a Islândia decidiu, o que já é alguma coisa, prescindir da TV uma vez por semana", aleluia, quem nos dera que cá também o fizessem. A democracia no seu entender deve ser vigiada para que se evitem abusos, e lembra "V. V. Rozanov: «A democracia é o meio pelo qual uma minoria bem organizada governa uma maioria desorganizada»". Ainda na mesma temática recorda Tito-Lívio: "A luta entre os partidos é, e será sempre, um infortúnio muito pior que a guerra, a fome, a peste ou qualquer outro flagelo divino". E faz saber que "O poder é uma coisa sagrada, consiste em servir, e não deve ser objecto de concorrência dos partidos". Atenção! Embora abominando as seitas partidárias, cujo ideal seria o afastamento dos partidos políticos, defende a democracia sem as eleições legislativas e as autárquicas (milhões se poupariam), o escrutínio nacional se restringiria a alguns referendos e a eleições presidenciais.

Na organização dos trabalhadores, em vez de sindicatos, Alexandre Soljenitsyne prefere corporações segundo as profissões, transformando-o em mais um adepto do corporativismo. Para não aumentar os males da Rússia, o autor evocou os erros dos revolucionários portugueses, muitos deles lacaios de Moscovo durante a Guerra Fria: "não devemos imitar os Portugueses que abandonaram Angola e a deixaram na confusão e longos anos de guerra civil". Como é possível pretender uma sociedade de igualdades entre homens se a natureza é tão desigual na distribuição dos seus dons!? Uma dura lição nos fica das utopias marxistas: libertar para matar não, obrigado!

Bibliografia:
Alexandre Soljenitsyne, Como Reordenar a Nossa Rússia?, Livros do Brasil, Lisboa, 1991.

quinta-feira, 16 de Abril de 2009

A Intolerância Política Revolucionária


Um dos temas tão caros à mentalidade revolucionária é a questão da tolerância, à custa de tal avançaram sempre as forças subversivas de usurpação em usurpação, porém, os pérfidos liberais assim que ocuparam os lugares de poder, através de revoluções sustentadas pela manipulação das forças da mediocridade e dos desgraçados menos esclarecidos, todos subjugaram e cometeram todo o género de vilezas fazendo imediatamente rolar cabeças, ora dos seus adversários, ora dos seus dissidentes. Aos milhões de inocentes vítimas da fúria revolucionária o mundo moderno fecha os olhos. Só os comunistas mataram mais de 100 milhões de pessoas. Em nome da tolerância e de outras abstracções como a liberdade e a igualdade, os mestres da mentira impuseram aos soberanos e aos povos a obrigação dos nefastos preceitos revolucionários. A confusão e a desordem promovida pelo exército Anticristo, composto pelos promotores da insubordinação, da transgressão e das mais espantosas ignomínias, instalou-se rapidamente a fim de no futuro impor uma Nova Ordem Mundial que concluirá o processo de retirada do poder das mãos de muitos para o concentrar ou num restrito comité, ou num único homem ou Besta. Seguiu-se a imposição do ateísmo, a descristianização da Europa tornou-se uma obsessão, ainda em nome da tolerância revolucionária se proíbem actualmente todas as ideologias e ideais antiliberais. A defesa de Deus, da Pátria e da Família é hoje uma missão quase impossível e restringida apenas a alguns lugares sagrados e a alguns locais de reunião à margem da sociedade; todos os que se apresentarem com ideias fora dos ditames do politicamente correcto são imediatamente classificados de extremistas, perigosos radicais, fundamentalistas, terroristas, etc.

A intolerância para com a autoridade e a ordem ultrapassa todos os limites admissíveis, prefere-se a injustiça para com o cidadão honesto à justiça para com os criminosos, o crime compensa e avança impunemente, assim, neste tempo onde os ferozes revolucionários são reis riem-se os ímpios, choram os justos. Nas escolas públicas os programas são descaradamente tendenciosos e omissos em relação à verdade, enquanto a repressão para com aqueles que colocam questões pertinentes é assustadora, ai de alguém que ouse questionar as utopias revolucionárias. Nas faculdades colocam-se palas aos alunos como em burros e só se vêem os filósofos iluministas, Marx, Kant, Freud e toda a colecção de frustrados e de espíritos corrompidos pelo baixo carácter mais dominado por vícios do que virtudes. Quando o assunto é cultura tudo o que seja susceptível de desmascarar as mentiras revolucionárias ou é interdito, ou camuflado, ou omitido. Repare-se como as grandes livrarias promovem os grandes ícones da esquerda radical e silenciam os autores mais tradicionalistas. O mesmo se passa na música e nas restantes vertentes culturais, só aparece o que os reis revolucionários consentem. Os comentários dos leitores que os jornais on-line possibilitam podiam ser uma solução para o pensamento livre, infelizmente, as opiniões que divergem das imposições revolucionárias são frequentemente censuradas e não publicadas. Noutra frente, os raros cartazes políticos que não se subjugam às vontades revolucionárias são rapidamente removidos ou destruídos.

Um lema forte revolucionário, máxima conhecida de todos os tiranos, é «Dividir para Reinar», a força da união é pois inimiga de morte da mentalidade transgressora. O individualismo exacerbado e a luta de todos contra todos é agora uma realidade. Falam-nos finalmente em crise, crise engendrada propositadamente e não inocentemente, mas as soluções para sair da crise liberal-revolucionária ninguém as ouve porque os órgãos de informação revolucionários não permitem. As soluções obviamente que existem mas não interessam aos reis revolucionários pois isso atrasaria os seus planos para a obtenção do poder total sobre todo o globo terrestre. A censura é mais forte agora do que em qualquer outra época embora poucos disso se apercebam.

Impõem-nos, os fanáticos das liberdades e igualdades, o abominável multiculturalismo e fazem-nos esquecer os vitais princípios de afinidade que nos identificam com os nossos semelhantes, a defesa da identidade nacional está proibida. Por outro lado, nunca as escassas riquezas do povo se encontraram tanto a saque como agora, a delapidação dos recursos atingiu já um nível elevado de insustentabilidade, e o consumismo destrói todas as famílias, porém ilude-se as pessoas apelando ao pensamento positivo, dizendo que tudo está bem e que é preciso mais fé no progresso. Neste ambiente estapafúrdio, a honra, a decência, a reputação e a justiça são valores proibidos ou desencorajados, porém, devemos recordar que quando se cortam as raízes com os sagrados conhecimentos dos nossos antepassados, quando se nega a ordem, só se pode esperar o caos, o desalento e o sofrimento.

Bibliografia:
José Acúrcio das Neves, Obras Completas de José Acúrcio das Neves, Edições Afrontamento, Porto.

segunda-feira, 23 de Março de 2009

O Homem Leal e o Homem Liberal


Dada a confusão generalizada em que vivemos sobre os mais variados domínios, é fundamental o esclarecimento de algumas diferenças entre Homens. Desde sempre que as sociedades mais evoluídas foram sustentados por um tipo de homem de valor cuja característica dominante era lealdade. Com a mudança de paradigma durante a vitória revolucionária proporcionada pela Revolução de 1789, o homem liberal impôs-se, aplaudido pelas forças espirituais mais medíocres que a natureza suporta, esmagando completamente o tradicional homem leal. Desde já sustentamos que o natural aperfeiçoado pelo poder da contemplação espiritual é o leal, o comportamento liberal resulta da actividade dos programadores de mentes, de uma lavagem ao cérebro processada através de propaganda, subliminar ou totalmente descarada, inicialmente difundida pelos ensinamentos dos filósofos iluministas, e agora usada em quantidades industriais nos meios audiovisuais difundidos pelas estações de televisão e no ensino público. É também para nós assente que não há ordem sem lealdade. É impossível estabelecer uma qualquer relação de confiança sem a lealdade, a confiança é por si só geradora de felicidade e de construção sustentada pela harmonia entre os homens. O liberal vive para a competição e esquece frequentemente as regras do comportamento civilizado, simula e dissimula, o que lhe importa é a utilidade que advenha das suas acções, não importa se amorais ou imorais, e permitam o seu próprio benefício. A sociedade tem que servir o liberal, o leal serve a sociedade. Analisando o conceito de liberal ao certo não se sabe o que significa mas no seu conjunto traduz-se pelo amor à liberdade total para o indivíduo. Claro que para os outros o caso é diferente, os outros terão que aceitar todos os caprichos do liberal sob pena de serem imediatamente hostilizados e cunhados dos mais absurdos rótulos. O liberal julga-se uma ostra perlífera e que as suas obras são pérolas indispensáveis à humanidade, acha que as suas perversões têm de ser toleradas e validadas pelo mundo inteiro.

Num sistema político leal o Estado é moralista, no sistema liberal o Estado é despesista, amoral, dando guarida a todas as imoralidades. Quando se trata de diversão o homem leal prefere a música popular (apolítica), o liberal, sempre insatisfeito, regala-se com a canção de intervenção que é aquela que afronta toda a ordem herdada. Há definitivamente uma decaída com a ascensão do liberal, à medida que sobe a desvergonha individual desce a civilização ocidental. Outra faceta do liberal é o horror às nações, é assim este homem apátrida, cujo pensamento reside no abandono da consciência nacional. É também um bom materialista e excelente consumista, mas para haver evolução é naturalmente necessário que as gentes se libertem do materialismo. O liberal afirma a mundaneidade do homem, só dá valor ao que é de baixo, nega o sagrado, renuncia à transcendência, e tem ódio a toda a elevação. O leal é crente o liberal repousa na incredulidade e ferozmente anticlerical. O liberal divide-se em dois géneros, o explorador e o escravo.

Os princípios fundamentais da república onde o homem leal se sente bem são a virtude, a justiça e a glória definida como o anseio de servir a comunidade. Já o homem liberal satisfaz-se com os princípios maçónicos amplamente inculcados através de guerras sucessivas e de agressivas campanhas propagandísticas. O leal tem consciência do que é valor e do que é não-valor, o liberal é incapaz de reflectir sobre tal diferença estando convencido que as abstracções como liberdade, igualdade, tolerância, são valores. Não são valores por uma razão muito simples, estas abstracções não produzem vida logo nunca poderão pertencer a uma qualquer escala de valores mas o liberal está cego. E mais, estas abstracções criadas pela maçonaria não só não são valores como são a sua negação, são contra-valores, são formas de destruição, pois, sendo formas de garantir a subversão opõem-se a qualquer ordem erigida pelos valores. O leal acredita no sagrado, na força da união, e com razão, até hoje todas as grandes civilizações foram religiosas. O leal conserva o respeito à hierarquia social enquanto o liberal luta, e lutará eternamente pela utopia, pela liberdade individual e pela igualdade social. O liberal acredita no mito primitivo de que o homem é bom, na crença ingénua no progresso uniforme e continuo que conduz à utopia revolucionária do paraíso sem classes onde todos os homens são iguais e vivem somente no prazer. O leal sabe que o homem precisa de se aperfeiçoar pois tem uma natureza pecaminosa. O liberal defende um regime que garanta os vícios o leal vive para as virtudes. O liberal acredita na boa sorte, o leal na providência. O leitor caso se identifique com o homem leal é sem dúvida um contra-revolucionário, caso tenha simpatia pelo homem liberal, defensor da política da nossa degeneração, assume então a sua condição de revolucionário. Não esquecer que a revolução é a negação da evolução, o resto são puras especulações.

quarta-feira, 18 de Março de 2009

Mestres da Contra-Revolução


Muitos pensadores de elevada reputação foram enterrados no lodo cultural esquerdista actualmente em moda. Este trabalho serve para que não sejam esquecidos alguns nomes de prestígio ligados à filosofia tradicionalista, o mesmo é dizer, ao pensamento da Contra-Revolução. A riqueza dos pensamentos dos autores que se seguem é soberba, porém só terá acesso a esse conhecimento quem souber ler outras línguas para além do português. Num tempo em que a ignorância é um tema central e a imbecilidade propositadamente fomentada é urgente a absorção do conhecimento legado por estes nobres resistentes. Infelizmente a verdade ainda não está ao alcance de todos e a liberdade é só para alguns, para os mesmos do costume: quem vence guerras constrói as verdades à sua medida.

Edmund Burke (1729-1797)

Joseph de Maistre (1753-1821)

Louis de Bonald (1754-1840)

Pierre-Simon Ballanche (1776 - 1847)

Juan Donoso Cortés (1809-1853)

Charles Maurras (1868 -1952)


Edmund Burke (1729-1797), filósofo irlandês com vasta obra publicada, ignorado nas faculdades portuguesas e mesmo nos melhores dicionários de filosofia tal como outros de igual gabarito, chegou a ser membro no parlamento inglês sendo um dos primeiros grandes contra-revolucionários. Pouco crente nas liberdades apregoadas pelos revolucionários mas crente em Deus, destacou-se na oposição à Revolução Francesa defendendo a Velha Ordem Tradicional em oposição à Nova Ordem Maçónica então emergente. Usando a reductio ad absurdum na sua argumentação viria a demonstrar o absurdo do ateísmo racionalista e recorrendo a poderosa argumentação viria também a atacar os iluministas Denis Diderot e Immanuel Kant. Criticou ainda o Contrato Social de Jean-Jacques Rousseau justificando que a sociedade é um contrato mas não só entre aqueles que estão vivos, é um contrato com os que estão vivos mas também com aqueles que já morreram e com aqueles que estão para nascer. Mantendo-se fiel aos velhos princípios destacou-se ainda pelo apoio a causas impopulares. Burke ergueu-se contra a ideia abstracta e metafísica dos direitos do homem, defendeu, em vez disso, a tradição nacional pois os direitos dos homens repousam no património derivado dos seus ancestrais. Face às atrocidades cometidas pelos excessos liberais e pela repugnante anarquia em marcha Burke desejava restaurar o Antigo Regime. A sua obra representa um verdadeiro manifesto do pensamento conservador.

Joseph de Maistre (1753-1821) filósofo, advogado e diplomata francês de grande influência nos meios conservadores, defensor da monarquia hereditária que considerava divina, combateu da forma que lhe foi possível os programas políticos racionalistas que se impuseram na altura da Revolução Francesa. Em 1789 rebentou o primeiro grande golpe maçónico e foi dado à luz o Reino do Terror mergulhando no colapso social e económico toda a hierarquia e autoridade divina instituída. Maistre, educado como se julga por Jesuítas, glorificou a providência de Deus, criticou o filósofo renascentista Francis Bacon e foi considerado um pai do conservadorismo europeu.

Louis de Bonald (1754-1840), brilhante filósofo e político francês horrorizado com os princípios da Revolução Francesa, foi um líder do poder teocrático sustentado pela escola tradicional. Defendia a origem divina da linguagem “o homem pensa o seu discurso antes de proferir o seu pensamento”, e defendia também a divina origem, a suprema autoridade das Sagradas Escrituras e a infalibilidade da Igreja de Roma.
Citação: "Onde todos os homens querem dominar com vontades iguais e forças desiguais, é necessário que um único homem domine ou todos se destruam".

Pierre-Simon Ballanche (1776 - 1847) foi um filósofo contra-revolucionário francês, marcado pelos horrores da Revolução, que elaborou a famosa teoria do progresso e também uma teoria da linguagem.

Juan Donoso Cortés (1809-1853), teórico político cujas ideias tiveram enorme influência nos séculos XIX e XX. A sua reacção contra o Iluminismo e contra a Revolução Francesa deixou obras de notável preciosidade. Para Donoso os seres humanos são essencialmente e naturalmente depravados, corruptos e irracionais, desta forma a civilização só pode ser preservada através da imposição de um poder divinamente legitimado com base em dogmas e em mecanismos repressivos. Entende que a verdade é revelada ao homem por Deus e quando se discute demasiado apenas se abre a porta à dúvida, à confusão e se prepara o terreno para o socialismo cujo fim último é a anarquia. Danoso defende que a legitimidade de um regime não é baseada na hereditariedade mas sim na capacidade repressiva, a autoridade é vista como sinónimo de infalibilidade. As ideias de Donoso dominaram na Igreja até ao Concílio Vaticano II, em 1965. Crítico feroz do liberalismo influenciou o teórico político nacionalista alemão Carl Schmitt. O seu princípio da infalibilidade da autoridade teria ressonâncias significativas em vários regimes autoritários. Essencial no seu pensamento é o elevado sentido de justiça, defendia que o crime não deveria nunca ficar impune ou ser tolerado, a justiça, a autoridade e a ordem deveriam sempre ser preservadas. Sustentava que a violência que promove o mal deve ser combatida com a violência que promove o bem. Uma vez que os seres humanas são moralmente depravados justifica-se a imposição de regras morais perfeitas para toda a humanidade. O pensamento de Donoso combina a perspectiva escatológica de Santo Agostinho com os ciclos históricos de Vico e com o processo dialéctico de Hegel. Donoso previu no seu tempo a tirania socialista e não se enganou, falta ainda esperar pelo desfecho final do pesadelo revolucionário. Previu também que se travaria uma luta de morte, pelo controlo das sociedades e das almas, entre o catolicismo e o socialismo, entre a civilização católica e a civilização filosófica saída do iluminismo. Donoso Cortés deixou uma vasta obra publicada, contudo nenhuma vertida para português.

Charles Maurras (1868 -1952), grande pensador da direita nacional francesa, a extensão das suas profundas meditações políticas influenciaram o Dr. Salazar. Defensor de um sustentável nacionalismo integral, acreditava numa sociedade melhor, ordenada e elitista, longe da anarquia oferecida pelo liberalismo dominante. Apoiante de peso da monarquia e da Igreja Católica lutou energicamente contra a decadência que assolava a Europa já no seu tempo. Encontrou inspiração nas leituras do famoso historiador francês Hippolyte Taine. A grandeza herdada das raízes clássicas romanas e desenvolvida, por "quarenta reis que fizeram a França em mil anos" teve o seu fim trágico, em 1789, por uma revolta, uma obra negativa e destrutiva. Para Maurras o declínio europeu deve-se ao resultado previsível e nefasto do triunfo do Iluminismo e da Reforma Protestante. A culpa está definida no clube "Anti-França", protagonizado por "quatro estados confederados de Protestantes, Judeus, Maçons e Estrangeiros". O individualismo germinado na Renascença culminou numa insustentabilidade social. Os indivíduos foram colocados à frente da nação tendo como consequência que o primado do interesse individual sobre o bem-comum conduziu ao colapso dos estados-nação. A Igreja Católica deveria ser apoiada porque estava intimamente ligada com a história Francesa e porque a sua estrutura hierárquica e distinta elite clerical eram para si o espelho de uma sociedade ideal. A Igreja Católica devia ser apoiada pois mantinha a nação francesa unida. Maurras foi um fecundo escritor político cujas obras não encontram tradução em português.

Bibliografia:
Thomas Molnar, A Contra Revolução, Edições Roger Delraux,1980.
Wikipedia

quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Reviver a Idade Média, a Idade da Fé


O humanista Petrarca alcunhou de Idade Média o período de aproximadamente dez séculos que se estende desde a queda de Roma em 476, assinalando a destruição do Império Romano do Ocidente, até à queda de Constantinopla em 1453, terminando assim o Império Romano do Oriente. O termo Idade Média, cunhado pelos seus detractores, encerra em si um sentido pejorativo, assim, preferimos tratar esse nobre período, de cultivo da excelência e da ordem, por Idade da Fé ou Idade da Luz. Apesar da vida difícil não podemos considerar que fosse uma época inculta ou selvagem, pelo contrário, foi a época da cavalaria, do feudalismo e acima de tudo, da espiritualidade cristã, os disciplinados monges desbravaram a Europa, que estava densamente florestada, e moldaram as actuais paisagens. A sociedade desenvolveu-se organizada em pirâmide, tendo no topo os senhores da Igreja, depois os homens da guerra e, por fim, todos os que dependiam dos senhores feudais. Ricos ou pobres, todos estavam unidos pela fé cristã sustentada no Livro da Escritura Sagrada, a Bíblia, a Palavra de Deus. Acreditavam que, por amor, Deus enviou o seu filho Jesus Cristo para salvar a humanidade do Mal, da Culpa e da Morte. Inteligentemente, também acreditavam que o diabo existe e que não pára de tentar os homens a fazer o mal. A Igreja, como solução para o Mal, detinha grande poder e respeito.


O medievo engloba dois períodos: A Alta Idade Média, do século V até aos séculos XII ou XIII, que é caracterizada pela invasão dos povos bárbaros, pela reconquista cristã, implantação do feudalismo, as cruzadas e início das monarquias absolutas; a Baixa Idade Média, desde o século XIII até ao século XV, onde se destaca o término da reconquista espanhola, a guerra dos Cem Anos entre a Inglaterra e a França, predomínio das monarquias absolutas, e a queda de Constantinopla que marca o seu fim.


Profundamente influente no pensamento medieval foi o brilhante filósofo latino, autor da magnífica Cidade de Deus, o bispo Santo Agostinho que deixou o legado de uma tripla herança: um ideal cultural exprimido numa imagem bíblica; uma síntese doutrinal baseada na interioridade; e uma orientação filosófica onde a fé cristã não elimina a inteligência.


Copiando Santo Antão no Deserto, que foi o primeiro cristão a adoptar um estilo de vida solitário, surge o mosteiro, local de oração e trabalho das comunidades de monges ou freiras, como um refúgio propício à actividade do espírito.


No século VI, o filósofo cristão Boécio, grande pensador medieval, foi chamado «o último romano, o primeiro escolástico», e o misterioso Pseudo-Dionísio, ou S. Dionísio o Areopagita, fez entrar no mundo latino do século VI o neoplatismo do filósofo pagão Proclo.


Fundamental para a edificação da superior cultura europeia foi Carlos Magno, rei dos Francos, rei dos Lombardos, e ainda o primeiro Imperador do Sacro Império Romano, que compreendeu que não se restauraria o Império Romano sem restaurar as letras. Para o efeito contrata no século IX o monge Alcuíno que sonha construir em França uma nova Atenas. O Império viria a ser desintegrado em 1806, em consequência das investidas do imperador Napoleão ao serviço da maçonaria. Contudo, sobreviveria ainda até à sua dissolução final, em 1918, provocada pela Primeira Guerra Mundial.


Subtil e profundo, o filósofo João Escoto Eriúgena potencía a Renascença Filosófica no século IX preferindo os gregos aos latinos «que olham as coisas com mais penetração e delas falam com mais precisão». O centro do seu pensamento é a natureza humana e a inquestionável dignidade do homem. Segue o ideal agostiniano da fé em busca da inteligência e ensina que a ignorância conduz à condenação enquanto o conhecimento à salvação. Segue o ideal platónico onde o instrumento que permite progredir na marcha para a luz é a dialéctica, que era entendida como arte divina.


Construir uma Igreja era fazer uma oferta a Deus, logo, surgiram construções de inúmeras catedrais. No século XI aparece uma nova arte religiosa a que se dá o nome de românica, mas logo no século seguinte nasceu a arte gótica. A catedral, que simboliza o impulso da fé, precipita-se céus adentro e abre-se à luz. É a casa do povo. Pessoas de todas as profissões participam na sua construção. Os pintores inspirados pelo supremo bem representavam nas suas obras um universo ideal.


Santo Anselmo, magnífico produto da cultura monástica do século XI estabeleceu no seu Proslogion o famoso «argumento ontológico»: «Deus é tal que não se pode pensar num ser maior.» A obra de Anselmo atinge uma enorme perfeição revelando-se o fruto maduro da cultura monástica.


É ainda na valência da Igreja de Roma que se fundam as primeiras universidades, que se criam as Ordens Mendicantes dos Dominicanos e dos Franciscanos, abre-se o contacto à filosofia árabe e descobre-se Aristóteles. Cerca de 1100 algumas nações europeias cresciam cada vez mais fortes, estáveis e prósperas. Fundavam-se universidades, a construção de Igrejas florescia e as cidades aumentavam em tamanho e importância. A escola de Chartres e a escola de S. Vítor são, no século XII, grandes centros de actividade filosófica e literária. Das primordiais universidades destacam-se a Universidade de Oxford com predilecção pelas ciências da Natureza e a Universidade de Paris inclinada para a lógica.


No século XIII, distinguem-se S. Boaventura (1221-1274), S. Tomás de Aquino (1225-1274) e Siger de Bravante. S. Tomás de Aquino, entregando-se profundamente à metafísica, à ética e à filosofia do espírito, áreas da filosofia onde era mestre, ensinou-nos as virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade; que a usura é maldade, que a magia é possível com a ajuda de demónios, e também que a guerra se justifica pela luta contra o pecado ou quando está em causa o Bem. Hoje em dia, Aquino é pouco lido por filósofos profissionais, estes preferem o racionalismo e o empirismo que são pilares liberais, e mesmo nos círculos eclesiásticos perdeu reputação após o Concílio Vaticano II. Roger Bacon (1210-1292) lança-se na ciência experimental, mas, esta ciência deve servir para esclarecer o sentido da Sagrada Escritura. O filósofo radicalista franciscano inglês Guilherme de Ockham rompe com a grande tradição dos pensadores cristãos ao criticar o “realismo”, onde o universal é uma realidade completamente distinta dos indivíduos concretamente existentes, potenciando o triunfo do nominalismo escancarou as portas a toda a modernidade anticlericalista futura. Para Ockham o Universal não é uma realidade mas apenas um sinal de uma pluralidade de coisas singulares. Neste seguimento de raciocínio Ockham foi ao ponto de escrever: «Não se pode saber com evidência se Deus existe».


Durante o período em que a Europa esteve unida pela fé, a Filosofia, a procura do conhecimento, esteve fundida com a Teologia, a Doutrina Sagrada. Assim que as duas vertentes do saber se separaram, a Europa cristã divinamente unida em torno do ideal da fé em busca de inteligência, entrou em decadência e das suas cinzas germinou o Renascimento e a Reforma individualista que antecipa a Revolução dos liberais. A Idade Média deu à sociedade três tipos de escolas: as escolas monásticas, as escolas urbanas e as universidades. Construíram-se majestosas catedrais sem o auxílio das máquinas derivadas da Revolução Industrial. Aqueles que pensam que os medievais não gozavam do prazer da música desenganem-se. Os homens da Idade Média gostavam de música, e esta acompanhava tanto as festas populares como as cerimónias religiosas. O poder da música foi ainda utilizado para unificar, quer países, quer os homens. É ainda na Idade Média que em Portugal, no ano de 1415, se dá início à expansão marítima, acontece a invenção da imprensa tipográfica por Gutenberg, precedida pelo aparecimento do papel, e a cultura fica ao alcance de todos os que soubessem ler.


Com o declínio da filosofia escolástica, na Renascença, perdeu-se a importância do estudo das disposições humanas que só seria redescoberta no século XX, mas já não seria segundo a perspectiva do bem mas sim de acordo com o prazer e a utilidade que são tópicos de excelência do liberalismo.


Bibliografia:

Anthony Kenny, São Tomás de Aquino, Publicações Dom Quixote, 1981.

Édouard Jeauneau, História Breve da Filosofia Medieval, Editorial Verbo, 1968.

segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 - Lisboa, 30 de novembro de 1935)


Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

Miguel de Unamuno, Mais uma Voz Contra a Modernidade

Das ruínas da Idade Média, que assinalam a derrocada do mundo tradicional, soltou-se a iniquidade, morreu a vida eterna, ressuscitou a obscuridade assente no elemento temporal, e surgiu tudo o que é moderno. A decadência e a revolta contra a ordem cedo marcaram o destino trágico a que a Europa fundada na Igreja de Roma está condenada. O espírito da superior civilização europeia, guiado pela sublime santidade da entrega incondicional à cruz, ficou irremediavelmente perdido. A actualidade, com todos os seus horrores, não deixa de ser o prenúncio do verdadeiro inferno na Terra. Mas, por entre as trevas há sempre uma estrela que nos aponta o caminho, uma dessas luzes, que o homem moderno, e agora o caótico ser pós-moderno controlado pelos media, desenraizado, sem desígnios e intelectualmente míope não consegue alcançar, é Miguel de Unamuno. Em 1912, nas vésperas da I Grande Guerra, o filósofo tradicionalista espanhol nosso irmão avança com a seguinte conclusão:

“Foi para descatolizar a Europa, que contribuíram o Renascimento, a Reforma e a Revolução, substituindo ao ideal de uma vida eterna ultraterrestre o ideal do progresso, da razão e da ciência. Ou, melhor, da Ciência com maiúscula. E o que mais conta hoje – a Cultura. Na segunda metade do século XIX, época infilosófica e tecnicista, dominada por míope especialismo e pelo materialismo histórico, esse ideal traduziu-se por uma obra de vulgarização em todos os sentidos da palavra – científico, ou antes, pseudocientífico, que se exibia nas bibliotecas democráticas baratas e sectárias. A ciência pretendia assim popularizar-se, como se a ela coubesse baixar-se até ao povo, servindo as paixões deste, em vez de o povo subir até ela, e a elevar-se, por ela, até novas e mais profundas aspirações. Tudo isto levou Brunetière a proclamar a bancarrota da ciência, e esta ciência – dê-se-lhe o nome que quiser – fez, com efeito, bancarrota. E como deixou de satisfazer, não deixámos de procurar a felicidade, sem a encontrarmos, nem na riqueza, nem no saber, nem no poder, nem no gozo, nem na resignação, nem na consciência moral, nem na cultura. E veio o pessimismo. Também o progressismo não satisfazia.” (Miguel de Unamuno, Do Sentimento Trágico da Vida.)

sábado, 20 de Dezembro de 2008

A Psicanálise de Jesus, Terapia para a Modernidade


Desde os tempos mais remotos que os homens se aperceberam de que nem todas as doenças têm uma explicação física, muitas causas de enorme sofrimento têm origem na mente. Reconheceu-se desde cedo que o corpo e a mente são dois mundos distintos, como tal merecem ser compreendidos de forma diferenciada. No período neolítico existia o ritual do deus moribundo para a expurgação dos males. Este ritual representava o rei-deus que tinha de morrer para que um homem mais jovem e vigoroso viesse a governar e a assegurar a fertilidade da terra. O tema central da morte e ressurreição, de encarceramento e libertação, é a chave regeneradora que torna a vida mais suportável pois liberta as pessoas do seu sofrimento psicológico. As sociedades antigas tendiam a expurgar os seus males através de sacrifícios e da figura do bode expiatório. Desta forma as pessoas purificavam-se, porém, alguns desgraçados eram carregados com os males e pecados da comunidade e banidos para longe dos companheiros e familiares. Era uma forma cruel de devolver o equilíbrio à comunidade. Ainda assim, muitos membros marginais da sociedade, os desajustados, tais como os vagabundos ou os criminosos, desejavam essa ocasião, pois reclamavam para si o papel de bode expiatório que precisa ser expelido. Estes infelizes, na sua dolorosa punição, viam almejada a libertação dos seus tormentos: frustrações, remorsos, sentimentos de culpa fundamentados ou não. Através do voluntário sofrimento corporal, recomendado ainda hoje por várias tendências terapêuticas, se conclui que é mais fácil suportar as punições vindas do exterior do que enfrentar as tendências autodestruidoras internas. Para o psicanalista Anton Ehrenzweig «o “criminoso” não conseguiu levar a cabo a sua própria rendição social por não estar seguro da aceitação da sua pessoa por parte da mãe. É por isso que ele se afasta voluntariamente do corpo social (o útero da sociedade) e como um fora-da-lei provoca tendências para expelir e fragmentar que se encontram latentes dentro da sociedade». A forma primitiva de libertação estava ligada ao sofrimento.

Posteriormente, já na Antiguidade Clássica, se dá um salto significativo com a representação, na arena, da tragédia. A tragédia grega, que descende directamente do ritual neolítico do deus moribundo, substitui o bode expiatório real anterior por um bode expiatório ficticio. Através da representação trágica se desenvolve uma forte emoção de compaixão para com a figura heróica, normalmente martirizada durante o espectáculo. O resultado é uma eficaz terapia que funciona originando a catarse. Aqui, o herói, o homem nobre, perece de forma violenta para poder triunfar, é a lei da vida. Na mitologia grega o deus Dionísio, com os seus membros dilacerados, é também o deus moribundo, representa a autodestruição e o renascimento do espírito criador na sua forma mais pungente. Aristóteles, na Poética, dá-nos a sua definição de tragédia: “A tragédia é a imitação de uma acção elevada e completa, dotada de extensão, numa linguagem embelezada por formas diferentes em cada uma das suas partes, que se serve da acção e não da narração e que, por meio da compaixão e do temor, provoca a purificação (katharsis) [catarse] de tais paixões.” Sabe-se que “enquanto o mal persistir na mente, esta estará ocupada apenas em processar queixas, desolações, angustias, frustrações, complexos de culpa, mágoas, ódios, raivas, decepções, desânimos e depressões.” diz-nos Lauro Trevisan.

Na Palestina, os judeus para conservar a justiça e evitar a acumulação de sentimentos negativos de revolta e de vingança mantinham a lei de talião, olho por olho dente por dente. Praticavam também a purificação através de sacrifícios oferecidos a Deus pela absolvição dos seus pecados.

O salto gigantesco para a cura da mente dá-se com Jesus, o sábio dos sábios, que compreendeu como ninguém os mistérios da existência humana. O Nazareno trouxe o consolo aos sofredores não através do sofrimento como era prática corrente, mas sim através do amor. A sua cirurgia operava-se na mente dos enfermos de forma eficiente e eficaz instantaneamente. Bastava um simples toque, uma ou duas palavras. A angústia de viver com o peso de alguma insatisfação e ainda as naturais más disposições de carácter provocam danos na mente que se alastram ao corpo. Jesus curava as pessoas porque as libertava dos seus sentimentos de culpa e lhes dava uma nova perspectiva, positiva, sobre a vida. Não raras vezes, a solução está no arrependimento e na mudança de atitude, no perdão e no verdadeiro amor reside a fórmula milagrosa que tudo torna possível, que todas as barreiras ultrapassa. A libertação do sofrimento é possível através do perdão que só o amor permite e desta forma se abre o caminho para a felicidade, para a alegria e para a paz de espírito. Nos mandamentos de Jesus poderemos constatar e fórmula milagrosa: “Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei"; "Ama o próximo como a ti mesmo". Tudo é possível mas não esquecendo a fé, a mente só pode ser curada pela crença de que há uma força que cura. A força que cura é o próprio Deus que se fez homem a fim de redimir os nossos pecados. Jesus suporta ainda na cruz o peso dos males de cada homem. Desta forma o homem de hoje crente em Deus e no seu filho Jesus mediante o arrependimento pode ver-se livre do fardo que lhe tolhe o espírito e lhe imobiliza o corpo porque tem garantido o perdão divino. Segundo Lauro Trevisan “a atitude curativa do Mestre baseava-se em seis pontos: acolhimento, compaixão, misericórdia, escuta, diálogo de ligação empática, acção directa curadora.”. O método de Jesus só não funcionaria se o enfermo duvidasse, se fosse incrédulo, mas, uma vez, sendo a fé forte o método era infalível.

Há contudo a reter que a novidade do amor e do perdão são complementos à Lei Natural herdada do Antigo Testamento, a Justiça não pode ser descurada. Jesus veio aperfeiçoar os mandamentos antigos e não eliminá-los. Foi nestes alicerces divínos que a Idade da Fé construiu uma Europa poderosa, exemplo de civilização para o mundo inteiro até ao seu desmoronamento no século XVIII.

A Idade Moderna, após os primeiros impactos do Renascimento e a tentativa de regresso ao passado pagão e judaizante, com a inculcação da tolerância lançou as sementes da discórdia. Assim, o perdão e o arrependimento que estavam em harmonia com a ordem natural foram progressivamente sendo substituídos pela tolerância ao mal. Mas, o cume da aberração moral não era ainda aqui. O caminho para a vitória da Besta ficará completamente livre com o relativismo forjado no século XX. Esta pérola moral, engendrada por Einstein, louvada por todas as correntes revolucionárias, viria a triunfar amplamente e a produzir uma noção de bem e mal totalmente subvertida pelos diferentes pontos de vista e pelas múltiplas perspectivas. De lamentar que a tolerância, usada como arma de arremesso para destruir a Civilização Europeia, não tenha encontrado a mínima oposição nem sequer nos meios ditos conservadores. Cruzando os braços perante o mal, pois a tolerância e o relativismo não permitem qualquer oposição ao erro e estão religiosamente protegidos por poderosos interesses internacionais, a sociedade caminha desgovernada para um eminente caos.

Para resolver os problemas mentais trazidos pela modernidade emerge Sigmund Freud (1856-1939) do lamaçal intelectual florescente na sua época como salvação para uma humanidade perdida no pântano revolucionário do século XIX. Freud a fim de tratar a mente descobre que esta tem uma região profunda chamada inconsciente onde é guardada toda a vida negativa do indivíduo. A tese central para o sucesso era sustentada pela ideia de que uma vez revelado o objecto negativo submergido nas profundidades dos processos psicológicos, descoberto o trauma que causa a enfermidade, o mal que reside oculto, o doente fica curado. Assim, na tentativa de alcançar o subconsciente surgiu a psicanálise da qual Freud é o percursor. A sua finalidade é laborar para deixar a descoberto o objecto causador de sofrimento que se encontra no inconsciente. Contudo esta finalidade, que tem vários métodos, como a hipnose, a regressão da memória, a associação de ideias, de sonhos, de símbolos, a análise das palavras etc., nem sempre se revela eficaz e os tratamentos são geralmente longos e muito dispendiosos. A psicanálise busca a resposta para os problemas que afligem as pessoas com causa no passado. Entende-se que na infância se formaram os traumas que inibem a vida alegre. A causa do mal enraizada no inconsciente é incansavelmente procurada. O padecimento advém de um qualquer trauma do passado muitas vezes com origem na infância.

Em ambiente de desordem e penúria moral, bem visível em toda a parte, o homem actual vê-se acorrentado a uma pura cultura do instinto de morte e a uma mediocridade instituída da qual não se pode ver livre e perante a qual é totalmente impotente. Desta forma a sociedade é ela própria geradora de complicados distúrbios mentais sustentados pelo reforço da desvalorização narcísica e da culpabilidade. O indivíduo está mergulhado num mar de fantasias e impedido de realizar os seus planos e projectos naturais. Um dos problemas da “sociedade fraterna” moderna é que tipicamente assenta a culpa das maleitas no próprio doente e na sua família, o deprimido é culpado da sua inadaptação ao meio ambiente, culpado das injustiças de que é vítima e motivo de zombaria pelos outros. Como tal, nunca se questiona a funcionalidade e a sustentabilidade da sociedade em mudança pelas correntes sociológicas de inspiração marxista. A sociedade liberal é apresentada como a melhor das sociedades possíveis, contudo as consequências mentais oriundas de tais teorias antinaturais está bem visível no número sempre crescente de pessoas abatidas pelos distúrbios mentais.

Os sacerdotes da escola positiva, esse exército cada vez mais numeroso dos psi…, alertam até à exaustão para as mágoas, para os processos de ódio, para a inimizade, rancor, vingança, etc., dizendo que esses ingredientes prejudicam a mente e fazem mal ao corpo. Mas, poucos se preocupam em corrigir a sociedade, poucos se preocupam com o tenebroso rumo à anarquia. É claro que o egoísmo e a inveja são pecados capitais e todos deles temos um pouco. Porém, quem estiver atento verifica que a sociedade liberal atiça a inveja e fomenta o egoísmo, pois é disso mesmo que ela se alimenta. A sociedade liberal que nos cerca está longe de promover a harmonia, a paz de espírito, o enquadramento do ser no seu habitat natural. A sociedade liberal do Mundo Ocidental, negando toda a tradição escolástica que levou a Europa à cabeça do mundo, cuja arte barroca é disso exemplo, faz o inverso: desconstrói, desordena, desenquadra, confunde, ilude.

Outra falácia da psicologia moderna é a sua demanda para nos aproximar do mundo infantil. Dizem-nos que é benéfico imitar as crianças, pois as crianças unem-se facilmente às outras pessoas, são simples, transparentes, brincam com crianças brancas, pretas, pobres, ricas, ignorantes, bem-educadas, não alimentam raivas, nem ódios. Para os acólitos de Freud o problema a combater é a maturidade do homem experiente. A infantilização passou a ser a palavra de ordem para a transformação social. Os resultados estão a verificar-se trágicos, pois só a visão adulta, firme pela experiência da vida, permite a continuação da humanidade. A responsabilidade, a capacidade criadora está no homem maduro e não na criança indefesa. As fantasias, essas sim, são próprias das crianças, que podem ser muito bonitas, mas a fantasia é sempre uma ilusão, um erro, quando a realidade inevitavelmente surge revelam-se um verdadeiro pesadelo. Outra falácia é o ensinamento de que o pensamento positivo resolve todos os problemes, tudo está bem, dizem-nos os seguidores do imobilismo, basta a imaginação, o paciente deve ser optimista. Porém, o homem experiente sabe que o mundo só evolui com a acção.

Ainda outro problema da psicologia é a concepção do indivíduo como um ser em si, desprovido de um fim, deslocado de uma missão para a sua vida, vazio e sem projectos. A negação de um fim para o homem lança-o inevitavelmente num amargo vazio interior que produz todo o tipo de frustrações. Assistimos amargurados à tragédia da não inserção do homem em família e ao desmembramento familiar incentivado por todas as correntes liberais.

No auge do Barroco, a ordem estava presente em todos os aspectos da vida. A música era vista como um mecanismo de comprazimento com repercussões mentais altamente satisfatórias. Anton Ehrenzweig fala-nos da música Bach e dos seus efeitos positivos: “Na música de Bach a atenção pode alternar livremente entre os modos focalizados e não-focalizados o que causa conforto, a suave oscilação da percepção permitem uma espécie de ginástica mental que é imensamente de salutar para o ego. O funcionamento mental consciente e o inconsciente são integrados harmoniosamente de forma singular, não há um rompimento mútuo violento como acontece na música moderna”. O mesmo se passa com respeito à música do seu contemporâneo, o sacerdote António Vivaldi. Mas a ordem, odiada pelos revolucionários, viria a sofrer a grande derrota com a vitória da Revolução Francesa. A desconstrução passou a ser a meta para os lunáticos das amplas liberdades e das utópicas igualdades, e o mito da igualdade na sociedade dita moderna conduziu ao fenómeno das pessoas desenraizadas, um sinistro sintoma de moléstia social. A desordem liberal fabrica doentes mentais em quantidades industriais, “Provas actualíssimas indicam que os divórcios têm um efeito devastador, pois é difícil aceitar que realmente o afecto acabou. As pessoas divorciadas acusam índices mais elevados de cancro, doenças cardíacas, pneumonias, tensão arterial e morte por acidentes do que as pessoas casadas, solteiras ou viúvas.” (Jesus o Grande Psicanalista).

O psiquiatra António Coimbra de Matos admite que “a depressividade é uma situação comum nos nossos dias: em que o mito da potência fálica (a não distinção entre sexos) se choca com a não menos mítica fraterna igualdade (a não distinção de gerações).” (A Depressão, pág. 179). As teses liberais, provadamente falhadas, cuja sociedade caótica é o produto final da sua acção, estão na origem de um mundo cada vez mais louco. Até quando?!

Olhemos para o que a moderna psiquiatria nos ensina, nas palavras de António Coimbra de Matos: “Quando o indivíduo não se sente amado, deprime-se. [...] Mas do amor também se constituem reservas. E a maior reserva amorosa forma-se na infância, pelo amor que os pais dedicam aos filhos. Se esta reserva não foi constituida ou é pequena, o indivíduo tem necessidade constante de ser amado e deprime-se em face da mais leve perda de amor ou da sua mais curta ausência. E só um forte amor osterior o poderá curar dessa carência. E se não obtém o amor que tanto precisa, as saídas psicopatológicas possíveis são: a) depressão; b) o investimento narcísico ilusório, a frandiosidade maníaca (ou os seus derivados compensatórios: o exibicionismo das personalidades narcísicas ou a representação de um papel das personalidades histéricas); c) a regressão-compensação oral: bulimia, toxicomania, alcoolismo; d) a regressão-compensação anal: pelo aumento das posses – bens, dinheiro, colecções, etc.; e) o agir sexual, preenchendo com sexo o que não recebeu e não recebe em amor; f) a revolta e a delinquência; g) a construção delirante.[...] Só um verdadeiro amor, uma paixão, seja ela na vida ou na relação analítica, pode fazer uma renovação do sentir conduzindo a um renascimento do ser.” (A Depressão, pág. 240)

“Na análise [sessão de psicanálise] tudo se pode dizer sem vergonha e tudo se pode sentir sem pudor, assim como tudo se pode pensar sem culpa, medo ou sensação de ridículo. E é esta liberdade – quando atingida, porque vencidas as resistências – que dá ao processo analítico a dimensão da experiência extraordinária, que sai dos moldes do quotidiano, do ordinário. Neste sentido, o processo analítico ou a experiência analítica é idêntica à experiência amorosa” (A Depressão, pág. 243). A Igreja de Roma já tinha chegado a esta conclusão hà vinte séculos atrás com o estabelecimento do sacramento da penitência.

Bibliografia:
Anton Ehrenzweig, A Ordem Oculta da Arte, 1967.
António Coimbra de Matos, A Depressão, Climepsi Editores, 2001.
Aristóteles, Poética,
Lauro Trevisan, Jesus o Grande Psicanalista, 2006.

terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

História Pura: João Ameal, Ideia da Europa


Anteriormente ao golpe maçónico de 1974, a cultura portuguesa pautava-se pelos mais elevados padrões de rigor e de excelência com a finalidade de, através da honestidade, a evolução de Portugal e do Mundo se processar de forma natural. Assim, gozamos ainda da possibilidade, uma vez fartos da penosa mediocridade contemporânea, de alimentar o espírito e procurar a verdade nas obras que passaram à clandestinidade. Na pesquisa dos autores banidos deparei-me com o notável, historiador, escritor e político, João Ameal através de uma das suas obras: Ideia da Europa.

João Ameal (1902-1982) viria a encorpar o chamado "Grupo dos Cinco" que, mantendo-se fiel a D. Manuel II, criou a Acção Realista Portuguesa. João Ameal, antes de alinhar na Acção Escolar Vanguarda, integrou também na organização nacional-sindicalista de Rolão Preto. Colaborando no Estado Novo viria no entanto a desiludir-se com Salazar acabando por se afastar da política activa.

Lendo este admirável texto, de forma simples e com o prazer de um romance, se fica a conhecer a História da Civilização Europeia. João Ameal aponta-nos a riqueza do que herdamos dos nossos heróis do passado, numa altura em que os valores contavam: “Fé, convívio, trabalho – principais características do património europeu” (pág. 13). Sublinho a sua nota sobre os gregos: “Os gregos representam o tipo exemplar do que se pode chamar o homem mediterrânico – dotado de viva inteligência, de fértil imaginação, de pronta iniciativa, de fluência verbal, tão apto ao jogo das ideias como ao dos negócios, audaz, aventuroso, artista” (pág. 21). De realçar também a comparação entre os povos da Grécia e os de Roma: “Enquanto o Grego era dispersivo, falador, indolente, mitómano, volúvel – o Romano é laborioso, tenaz, conciso, disciplinado, sofredor, prático. As qualidades que possui tornam-no em especial o melhor soldado da época – modelo de resistência, de persistência, de capacidade, de esforço, de espírito de sacrifício, de estoicismo patriótico, de acatamento da hierarquia. E acaba por vencer sempre.” (pág. 24-25). Vejamos ainda as bases da superioridade dos povos europeus derivada de uma fusão singular:
“A ideia da Europa [nasce no início do século VI] integra os seguintes valores essenciais:
Uma Filosofia, nascida na Grécia, ao mesmo tempo rigorosa e subtil, maleável e ordenada, introspectiva e objectiva, a constituir superior criação da inteligência humana;
Um Direito, nascido na Roma imperial das legiões e dos juristas, a espada a apoiar a lei, as instituições e as magistraturas, a garantir, na síntese de Valéry, «um poder organizador e estável»;
Uma Teologia, a de Cristo, que os apóstolos e doutores do Cristianismo propagaram, firmada no conceito de Deus uno, omnipotente e providencial, consolo para os que sofrem, estímulo para os que lutam, juiz para os que erram, libertador das velhas servidões e dos velhos erros; a doutrina do amor fraterno e da universal promessa de redenção;
Uma Aristocracia Militar, a dos Germanos, apoiada nos laços de sangue e na ética da Família e do Combate, que será a grande geradora das nações futuras.” (pág. 51).
Aqui fica apresentado um pouco da potencialidade desta obra que não tem o mínimo cunho marxista, pois é fruto de uma época onde a evolução era preferida à revolução.

Bibliografia:
João Ameal, Ideia da Europa, Companhia Nacional Editora, Lisboa, 1968
http://www.infopedia.pt/$joao-ameal

domingo, 9 de Novembro de 2008

Livros: Autores e Obras do Legitimismo



MARQUÊS DE PENALVA:

Dissertação a favor da Monarquia, onde se prova pela razão, autoridade e experiência ser este o melhor e mais justo de todos os governos e que os nossos Reis são os mais absolutos e legítimos Senhores dos seus Reinos, oferecido a Sua Alteza Real o Príncipe do Brasil nosso Senhor pelo Marquês de Penalva, Lisboa, Régia Oficina Tipográfica, 1799.

Dissertação sobre as Obrigações do Vassalo, Lisboa, Imprensa Régia, 1804 (reedição: Lisboa, Pro Domo, 1845).

“Carta de hum Vassalo Nobre ao seu Rey”, Investigador Portuguez, XXXVI, Junho de 1814 (reedição: Lisboa, Tiprographia Rollandiana, 1820).


JOSÉ AGOSTINHO DE MACEDO:

O segredo revelado ou manifestação do systema dos pedreiros livres, e illuminados, e sua influencia na fatal Revolução Franceza obra extrahida das memórias para a História do Jacobismo do Abbade Barruel, e publicada em portuguez para confusão dos impios, e cautela dos verdadeiros amigos da religião, e da pátria por José Agostinho de Macedo, I-III, Lisboa, Impressão Régia, 1810-1816.

Refutação dos principios methafysicos, e morais dos pedreiros livres illuminados, Lisboa, Impressão Régia, 1816.

O espectador portuguez jornal de litteratura e critica, 1-26, Lisboa, Impressão de Alcobia, 1816-1818.

Parecer sobre a maneira mais fácil, simples e exequivel da convocação das cortes geraes do reino no actual systema político da Monarchia representativa, e constitucional, Lisboa, Lacerdina, 1820.

Considerações politicas sobre o estado de decadencia de Portugal, e absoluta necessidade do seu remedio, trazido pela nova ordem do presente governo supremo, Lisboa, Imprensa Régia, 1820.

Manifesto à nação ou últimas palavras impressas de José Agostinho de Macedo, Lisboa,
Typographia de António Rodrigues Galhardo, 1822.

Mania das constituições, Lisboa, Na Typographia Maigrense, 1823.

A Tripa Virada, 1-3, Lisboa, Oficina da Horrorosa Conspiração, 1823.

Bazes eternas da constituição politica achadas na cartilha do Mestre Ignacio, Lisboa,
Impressão Rua Formosa, 1824.

Refutação methodica das chamadas bazes da Constituição politica da Monarquia Portugueza, Lisboa, s/l, 1824.

Cartas, Lisboa, Imprensa Régia, 1827.

A voz da justiça ou o desaforo punido, Lisboa, Imprensa Régia, 1827.

Censura do R. P.. José Agostinho de Macedo ao folheto intitulado cancioneiro patriotico ou systema das ideas liberaes, examinado, e refutado, Lisboa, Imprensa Régia, 1829.

A Besta Esfolada. Vinte cartas de não sei quem a outro que tal, Lisboa, Na Typografia de Bulhões, 1828-1831.

O Desengano. Periódico político e moral, 1-27, Lisboa, Impressão Régia, 1830-1831.


JOSÉ ACÚRCIO DAS NEVES:

Cartas de hum portuguez aos seus concidadãos sobre differentes objectos de utilidade geral e individual, Lisboa, Typographia de Simão Thaddeo Ferreira, 1822.

Continuação das cartas aos portuguezes. Seguem-se as que foram escriptas depois da restauração do Governo legitimo de S. Magestade, Lisboa, Typographia de Simão Thaddeo Ferreira, 1823 (ambos reeditados em: Obras Completas de José Acúrcio das Neves, VI, Porto,
Afrontamento, S/ data, pp. 29-190).


FREI FORTUNATO DE SÃO BOAVENTURA:

O Punhal dos Corcundas, 1-33, Lisboa, Oficina da Horrorosa Conspiração, 1823-1824.


RIBEIRO SARAIVA:


Traduction d'une lettre d'un individu a son ami, sur les affaires actuelles du Portugal, publiée par un ami de la légitimité et de la justice, Paris, Delaforest, 1828.

Eu não sou hum rebelde ou a questão de Portugal em toda a sua simplicidade offerecida aos políticos imparciaes e aos homens de boa fé, Lisboa, Impressão Silviana, 1828.

Cartas conspiradoras de A. R. Saraiva, London, Schulze, 1844.

Diario de Ribeiro Saraiva, I-II, Lisboa, Impressão Nacional, 1915-1917.

Em nome de Sua Magestade Fidelissima El Rei O Senhor Dom Miguel I, London, Schulze, s/data.

GOUVEIA PINTO:

Os caracteres da monarquia expostos em rezumo, para o fim de mostrar ao mesmo tempo a preferência que ella merece entre as mais fórmas de governo, Lisboa, Imprensa Régia, 1824 (reedição: Lisboa, Pro Domo, 1944).

Periódico para os Bons Realistas. Jornal histórico, político e noticioso, Lisboa, Imprensa
Silvana, 1828.


FAUSTINO DA MADRE DE DEUS:

A facção e a contemplação, Lisboa, Imprensa da Rua dos Fanqueiros, 1822.

A constituição de 1822 commentada e desenvolvida na pratica por Faustino José da Madre de Deos, Lisboa, Typographia Maigrense, 1823.

Epístola á Nação Franceza, na qual se demonstrarão os subsversivos principios das
constituições modernas, Lisboa, Imprensa Régia, 1823.

O combate dedicado ao Serenissimo Senhor D. Miguel, Infante de Portugal, ou a declaração e protesto das Cortes Extraordinarias combatido por Faustino José da Madre de Deos, Lisboa, Typographia de Antonio Rodrigues Galhardo, 1823.

Os povos e os reis: opuscuplo offerecido aos portuguezes, Lisboa, Imprensa Régia, 1825.

Justificação da dissidencia portugueza contra a Carta Constitucional, Lisboa, s/l, 1828.

Absurdos civis, politicos, e diplomaticos, Lisboa, Imprensa da Rua dos Fanqueiros, 1828.

Aviso aos meus concidadãos, Lisboa, Imprensa da Rua dos Fanqueiros, 1828.

A revolução e Portugal, Lisboa, Imprensa da Rua dos Fanqueiros, 1832.

O manifesto da facção revolucionária destruído inteiramente com suas próprias doutrinas e diplomas que allega, Lisboa, Imprensa Régia, 1832.


GAMA E CASTRO:

O Novo Príncipe ou o Espírito dos Governos Monárquicos, segunda edição revista e consideravelmente aumentada pelo Autor, Rio de Janeiro, J. Villeneuve e Comp., 1841 (publicado anonimamente).


OUTROS:

Abreu, Miguel António de Melo (1º Conde de Murça), Projecto para a Reforma da Lei Fundamental da Monarquia Portuguesa, ajustada ao génio, carácter, vúnicas alterações e acrescentos que a diversidade dos tempos e das circunstâncias persuadem, maiormente depois das grandes convulsões políticas que a referida nação tem padecido entre os anos de 1820 e 1827, Paris, 1828.

Andrade, Ayres Vicente de, Origem da Monarchia Luzitana. Vantagens que o Governo Monarchico Hereditario tem sobre Toda e Qualquer Outra Fórma de Governo, Lisboa, Nova Impressão Silviana, 1828.

Castro Mendonça, Somnambulismo do solitario da facecia, Lisboa, Typographia Patriotica, 1822.

Castro Mendonça, A facecia liberal e o enthusiasmo constitucional. Dialogo entre hum solitario e hum enthusiasta, Lisboa, Typographia Patriotica, 1822.

Sá, José Antonio de, Defeza dos direitos nacionaes e reaes da monarquia portugueza, I-II, Lisboa, Impressão Regia, 1816.

Santarém, Visconde de, Memórias e Alguns Documentos para a História e Teoria das Cortes
Gerais que em Portugal se Celebraram pelos Três Estados do Reino, I-II, ed. António Sardinha,
Lisboa, Imprensa de Portugal – Brasil, 1924.

sábado, 1 de Novembro de 2008

O Legitimismo: Faustino da Madre de Deus

O Legitimismo é uma corrente de pensamento político favorável à recuperação da situação legítima do absolutismo e à contra-revolução defendendo que a legitimidade do poder está no regime monárquico. Teve o seu auge durante as fatais investidas dos inimigos da ordem entre 1820 e 1934. O Absolutismo, em Portugal, vigorava desde o reinado de D. João II alcançando a máxima virilidade no século XVIII com D. José I. Após a invasão estrangeira, a partir de 1807, que desgraçou o país, e a Revolução Liberal de 1820 que jubilava com ela, fiéis defensores de Portugal se insurgiram contra o escândalo da traição. Nessa luta pela antiga ordem se bateram nobremente o Marquês de Penalva, José agostinho de Macedo, José Acúrcio das neves, Frei Fortunato de são Boaventura, Ribeiro Saraiva, Gouveia Pinto, Gama e Castro e o autor em abordagem, Faustino da Madre de Deus. A Monarquia, a Nobreza, o Tradicionalismo e Deus eram, no entender destes generais do pensamento, os pilares sagrados que permitiam a elevação para uma sociedade equilibrada e ordenada segundo princípios divinos.

Face à perversidade dos ímpios e o seu ódio aos realistas, estes não abandonaram de ânimo leve a sua luta pela defesa da tradição Lusitana: "Os realistas com tanta e tão louvável assiduidade têm pugnado, e pugnarão pela conservação da ordem", dizia Madre de Deus. E quem pensar que a defesa da velha ordem significava atentados à liberdade de expressão que se desengane: "homem algum tem direito, ou poder de impôr silêncio à razão de outro homem", diz-nos ainda Madre de Deus. Ao que parece o carácter dos lacaios da subversão não gozava de grande reputação, o que leva o autor a proferir que "entre os revolucionários da França, da Hespanha, de Portugal, e da Itália não aparece um homem de morigeração: os menos depravados erão avarentos, ou máos pagadores: tanto he certo, que as revoluções subversivas assentão na depravação de costumes; e esta todos sabem, que nasce do desprezo da boa educação". A vantagem dos liberais consiste, ontem como hoje, numa fortíssima demagogia que Madre de Deus tão bem identificou simplesmente de "dadivas e promessas (armas a que não sabe resistir a ignorância)", o ditado é antigo: com papas e bolos se enganam os tolos.

"Os Luzitanos em 1144 estavão constituidos em Corpo de Nação como consta de muitos documentos: e que daquela época por diante forão tratados e reconhecidos, em todo o mundo, com o nome de Nação Portugueza". O que permitiu esta união lusitana e a consequente vitória foi o espírito de Deus e a força do braço de D. Afonso Henriques. Nas causas das desgraças lusitanas no passado, o autor diagnostica a divisão, a traição.

Madre de Deus, conhecendo bem os preceitos liberais, olhava-os com enorme desconfiança pois previa que as suas intenções eram a destruição de todas as nações: "pertendem destruir as actuaes constituições para tornar a constituillos de novo; logo pertendem destruir as Nações". Quem olhar atentamente para o panorama político internacional, e para a sua tendência para o governo único mundial, dá toda a razão a este ilustre defensor da Monarquia hereditária. Ainda em relação às duvidosas e sinistras tolerâncias dá uma lição de lógica, que todos entendem sem dificuldade: “os amigos da ordem não devem tratar com indiferença doutrinas, das quais está dependente o socego publico: Aqueles que não querem distinguir as cousas; he porque as querem confundir, ou porque não fazem caso da confusão: qualquer destas acções he reprehensivel; e ambas criminosas sendo premeditadas; pois então não se encaminharão a fins bons e honestos; dirigem-se a perturbar a sociedade".

Para aqueles que misturam o cristianismo com o diabolismo liberal, Madre de Deus também tem uma palavra a dizer: “é muito indigno que [os liberais] chamem a Jesu Christo hum impostor, de que são testemunhas cento e milhares de pessoas, que o têm ouvido, em cujo número entro eu, e queirão apoiar os seus procedimentos na doutrina de Jesu Christo!”.

Segundo Madre de Deus os liberais não têm qualquer legitimidade para se apoderarem das nações: “Dai a cada hum o que he seu – he o principio geral de justiça, e base de toda a jurisprudencia: O que se adquire por meios reprovados não he de quem o adquirio, he daquelles a quem foi usurpado, ou extorquido: e he bem sabido, que as revoluções subversivas estão reprovadas por todas as nações do mundo civilisado: Esses meios não dão, nem podem dar ao usurpador direito de possuir as cousas usurpadas: taes meios sim dão posse, mas não o direito de possuir”. E continua a argumentar que “Se a posse dos usurpadores lhes desse direito sobre as cousas usurpadas, então teriam hoje os Mouros direito de dominar Portugal, porque o dominárão por usurpação”. Depois de desfeitas as confusões deixa ainda uma recomendação: “Obedecer a usurpadores só por evitar a própria destruição; só em quanto não há forças para reagir contra a usurpação”.

A tese principal que legitima a Monarquia Absoluta parte do pressuposto de que “a Nação é a collecção dos povos, e o Rei he a Nação personificada”. E logo, "os Reis de Portugal, em que a Nação está personificada, deverá exercitar estes três poderes [Executivo, Legislativo, Judicial] com a mesma authoridade com que a Nação os exercitaria se fosse hum Ente racional". E a fonte da desgraça dos povos advém logicamente da subversão: "o desprezo das leis he o cunho da decadencia das nações".

Portugal, tal como as outras nações europeias, ficou refém da hidra liberal algum tempo depois das primeiras invasões francesas, "a monstruosa Constituição de 1822 em vez de garantir (conforme os seus authores tinhão proclamado) a Monarquia Portugueza, propunha-se a destruir esta proveitosa instituição". Madre de Deus, inspirado divinamente alertava para o perigo: "que os povos nunca mais tornem a ser instrumentos do infernal império dos malvados liberaes".

As contradições liberais são astutamente desmontadas por Madre de Deus, em relação à Religião de Jesus Cristo afirma que "os liberaes a envolvem nas suas declamações, e trabalhão por apagar este Farol Sagrado construido para guiar os homens ao tremendo porto da Eternidade", e deixa um aviso de que “para que tudo seja obra da Materia, he necessario que a Materia seja infinitamente sabia e poderosa!!! mas qual he o homem, que pode conceber tão monstruosíssimos paradoxos?!...”, e remata para que não haja equivocos: “a razão convence-me da existência de hum Deos Author e Supremo Legislador do Universo”.

“Com effeito, não há hum só principio razoável pelo qual possa atacar-se a idéa da existência de Deos. Tão certos estão os mesmos inimigos da ordem da impossibilidade de suffocar, ou destruir esta idéa, que para os seus adeptos não desertarem espavoridos, sempre lhes fallão da gloria do Grande Architecto do Universo, que he Deos. Póde-se presumir, pelo que se tem visto, que elles tratem a existência de Deos com a mesma astúcia com que tratão a Religião e as monarquias: no seu alcorão está decretada a extinção dos sacerdotes e dos Reis; mas quando os liberaes fazem as revoluções proclamão a conservação da Religião e dos Monarcas! Assim também póde estar no seu systema de regeneração decretado o materilismo, e usarem aquelle preambulo por impostura; mas com esse mesmo procedimento provão, que reconhecem essa impostura necessária para não serem geralmente odiados e abandonados. Se eles proclamassem o atheismo quase todos os homens abominarião a maçonaria, e nunca ella tivera progredido tanto”. A ideia de que o sistema liberal é obra da maçonaria irreligiosa e satânica e que o antigo regime simboliza a ordem e a religião fica mais que provada neste pequeno opúsculo oferecido aos portugueses em 1825. Seguem-se alguns fragmentos de relevância para se perceber bem o pensamento de Faustino da Madre de Deus e para que o tempo não apague a verdade dos factos:

“Hum verdadeiro e desinteressado realista não pode deixar de ser amigo dos povos”.

“Eu pugno pela conservação da ordem, porque na conservação da ordem consiste a conservação dos meus semelhantes; e na conservação dos meus semelhantes está envolvida a minha própria conservação”.

“Para o comum dos homens, sempre os revolucionários hão-de ser abomináveis: sempre há-de haver milhares e milhões de homens, que se levantem com as armas na mão contra os inimigos da ordem: não por amor dos Monarcas, mas sim por amor das instituições nacionais”.

“Que homem há, que não lamente a perigosíssima posição dos Monarcas, que tem a desgraça de ver propagada nos seus Estados essa facção perversa?! Que homem há, que não verta lágrimas sobre os alcantilados precipícios, que cercão hum Rei sujeito a ser enganado por aquelles mesmos de quem se confia!!! Caluniado pelos indignos que o enganão!!! Ouvindo os conselhos de seus amigos e inimigos sem poder distinguir huns e outros, porque os Maçons não tem marca!!!

“Os Reis não são depravados, nem perversos: são heróes verdadeiros: não se affadigão, nem sacrificão por alguma recompensa; porque homem algum os póde recompensar: sacrificão-se e affadigão-se pela conservação e prosperidade dos povos”.

“O primeiro dever dos Soberanos he cuidar na conservação e prosperidade de seus vassallos; mas he evidente, que as revoluções subversivas se oppoem a essa prosperidade e conservação”.

“A voz do Presidente dos Estados Unidos ameaça a legitimidade dos governos”.

“Os inimigos da ordem são inimigos de Deos; porque Deos he o author e conservador de toda a ordem: A facção liberal ou maçónica foi produzida, segundo ella mesma declara, pelos Judeos, e propagada pelos obstinados que virão e não crerão os milagres de Jesu Christo! Esses desgraçados Judeos forão os instrumentos de que se sérvio o espírito das trevas para pôr em duvida os mysterios da Redempção; logo a facção liberal he agente das maquinações de Lúcifer; e logo he inimiga immediata das obras de Deos na Terra”.

“Deos fortalecerá os Portuguezes, e permitirá que sejão aquelles poucos escolhidos para extirpar a malvada facção maçónica, que por ser produção indirecta, e agente directo do espírito das Trevas, he inimiga jurada de Deos, dos Reis, e dos povos”.

Bibliografia:
Faustino da Madre de Deus, Os Povos e os Reis, Imprensa Régia, Lisboa, 1825.

segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

John Locke, Pai de Todos os Revolucionários


John Locke, filósofo inglês da Idade Moderna, exilado na Holanda, fugitivo à lei do seu país, em 1688, apoiou o príncipe holandês Guilherme de Orange na invasão de Inglaterra, a sua terra natal. O Rei inglês Jaime II foi afastado após ser derrotado pelas forças revoltosas burguesas. Esta primeira grande conquista do poder liberal ficou conhecida pela Revolução Gloriosa. Extremista, para a sua época, Locke foi uma espécie de motor das revoluções liberais, não suportava a ideia do direito divino dos reis, o governo, no seu entender, teria de ser forçosamente autorizado pelos governados. Este génio subversivo para além de apoiar a Revolução Inglesa, influenciaria ainda a Revolução Americana e deixou as sementes para a sanguinária Revolução Francesa.

Epíteto de patriarca liberal, Locke, gerador do liberalismo, na sua abordagem astuciosa sobre a tolerância foi fortemente influenciado pelo seu amigo, filho de judeus portugueses, Bento de Espinosa, o judeu excomungado favorável à tolerância de uma interpretação não-convencional da Bíblia e de um governo secular. Espinosa alimentava em si o ateísmo, pois agarrava-se à perspectiva panteísta sobre Deus. O panteísmo é a crença segundo a qual Deus é tudo e tudo é Deus. Na mesma linha de heterodoxia, Locke lança o isco de que a tolerância era o principal critério da verdadeira Igreja. Da Igreja Lockeana da religião liberal seguramente, de inspiração mais oriental que ocidental, não da Igreja Católica Apostólica Romana. Anticatólico, anticlerical, com uma costela presa ao judaísmo, Locke revela-se e questiona matreiramente assim: “Dais aos judeus casas e moradias privadas e recusais-lhes uma sinagoga?”. Esta é a tolerância venenosa do filósofo anti-realista redactor da famosa Carta Sobre a Tolerância, raiz de todos os conflitos europeus futuros, aquela que obriga um fruto são a acolher um ninho de larvas.

Um corpo cujos mecanismos de defesa se encontrem paralisados é um corpo enfermo é um corpo condenado à extinção. Um Estado cristão funciona como um corpo, se permitir no seu seio forças hostis acabará por ser destruído, tal como se veio a verificar posteriormente. Um Estado comunista também não tolera qualquer oposição. Um Estado Judaico também não tolera forças estranhas aos seus objectivos. Um Estado muçulmano também não permite as forças da distorção. Um Estado democrático não permite anti-democráticos e fascistas e hostiliza tradicionalistas e anti-liberais. Já quando se trata da ordem cristã se levantam as vozes diabólicas a exigir que se tolerem todos os seus inimigos. Escutemos as ordens malignas do tolerante Locke: "Que os eclesiásticos, que pretendem ser os sucessores dos Apóstolos e seguem os seus passos, deixem de lado os negócios políticos e se dediquem e consagrem unicamente à salvação das almas, com paz e modéstia!".

A partir daqui, com apoio neste sofisma, a tolerância apregoada por todos os revolucionários sem fronteiras será apenas mais um dogma liberal. Muitos cristãos caíram neste engodo e baixaram os braços na defesa firme do bem. Mas, logicamente os erros pagam-se, as consequências futuras seriam desastrosas. Na natureza, a tolerância não existe, ou é ou não é, não há o meio-termo. Tolerar significa pactuar com o mal, porque quando se trata do bem não é necessário tolerá-lo. Tolerar o mal é negar o bem, é conviver com Deus e com o Diabo, é procurar um caminho que nos pode trazer vantagens pessoais momentâneas mas impede o caminho para o Reino de Deus. Tolerar é corroborar o erro, é negar a verdade. Tolerar a mentira, igualar o desigual, libertar os instintos primários, eis aqui espelhada a tríade tenebrosa da sociedade contemporânea que ruma ao totalitarismo satânico. Um cristão que se diga tolerante representa uma ambiguidade, pois não se sabe que senhor serve. O cristão em vez de tolerar deve perdoar após o arrependimento e justa pena. A injustiça começa com a tolerância do mal. A prudência manda que se olhe a indiferença com cautela. Tolerância em demasia, diabo em alegria!

Na sua batalha contra a religião e contra a moral que lhe está inerente, e para legitimar o rebelde liberalismo, forja mais uma nova corrente filosófica: o empirismo. O empirismo define-se como a teoria que nega a existência de conhecimentos inatos, por conseguinte, no seu entender todo o nosso conhecimento procede da experiência, todo o conhecimento provém dos sentidos. Daqui se segue que anteriormente à experiência, o nosso entendimento é como uma página em branco em que nada está escrito. Mas, Locke vai ainda mais longe e defende que o nosso conhecimento é limitado, não pode ir além da experiência, só podemos ter a certeza acerca daquilo que os sentidos nos indicam. A consequência do empirismo é que não conhecemos o ser das coisas, conhecemos apenas aquilo que a experiência nos mostra, e a experiência só nos mostra um conjunto de qualidades sensíveis. Procura-se assim destruir a metafísica para atingir de morte o misticismo e consequentemente toda a moral natural transmitida por Deus ao homem. Que é isto senão a negação de Deus!? Porém, tolerando a incoerência, o precursor do empirismo defende a existência de Deus, pois este consegue entender que Deus é a causa última da nossa existência. Também cheio de intolerância diz ainda: “os que negam a existência de uma divindade não devem de maneira alguma tolerar-se”, pois “suprimida a crença em Deus tudo se desmorona”.

Ainda em terreno fértil de incongruências, a sua filosofia política sustentava o Direito Natural ou jusnaturalismo. Mas, sem espanto, os seus herdeiros, cegos do olho direito e colocando o olho esquerdo à luz do positivismo e do relativismo, nos séculos seguintes, acabariam por enterrar o Direito Natural, substituindo-o pelo Direito Positivo. No plano social congratulava-se com a perda de poder da Nobreza e com a ascensão da Burguesia ao poder. No plano religioso aponta a sua mira à Contra-Reforma e dispara contra tudo o que representa a Igreja de Roma. No plano político destaca-se pela apologia do execrável individualismo, do anti-natural liberalismo e da manhosa tolerância. No plano cultural entra em ruptura com os padrões da cristandade, engendra uma ética baseada na liberdade e igualdade, e exalta o hedonismo, a maximização do prazer, a procura do gozo imediato e individual. Segue-se, nas suas ideias revolucionárias, a separação entre a política e a religião cristã e de que nenhuma crença deve ser imposta. Exceptuando-se, claro está, a crença infundada na medíocre trindade Lockeana: Liberdade, Igualdade, Tolerância.

Segundo Locke todos os seres humanos são iguais e que a cada qual deverá ser permitido agir livremente desde que não prejudique nenhum outro. Porém, ao mesmo tempo que advogava que todos os homens são iguais defendia a escravatura, pois, só considerava como humanos os homens livres: “todo homem livre da Carolina deve ter absoluto poder e autoridade sobre os seus escravos negros seja qual for a sua opinião e religião”. O mito igualitário cai desta forma por terra, e a sua farsa tem tanta validade no séc. XVII assim como no séc. XXI, a igualdade liberal encontra paralelo na actualidade pois também os mais ricos detêm um poder em nada inferior aos reis absolutos, muitas vezes até é superior, pois não têm o poder divino a limitar a sua ambição, e os mais miseráveis dormem ao relento como no passado.

Beneficiando de um ambiente harmonioso e culturalmente superior que espelhava a Europa Barroca, Locke ainda respirava o ar puro da antiga ordem e tinha noção dos valores, como tal, defendia que o que importava no dever que Deus e a natureza impuseram ao homem é preservar a honra e a dignidade. Contudo, a sua queda para a redução, para a confusão, para a incompreensão da ordem universal e para o desprezo do todo é colossal. Na incipiente insipiência da religião liberal de fora fica a justiça e o amor que é valor supremo da cristandade.

Bibliografia:
AAVV, História da Filosofia, 2º volume, “Do Renascimento à Idade Moderna”, trad. Alberto Gomes, Ed. Edições 70, Lisboa, 1995.
KING, Peter J., Filósofos, trad. Fernanda Semedo, Ed. Editorial Estampa, Lisboa, 2004.
LOCKE, John, Carta sobre a Tolerância, Edições 70, Colecção Grandes Filósofos, 2008.

sexta-feira, 17 de Outubro de 2008

O Integralismo Lusitano

Um grupo de virtuosos rapazes, de sublime erudição, em 1914, forma o pujante e arrojado movimento político, denominado Integralismo Lusitano, para combater a República liberal e a Monarquia constitucional e, em prol da Monarquia orgânica, tradicionalista e anti-parlamentar. Hasteando a bandeira do Pelicano e unidos sacramente ao Catolicismo e à Monarquia, os seus geniais mentores, criticaram o constitucionalismo e, fervorosos de ideário patriótico, de amor às nossas tradições e aos costumes regionais, apelaram à batalha sem tréguas pela tradição e pela nação. A meta ideal era a recuperação da Realeza hereditária desgraçadamente perdida em 1834. O nacionalismo cristão germinando furtiferamente com estes nobres percursores, a saber: António Sardinha; Pequito Rebelo; Luís de Almeida Braga; Alberto Monsaraz e Hipólito Raposo, inspirou-se em Santo Isidoro de Sevilha e nas encíclicas papais de Leão XIII e Pio XI. Iluminados ainda pelo grande mestre da Contra-Revolução Charles Maurras, este corajoso grupo de reacção, de tendência concentradora, ou nacionalista, defendeu um regime anti-individualista, em ambiente jacobino assaz hostil, debaixo do terror da carbonária, numa hora em que as associações secretas e as forças revolucionárias dominavam e estavam comodamente instaladas à sombra do poder nubloso e anárquico da Primeira República.

Em nome dos Imortais Princípios, das exigências da ordem e da disciplina, sublinhando o primado dos deveres sobre os direitos e contra a República demagógica e desordeira se travou, assim, uma luta heróica, mas desigual, para restituir Portugal às suas instituições tradicionais. A amplitude da sua causa não mediu o tamanho dos inimigos, não excluiu a luta contra as plutocracias e o monstruoso regime capitalista. Para resgatar Portugal e restaurar a Monarquia era preciso secar as raízes da degeneração: no campo filosófico atacou-se a utopia de Jean-Jacques Rousseau que defendia que o homem era naturalmente bom; no campo político não passou despercebida a tirania pombalina sendo apontada como o primeiro golpe profundo na nossa constituição tradicional. À frente do programa integralista veio a necessidade de combater o demoliberalismo imposto pelas diversas forças revolucionárias. Renasce ainda a ideia corporativa que viria a ser utilizada pelo Estado Novo. O Colonialismo era visto como uma inevitabilidade, e apontado como a razão de Portugal, pois nele residia o segredo da nossa existência autónoma. O estado de espírito a que se apela é aquele que prefere a morte à desonra.

Foi com alegria que, em 1917, o Integralismo assistiu à ascensão ao poder do Dr. Sidónio Pais que seria mártir em 1919 vítima dos extremismos liberais. Alguns integralistas acabariam por ocupar lugares de destaque durante a administração Sidonista, embora, com elevação, mantendo um rumo político fiel aos seus princípios.

A fim de restaurar a Monarquia tradicional uma delegação Integralista partiu para Inglaterra na esperança de que Dom Manuel II, o Rei exilado, o aceitasse. Mas, o Rei apenas aceitaria uma Monarquia constitucional. Como tal, os integralistas desligaram-se da obediência ao Senhor Dom Manuel II e, em 1920, reconheceram no Príncipe Dom Duarte Nuno de Bragança, neto de El-Rei D. Miguel I, o legítimo herdeiro do Trono de Portugal.

A 28 de Maio de 1926 a República parlamentarista caiu de podre e os integralistas, intervindo no movimento vitorioso, perceberam que a Nação inteira, saturada do ambiente desordeiro e da oligarquia democrática, ansiava pela reposição dos valores tradicionalistas e olhava com desconfiança para os preceitos revolucionários. Em 1930 os integralistas regozijaram-se com o programa da União Nacional dirigido pelo Dr. Oliveira Salazar. Este programa foi de tal forma excepcional que teve também a vantagem de promover, com sucesso, a união monárquica. O Integralismo Lusitano viria a ser dissolvido em 1932, mas alegrando, apesar de tudo, os seus seguidores, pois havia o sentimento de que a sua missão estava cumprida. Portugal foi restituído às suas instituições tradicionais.

Publicações do Integralismo Lusitano:
Revista "Nação Portuguesa"
Jornal "A Monarquia"

Autores ligados ao Integralismo Lusitano:
Adriano Xavier Cordeiro
Afonso Lucas
Alberto Monsaraz
António José de Brito
António Sardinha
Domingos de Gusmão
Félix Correia
Hipólito Raposo
João do Amaral
José Pequito Rebelo
Luís de Almeida Braga
Paiva Couceiro
Rolão Preto
Rui Enes Ulrich

Bibliografia:
Leão Ramos Ascensão, O Integralismo Lusitano, Edições Gama, 1943.

Autores e Obras do Integralismo Lusitano aqui no Mente Vertical.

segunda-feira, 13 de Outubro de 2008

Metafísica do Mal - Esquema das Origens de Todo o Mal


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sábado, 4 de Outubro de 2008

Pós-Modernidade: Iniquidade


A época da antiguidade clássica foi superada pela época da luz cristã durante a Idade Média, com o advento do Renascimento sucedeu-se-lhe a época da modernidade, e agora o auge, o sonho humanista, o êxtase do liberalismo. De todas as catalogações possíveis para a contemporaneidade a que mais assenta na perfeição é a de época da iniquidade. Em todos os domínios, salvaguardando os avanços realmente notáveis no mundo da ciência, com os avanços tecnológicos à frente, o retrocesso civilizacional é uma infeliz realidade, o homem novo proclamado pelas correntes liberais não passa de um homem vazio, nulo, obtuso. É um homem frenético constantemente insatisfeito.

Em Portugal podemos assinalar como início da grande queda a década de setenta do século XX devido à vulnerabilidade perante toda a degradação vinda do exterior, às conturbações internas e à desmedida cobiça internacional. Tal como um navio à deriva, não poderíamos ter encalhado em pior ancoradouro, estamos rodeados pelo sinistro e pela bestialidade. Estaremos condenados a viver eternamente na imundice cultural onde a moral não tem espaço? Sabemos que nada é eterno, a não ser o verdadeiro e, viver de forma suína não parece que seja a verdade da natureza humana. Sabemos também que a racionalidade acabará por dominar a bestialidade, porém, a conjectura actual só nos pode premiar com as perspectivas mais pessimistas. A plutocracia instalada, afigurando-se como entidade supranacional, aparenta ter, efectivamente, o controlo quase total de tudo o que se passa na vida de todas as comunidades de metade do hemisfério norte.

O desconhecimento e negação dos valores espirituais reduz o homem a um ser pouco mais evoluído do que o primata que apenas se guia pelos instintos. É no uso pleno da racionalidade que o homem se destaca de outros animais. O tempo que vivemos, denominado pós-modernidade, resulta da tentativa de banir todas as virtudes espirituais, quer as inatas, quer as adquiridas pela suada evolução de geração em geração. Os seus delirantes correligionários quase o conseguiram, porém, e apesar do grande número de adeptos, o que é verdadeiro é eterno. Como tal, a tarefa dos fanáticos materialistas revelar-se-á impossível. Contudo, lastimavelmente, as consequências da hostilidade à axiologia religiosa, conjunto de valores sagrados, está bem patente, a degradação avança em todas as frentes. A humanidade desnorteada pela ausência de referências perdeu o sentido axiológico também na arte. A ideia do belo na arte relativizou-se e foi abandonada. Nega-se o belo artístico e segue-se o tosco. Aqueles que chafurdam na inactividade mental avançam alegres, com largos sorrisos nos lábios, do perfeito para o imperfeito. A sua passividade, perante o mal, faz lembrar as vacas que avançam calmas para o matadouro.

Na busca desenfreada do máximo de comodidades, o corpo do sujeito balofo relaxa-se, não se esforça, não atinge os desejáveis limites, não revela as suas máximas capacidades, deambula no ócio. Todavia, o espírito que o suporta não se realiza, não se manifesta, sente-se infeliz. Mas, apesar das evidências, com a finalidade de tornar o homem feliz no imobilismo e visando a maximização do prazer do corpo, toda a ordem moral ficou subordinada ao poder da corrupção e refém dos poderes mais diabólicos. Desta forma, há que fazer uma clara distinção entre os homens e as suas capacidades. Os homens exímios em nada se podem comparar aos desordeiros. Os primeiros simbolizam a vitalidade e esplendor do espírito, enquanto os segundos são representações da miséria humana, são a borra da sociedade. A arte, que anteriormente representava o divino, o supremo bem, a perfeição, e teve o seu apogeu no barroco, surge agora como expressão e revelação do demoníaco. O apelo à dispersão e à divisão é uma constante. Desnaturam-se os objectos representados. Por todo o lado é visível a ostentação gloriosa da deformação do que é característico e verdadeiro, pois, frequentemente as manifestações exteriores, as formas, não representam o conteúdo espiritual, não revelam a verdade. Sobressai o surreal, o falso.

Desde sempre que se usam símbolos como sinais, como referências, como que apontando um caminho. É hora, pois, de questionar: com estes símbolos actuais, com estes ícones desvirtuados, com estes ídolos perversos e com os sinais deles emanados que se pode colher, que podemos esperar?

Segundo o proeminente filósofo Hegel, que representa o ápice do idealismo alemão, “todas as paixões, o amor, a alegria, a cólera, o ódio, a piedade, a angustia, o medo, o respeito, a admiração, o sentimento de honra, o amor da glória, etc., podem invadir a nossa alma por força das representações que recebemos da arte”. Assim, depressa percebemos que conforme o meio ambiente, adequado ou não, o sujeito, reagindo em conformidade, se sentirá integrado e feliz, ou não. Entretanto triunfaram os talentos da obscenidade. Mestres e leigos, fãs da indisciplina dos instintos, afundaram-se nas obras débeis envoltas em vulgaridade, sempre disformes, com formas imprecisas e inadequadas. Este tipo de poluição artística empestou todo o espaço social não deixando o homem de mente sã respirar em ambiente decente. A mente, violada, dos cidadãos tem que inevitavelmente se traduzir em comportamentos desequilibrados e em corpos enfermos através dos processos de somatização.

A arte, forma nobre de manifestação do espírito, que tinha, até ao advento do liberalismo extremista e da vitória da tolerância sobre a justiça, a função de civilizar, de moralizar ou purificar, de disciplinar os instintos, passou a exercer precisamente objectivos opostos. A repetição fastidiosa do hórrido parece erva daninha, medra em todos os campos. O desmedido nascido da insubordinação às leis, da falta de regularidade, da não aplicação das regras da simetria, da desarmonia, de aspecto sempre monstruoso é amplamente utilizado. Neste contexto, de inapropriação da ideia de verdade com a forma revelada, ostentam-se vestuários, determinados pelo interior doentio dos indivíduos, afogados em propaganda depressiva, sem a mínima classe. Porém, a luta com classe é sempre preferível à abominável luta de classes. O indivíduo assemelha-se, ele próprio, a um farrapo vivo. Quem não se horroriza ao ver passar alguém que se veste com roupas duas vezes maiores do que o corpo!? Usar calças de cintura baixa e mostrar as cuecas, outrora impensável, é agora símbolo de modernismo. Bem trajar é também arte e, como em toda a arte, desfigurando-se a forma artística representa-se a incompatibilidade do conteúdo com a forma que o caracteriza, produz-se o grotesco, o caricato, o ridículo, e residindo no abjecto se abre a porta ao vil.

Desacordos e dissonâncias correspondem agora ao paradigma artístico que se inculca até nos organismos institucionais. Deformações, irregularidades, discordâncias desagradáveis entram-nos pelos olhos dentro por onde quer que se ande. Obras selváticas e desordenadas são a triste companhia do solitário homem citadino. É inegável a insatisfação das exigências espirituais que não encontram eco na arte rebelde da actualidade. Como se isso não bastasse, as obras dos tempos passados são tratadas pelos loucos da época actual com um desprezo incompreensível. Não obstante, a razão dos turistas não engana. Logo, estes, nos seus passeios, inclinam-se sempre para visitar as obras sacras, os monumentos antigos, todos procuram o centro histórico das cidades para satisfazer o espírito ávido de beleza.

O direito de sucessão dos valores herdados está ceifado pelos lunáticos defensores das tolerâncias. O ultraje do sagrado é a moda dos modernistas. Está feito o convite à ignorância. O caos pictórico impede o indivíduo de se concentrar devidamente, a razão é abafada pela ilusão, a vida real trocada pela vida robotizada. Sabendo-se que a ignorância causa o mal, é lamentável que se fomente a preguiça mental, pois por esta via não se poderá almejar grande futuro para as gerações vindouras. Só poderemos prever um futuro tenebroso para a nossa descendência. Inquestionavelmente, assistimos, atónitos e impávidos, a um organizado processo de desmoralização em curso. Tolera-se o banditismo em todas as suas formas, todos estão convencidos de que a corrupção se encontra, mesmo, institucionalizada. As pessoas estão já habituadas a que nada funcione de forma perfeita, e como tal, a injustiça é norma. O objectivo, calculado, para a desordem que choca as sensibilidades mais razoáveis é a manutenção, em permanência, da insatisfação das pessoas. Recorde-se a voz de Deus quando diz “nem só de pão vive o homem”. O homem precisa de alimentar o espírito, e os oportunistas, sabendo-o bem, extraem daí proveito. Assim, evita-se encher o espírito das pessoas para que, necessitadas e dependentes, se entreguem ao consumismo na esperança de obter algum conforto para as suas vidas vazias.

Dentro da maré negra que nos engolfa vem a promoção, entre inumeráveis males, do relativismo, do uniculturalismo disfarçado de multiculturalismo, do feminismo, do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Estranhamente apoia-se tudo aquilo que destrói a família e limita a continuação da vida humana. Alguém vê a imposição do multiculturalismo, ou tão-pouco a sua sugestão, em África!? Se mesmo aqueles que possuem culturas primitivas as querem conservar, porque motivo os que detêm culturas evoluídas as hão-de rejeitar? Ou vêm com o argumento imbecil, que em nome das igualdades universais e inquestionáveis, as culturas são todas iguais?

O homem honesto sente-se obrigado a viver na confusão e longe da paz vital não é possível qualquer sentimento de admiração pela produção artística em voga, pois, salta à vista a promoção da bestialidade. A serena interioridade, fundamental para o homem equilibrado, é constantemente violentada de forma repugnante. O espírito vê-se, assim, privado de liberdade quando busca o ideal. E como se isso não bastasse, procurar o ideal é desencorajado pelas marionetas revolucionárias, comandadas pelos espíritos de contradição, que apenas permitem a busca do primitivismo. Curiosamente, apesar dos homens, potencialmente civilizados, terem mergulhado no tribalismo, consegue-se ainda a proeza de lhes induzir a ideia de que são autónomos, que transpiram liberdade, não percebendo, estes, que as suas vontades estão diluídas nas massas e são limitadas ora pela vontade dos restantes pseudo-homens-livres ora pelo poder utopicamente igualitário mediocremente nivelador. O indivíduo tem, efectivamente, liberdade para se destruir, mas não tem liberdade para se realizar, para viver em serenidade. Tornou-se proibido servir a ordem, a interioridade do sujeito só se pode manifestar desde que não seja para defender o bem comum.

Acreditando na sapiência de Hegel que diz: “quando um homem vencido pela dor, a consegue exteriorizar, logo se sente aliviado, e o que mais o consola é a expressão da dor em palavras, cânticos, sons e figuras” podemos tentar imaginar, olhando para as aberrações exteriorizadas, que temos de suportar, às quais se chama arte moderna, o desespero, o oco, o desnorteamento, a infelicidade e a falta de esperança que domina tais “génios criadores”. Hegel, depois de diagnosticar que “têm sido defendidas e desculpadas as mais imorais representações artísticas” e isto no século XIX em plena modernidade, lembra que "a arte não existe para um pequeno círculo de algumas pessoas com instrução superior mas para o conjunto da nação como tal". A pós-modernidade, desprezando o interesse colectivo, age ao contrário premiando o egoísmo e a inveja, ou seja: o fanatismo pelo ego e o indesejável individualismo.

No topo do incrível pesadelo dissemina-se como uma praga a ”arte urbana” a arte de intervenção. Os tenebrosos grafittis aparecem como mais valias, chega-se a dizer, mesmo por entidades responsáveis, que estes valorizam os espaços vazios e degradados. Mas, as negras consequências são uma realidade: a desvalorização das zonas degradadas e vandalizadas são uma calamidade social; as pessoas infelizes e com perturbações mentais são cada vez mais. O mundo louco da 7.ª arte ajuda à festa. O cinema é outra fonte que corrobora na lavagem cerebral em marcha a fim de que os cidadãos aceitem a mudança radical da sociedade e que ajam até contra os seus próprios interesses. Os infelizes alienados chegam ao cúmulo de chorar mais pelos destinos dos ícones do cinema, da música rock e outros tais, do que pelos seus próprios vizinhos ou familiares. Nas relações humanas está bem patente a diferença em relação ao passado e a indiferença pelo próximo, e como tal, a vida em sociedade não passa de um desastre. A falta de respeito e de educação, o oportunismo, a chantagem psicológica, a intrujice, a mentira, a provocação, o sarcasmo são o pão-nosso de cada dia.

O antídoto para este monstruoso tumor cultural é sem dúvida o classicismo, com a sua ordem e harmonia, juntamente com os valores tradicionais de justiça, honra, lealdade e amor. Escutemos o grande idealista Hegel: "se considera como clássica toda a obra de arte perfeita"; "a arte clássica não ultrapassa os limites do domínio puro do verdadeiro ideal" e “o ideal é a tranquilidade e a felicidade serena”. Mas, todo o tradicionalismo é implacavelmente perseguido, a televisão está na vanguarda da defesa dos interesses da tenebrosa nova ordem. A vida ilusória proporcionada pelo ecrã demoníaco sacraliza o obscuro futebol e as nojentas e diabólicas telenovelas. A ociosidade do espectador que se afunda no sofá, em frente à televisão, absorvendo cultura que já deu uvas mas que agora só produz nabos, não forma senão caracteres pusilânimes. Os homens dotados de profundidade e de riqueza moral são cada vez menos, as inteligências notáveis são desprezadas, e decreta-se o abrir caminho à existência medíocre e de limitados horizontes espirituais.

No ensino o apelo ao fácil é chocante. Entretêm-se os alunos, rouba-se-lhes a juventude, sem que adquiram competências garantes do seu sustento quanto mais mestria para a constituição de uma família. Nas escolas, a bandalheira não podia ser pior, os professores são achincalhados, não têm autoridade e ninguém lhes tem respeito e nem eles próprios já se dão ao respeito. Os melhores alunos vêem-se prejudicados pelos desordeiros que agora tem legitimidade para perturbar as aulas impunemente. Para agravar esta desastrosa situação, a mentalidade que corre entre professores é que o ensino público não tem a função de educar. Mas, ensinar também não parece a sua especialidade uma vez que a ampla tolerância, o facilitismo está de pedra e cal. Chega-se mesmo a apresentar com orgulho a meta das taxas de sucesso com 100% de aprovações. A factura da igualdade, que mais uma vez representa a falsidade e a mediocridade, terá um preço seguramente elevadíssimo.

Hegel afirmava, no século XIX, que “os jovens consideram uma desgraça a existência da família, da sociedade, do Estado, das leis, das ocupações profissionais”, porém, no século XX, todos estes juízos, frutos da deficiente formação, da fantasia e da inexperiência, são fomentados pelos mais ilustres intelectuais que povoam universidades e órgãos de informação. Como consequência, neste módico rectângulo de 92152 km2, onde seres humanos deambulam como cães abandonados, somos assombrados por desgraças que não enganam: 1 milhão de pessoas a padecer de depressão; o suicídio como oitava causa de morte; elevado número de famílias destruídas pelo flagelo da droga e do divórcio; baixa natalidade; violência cada vez mais cruel; cada vez mais desamparados e sem-abrigo. Cercado pela ambiência desonesta o cidadão recto não tem, muitas vezes, outra solução senão tornar-se ele próprio um transgressor também. E a mancha negra vai crescendo: o primitivismo, a selvajaria, a decomposição da sociedade, o esgotamento dos recursos e a incapacidade para gerar riqueza são uma triste realidade. Vivemos oprimidos pela subversão e pela aberração, regredimos para os tempos da grosseria e da barbárie. A minha geração é uma geração de desgraçados.

Bibliografia:
G.W.F. Hegel, Estética, tradução portuguesa de Álvaro Ribeiro e Orlando Vitorino, Guimarães Editores, Lisboa, 1993.

quinta-feira, 25 de Setembro de 2008

Grand Orient Freemasonry Unmasked de 1884

Merece destaque o seguinte comentário:

Saí de Portugal hà 20 anos atrás e fico triste com o que vai acontecendo em Portugal; copiando países estrangeiros não é evolução. Num país onde não há Deus não há civilização, e a melhor maneira de destruir religião é por começar a retirar pouco a pouco tudo ou todos os sinais (sejam estes nomes católicos, imagens ou maneira de adorar a Deus) para poder anular da mente da população qualquer vestígio de religião ou Deus. De uma maneira subtil o povo vai sendo manipulado através de gerações futuras até acabar na completa descentralização da religião da vida quotidiana e comum. O que está a acontecer em Portugal e no mundo inteiro já tinha sido previsto há mais de duzentos anos atrás; é o trabalho clandestino do mações livres. No livro "Grand Orient Masonry Unmasked as the secret power behind communism" escrito por Monsenhor George E. Dillon DD em 1884, este explica o plano diabólico dos mações livres. Neste livro, pessoas que saibam ler inglês podem adquiri-lo fazendo uma google pesquisa, a companhia chama-se one heart books.com, ele publica a Alta Vendita dos carbonari, uma sociedade secreta da Itália, a influência de Voltaire na revolução francesa e a consequente desmoralização do mundo. Eu sou católica e pesa-me muito ver Portugal seguir as passadas do "progresso" que no fundo não passa de uma ilusão com efeitos futuros devastadores. O tempo o dirá. A maçonaria é responsável pelo presente estado político do planeta; a corrupção abunda em todos os continentes; os homens de bom carácter são poucos e a norma de egoísmo está a tornar-se comum por todo o lado; lembrem-se do Império Romano, Grego, etc; todos eles atingiram o cimo de progresso e corrupção antes de se desmoronarem; havia aborto livre e divórcio na Roma Antiga, a liberdade de adorar deuses inumeroso, etc., mas não foi o suficiente para garantir o sucesso futuro da sua cultura. A juventude de hoje está em perigo, o seu futuro religioso e moral está nas mãos dos políticos poucos escrupulosos. Muita gente diz "Viva o Progresso!" e não realizam que tudo é relativo. Vou debaixo de anónimo mas o meu none é Néli.

sábado, 13 de Setembro de 2008

Posso ser Cristão e Liberal?

Do bafiento ditado popular “se não podes com eles junta-te a eles”, utilizado hoje a potes em tempo de seca, derivam consequências normalmente gravosas, pois a troco do acomodamento se rejeitam ideias e ideais que nos dão motivo à vida e são essenciais para o desenvolvimento humano. Se há situações onde a sua aplicação não se revela gravosa, outras há em que pelo contrário todos os valores da vida humana são desprezados comprometendo seriamente o futuro das gerações vindouras. Em nome da moderação calculada e do diálogo apressado, do comodismo, do cruzar de braços, dá-se o estado de fusão dos opostos originando-se uma terceira via, que não sendo uma coisa nem outra, se compara ao querer cozer batatas em água morna, mergulha a humanidade num agudo estado de insatisfação. Se misturarmos a água límpida com a água turva não é verdade que ficamos com ambas contaminadas? Das maiores desgraças obtidas por esta via, inglória, observamos o cristianismo em muitos sectores de mãos dadas com o seu rival liberalismo. A indiferença geral é tal que já nem se questiona a utilidade e a viabilidade da miscelânea liberal-cristã. É tudo entendido como normal, e passa esta infeliz mistura despercebida aos menos atentos. O cristão actual, aquele que recusa o tradicionalismo, orgulha-se de ser um liberal. Mas, sejamos lúcidos e questionemos: pode um cristão ser liberalista? Para responder a esta questão iremos apontar as grandes teses e preceitos quer de um quer de outro sistema.

A mentalidade religiosa na sua busca pelo absoluto reconhece-o como espírito. Assim, louva-se a transcendência, presta-se culto a Deus todo-poderoso, venera-se a sabedoria suprema, levanta-se o espírito de obediência. Esta obediência é visível em São Paulo que apela à subordinação: "que todos se submetam às autoridades públicas, pois não existe autoridade que não venha de Deus" (Rom 13,1). A felicidade no homem sensato é atingida pela actividade racional, o corpo é encarado como o cadáver dos vícios, existe somente como lugar de passagem, o verdadeiro fim do homem está para além dele. A vida terrestre é encarada como uma preparação para a vida eterna, a fim de salvar a alma o homem purifica-se, encaminha-se para o bem, contribuindo para o bem social. O interesse pelo colectivo é incentivado, a razão de viver é poder fazer algum bem, o bom é bem servir o seu próximo. Ensina São Paulo que "nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo" (Rom 14,7), e ainda que "ninguém procure o seu próprio interesse mas o dos outros" (1 Cor 10,24). Daqui resulta uma rigorosa preocupação pelos deveres e a exigência de uma sociedade organizada com base na autoridade.

O homem religioso procura a tranquilidade, primeiramente em retiro para descobrir a verdade na contemplação, depois vem naturalmente a teoria com vista à prática da acção eficaz. A acção eficaz é a boa acção, aquela que conduz à união, à prosperidade, à paz e ao amor. O homem contemplativo valoriza o mundo situado acima da natureza visível, valoriza, as boas vontades, as boas ideias. Da harmonia com o supremo bem, Deus, e com a natureza resulta a aceitação natural das diversas classes sociais. O universo é composto de muitas partes diferentes, de particulares diversos que todos juntos formam o uno, o todo coerente, a harmonia cósmica. O cristão repudia o egoísmo e a inveja, entende que o respeito das leis é um valor sagrado. A vitória sobre as paixões, a fascinação pela serenidade, a obediência à moral são motivo de orgulho para o homem religioso. Por natureza intrínseca o cristão fomenta a mentalidade produtora pois o valor do trabalho é inalienável, só assim será possível viver sem a abstenção dos bens essenciais, sem cultivar o parasitismo e criar excedentes para os mais necessitados que por várias razões se encontram incapacitados para produzir.

Na organização política da sociedade só há um caminho para a mentalidade obediente: a superioridade do Estado sobre o indivíduo, a ordem sobre o caos. O regime político ideal é a aristocracia onde os melhores governam, ou a monarquia onde o soberano representa a luz divina. Desta forma o ideal acontece quando a divindade toma o leme da nação, rumando para a ordem com base na justiça, materializada na figura de um soberano. A política é considerada um mal necessário, existe apenas para que o bem triunfe sobre o mal. O mérito do respeito pela hierarquia enche de alegria o coração do homem cumpridor, do homem que zela pelo seu dever. De longa data se sabe que do bem servir e de bem ser servido resulta a felicidade. O homem seguidor da justiça divina entende que os direitos conquistam-se pelo mérito, não podem ser comprados ou usurpados injustamente seja de que forma for. O cidadão adquire o estatuto de pessoa com direito ao reconhecimento das suas qualidades. O que lhe dá esse estatuto é precisamente o seguimento da razão que não se desvia do seu caminho natural. O natural é ser racional e a razão justifica a fé. Ninguém pode ser verdadeiramente feliz sem fé. O homem de fé usufrui da vantagem de não se deixar escravizar pelos vícios, é senhor de si, é verdadeiramente livre.

Da busca do bem como último fim para a vida advém a prevalência do divino sobre o animal, o primado da moral sobre os instintos, em termos freudianos: o superego sobre o id. A promoção da perfeição está sempre presente, a virtude é valorizada pois do dom e do esforço nasce a obra divina que alimenta o espírito. Quando o tema é a família, para que esta seja feliz e cumpra o seu objectivo, de acordo com a ordem natural, surge o culto do chefe de família entendido como a forma mais justa e próspera de organização do lar. São Paulo disse: "a cabeça de todo o homem é Cristo, a cabeça da mulher é o homem, e a cabeça de Cristo é Deus" (1 Cor 11,3). A natureza deu aos sexos diferentes caracteres e diferentes aptidões físicas, o cristão respeita as essenciais diferenças entre os sexos. Assim, para naturezas diferentes missões diferentes, este é um elementar princípio de justiça. A entrega do corpo, em intimidade ao outro, deve vir só depois de se celebrar o matrimónio e o adultério é vincadamente desincentivado, merecedor de punição, pois mina o contrato que se estabeleceu entre os parceiros e contraria a vontade de Deus.

Na economia a sua imagem de marca é o empréstimo sem juros. A Igreja católica sempre se opôs à incrementação dos juros. Enriquecer sem limites é um vício que deve ser banido, para além da cobiça desmedida provoca injustiças várias. A moral é um valor supremo, o homem racional a fim de bem coabitar com o seu semelhante não tem o direito de ser imoral ou amoral. Na questão da justiça defende-se a igualdade dos cidadãos perante a lei, preza-se o princípio da igualdade entre iguais e pratica-se a igualdade proporcional. A verdadeira igualdade consiste em dar mais àquele que merece mais. O cristão não nega a ciência nem o progresso, muito pelo contrário, o dinamismo, a insatisfação perante o sofrimento humano, a ânsia de fazer mais pelo próximo, e a inquietude perante a natureza caótica comprova isso mesmo. A ciência é um dom do Espírito Santo, a saber: “espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor” (Isaías 11, 2). Condena-se contudo o fanatismo científico que subordina o homem à ciência. O homem não deve ser escravo das máquinas. O cristão valoriza o comprovado, a herança dos seus antepassados, as verdades eternas, como tal, é tradicionalista.

Debrucemo-nos agora sobre o liberalismo na sua forma primitiva, cujas raízes se encontram no humanismo caracterizado pela forte contestação à autoridade da Igreja Romana durante o Renascimento, mas, que dá corpo a todas as formas de liberalismo futuro. O liberalismo terá duas ramificações fundamentais consideravelmente distintas: O liberalismo de tradição britânica, cujo mito correspondente é a liberdade, de rompimento moderado com a ordem, fundado no egoísmo, e o liberalismo de origem francesa, cujo mito que lhe corresponde é o da igualdade, jacobino, totalmente subversivo, extremista, inconsequente e sanguinário, fundado na inveja.

Com o advento da mentalidade liberal o bom será enriquecer sem limites, defende-se que o enriquecimento é o verdadeiro fim da vida humana. Aparece a concepção da riqueza como valor supremo. Entender-se-á que a felicidade é atingida no prazer proporcionado pela ampla liberdade individual. E surgem pérolas destas: “a sociedade económica está, até um certo ponto, acima das regras morais válidas para o indivíduo” (Henri Denis). Os fisiocratas, inspiradores do liberalismo, agarraram-se ferrenhamente ao preceito de liberdade, a liberdade nos fisiocratas tomará o carácter de um dogma. Começa aqui uma incompatibilidade com a religião: ou a moral ou a liberdade. Donde resulta que os fisiocratas virão a defender que a religião deve ser suprimida para facilitar a expansão do liberalismo económico.

O liberalismo nasce do primado do particular e do reconhecimento do particular apenas como matéria. De seguida considera-se que só existe o que é atingido pelos sentidos, procurando uma explicação da matéria na própria matéria. Louvam-se autores empiristas como David Hume, Bannot de Condillac e outros do mesmo calibre, que reduzem todo o conhecimento humano aos factos, ao sensível. O corpo eleva-se, sustentado nestas limitações, a um fim em si mesmo e toma o valor de absoluto. Daqui à fundamentação da subjectividade foi um passo, a subjectividade trará a novidade da valorização do indivíduo autónomo que exalta o “eu”, o egocentrismo florescerá. Como resultado o bem e o mal tornam-se turvos, aparecem relativizados, dependerão do ponto de vista individual. No que diz respeito à perspectiva política, a sociedade organizar-se-á com base na autonomia individual, a fim de ser garante das condições que favoreçam o prazer do homem emancipado. A política existe apenas para assegurar as liberdades individuais. E vem o lema: o individuo primeiro! Abandonando a moral, que condiciona a obtenção do prazer desregrado, e os deveres com ela relacionados surgem as obsessões com os direitos. Entendendo, os liberais, a vida terrestre como aquela que permite o cúmulo dos prazeres, fomenta-se o desrespeito pelas leis pois estas, juntamente com a moral, são um obstáculo à maximização do prazer. Para se servir a exaltação das paixões, e se cultivar a fascinação pelo prazer abolir-se-á a moral. Ao contrário do homem religioso que vive para a construção da sociedade ideal, o homem liberal alimentar-se-á da sociedade, o bem comum será desprezado.

Ao proclamar a superioridade do indivíduo sobre o Estado o liberalista abrirá a porta ao anarquismo, seja o anarquismo revolucionário do século XIX, seja o anarco-capitalismo dos nossos dias. O regime político ideal do liberalismo é a democracia, onde as maiorias escolhem os seus representantes. Valorizando-se a opinião do número se descarta assim o valor da razão. Porém, a oligarquia, que é o governo dos ricos, ou a anarquia estão sempre à espreita. O oligárquico já era é definido por Platão como um “ser imundo que de tudo tira proveito”. Como prova das suas insustentáveis incoerências, somos esmagados pela máxima da gloriosa conquista liberal, faceta relevante dos seus dogmas, que atribui direitos iguais a homens que são naturalmente diferentes. Ao cidadão é-lhe concedido estatuto de indivíduo, conta como um número, serve para eleger deputados e a sua cidadania fica por aí. Perante tudo isto será inevitável a promoção da decadência, pois o enriquecimento desregulado e os ataques à moral arrastam o homem para a desgraça, para o mais temível cenário de caos.

O homem liberal recusa intransigentemente qualquer divindade, toma por lema «o homem é a medida de todas as coisas», o homem surge agora ele próprio como um Deus, e vale tanto mais quanto maior a sua fortuna ou a sua impertinência. Ao contrário do cristão há, no homem liberal, uma prevalência do animal sobre o divino, o que importa é o corpo e os seus instintos, o discernimento e restantes faculdades intelectuais são menosprezadas. O pensar requer tempo e paz de espírito, longa meditação, mas o homem sempre apressado, de natureza irreverente, abominará a tranquilidade, entende-a como passividade. A nova ordenação familiar, trazida pelos fanáticos do lucro, produz a negação do chefe de família a troco dos pressupostos igualitários. Instala-se aquilo a que se virá a chamar a família democrática, ou seja, o desentendimento, a desordem, a violência doméstica, o desrespeito e o desnorteamento, conduzindo as famílias para a rotura. A turbulência no lar e a sua inviabilidade serão, pois, uma inevitabilidade. Desvalorizada a moral, o adultério quando não negligenciado será promovido, a troco do extremo prazer facilitar-se-á todas as promiscuidades.

Na vida económica descobre-se a fórmula mágica, o truque de emprestar dinheiro com lucro através de juros elevados. Para os liberais mais avançados a igualdade dos cidadãos perante a lei não será suficiente, como tal, mais tarde exigir-se-á a igualdade social. E, aqui, o mito da igualdade toma proporções incríveis. Alimentar-se-á da tendência para a igualdade desproporcional, que consiste em dar mais àquele que merece menos. Enquanto o liberal estará dotado de mentalidade revolucionária, de espírito de irreverência, presta culto a ídolos, não passando nunca da esfera da imanência, o cristão sustenta que a obrigação moral é uma manifestação da acção de Deus que nos manda fazer o bem e evitar o mal.

Os liberalistas do século XVIII entendem passar sem religião. Adam Smith, liberal de grande reputação, não esconde, afirmando-o, que “a estrada da fortuna e a da virtude são frequentemente opostas uma da outra”, porém nega-se categoricamente a via da rectidão, da excelência de carácter. A honra nunca simpatizou com o oportunismo, como tal, os liberais bem cedo trataram de a ceifar. Visando as amplas liberdade individuais apregoa-se a liberdade como condição de progresso, mas, por outro lado, esta liberdade desmedida é fonte de desigualdade social. Enquanto o liberal valoriza a extrema riqueza, o cristão tende a valorizar a sabedoria, a serenidade.

Um outro ídolo consagrado do liberalismo será Jeremy Bentham, fundador do utilitarismo, que defende “o útil deve ser o único critério da conduta humana e da legislação. Deve substituir inteiramente a noção de bem. Assim, a ciência substituirá inteiramente a moral e a religião”. Defende ainda que é necessário que a soma dos prazeres ou da felicidade seja tornada máxima, e que a única medida dos prazeres e das dores é o dinheiro. Henri Denis mostra-nos bem a mentalidade do homem que se quer alienar da sociedade a que pertence: “o homem distingue-se imediatamente do animal porque é consciente e quer ser livre”. Este conceito de liberdade é a liberdade dos instintos que se evadem da razão e a liberdade para se vigarizarem os homens uns aos outros. Enquanto que no cristão, o ser livre é o que se entende por livre-arbítrio, independência da razão em relação aos desejos, a liberdade disciplinada. São Paulo apregoava: “onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (2 Cor 3,17). A doutrina liberal defende uma concepção segundo a qual a liberdade humana consiste exclusivamente na possibilidade dada ao indivíduo de agir como entender em função do seu interesse pessoal, aqui se fundamenta a libertinagem. O interesse pessoal, é sabido, nunca coincide com o interesse colectivo mas mesmo assim o liberal avança cegamente para a sua alienação. “No fim do século XIX, as encíclicas sociais dos papas apoiaram-se na doutrina tomista [de São Tomás de Aquino] para condenar os socialismos e, ao mesmo tempo, os abusos do capitalismo”. A renitência em entender a existência de classes sociais é uma componente forte do liberalismo, daí que o combate à autoridade estatal, e futuramente a todo o tipo de autoridade, seja um ponto do seu programa. O desprezo pela moral, o exagerado interesse pessoal, a mentalidade consumidora instala-se com este homem que se auto-intitula moderno. Chegados a este ponto de situação, e ainda sem entramos nas teorias socialistas e comunistas que correspondem ao extremar do liberalismo, facilmente se evidenciam as enormes diferentes entre o homem tradicional que serve a ordem e o homem liberal que se alimenta da desordem. Os cristãos, e todos aqueles que buscam a união, que estejam alerta e escutem São Paulo quando diz: "cautela com os que provocam divisões e escândalos contra a doutrina que aprendestes" (Rom 16,17). A questão do divórcio, a questão do aborto, a questão da homossexualidade, prova bem o grau do extremismo liberal.

A grande tese liberal que continua na moda é a dos cidadãos livres e iguais tal como defende o filósofo político americano, extraordinariamente influente, John Rawls. Os seus partidários pretendem uma sociedade justa e estável de cidadãos livres e iguais que assegure os direitos e liberdades básicas dos cidadãos. Contudo, não há cidadãos que sejam livres e iguais, a imposição da igualdade torna os indivíduos escravos de um poder que não os deixa crescer espiritualmente. A liberdade faz com os indivíduos se diversifiquem, logo nunca poderão ser iguais. A premissa dos cidadãos livres e iguais não tem qualquer fundamento na ordem da natureza, é apenas um pressuposto, um dogma, uma crença. Todos os que se opõem ao liberalismo sabem que o homem só é livre se cumprir o seu dever. Outra grande tese é a da tolerância com vista à diversidade de doutrinas políticas, religiosas, filosóficas e morais. Esta tolerância apareceu para que não fosse possível a adopção de uma única verdade, serviu assim os propósitos das forças da divisão. A tolerância apareceu como grande inimiga do cristianismo na Europa, a fim de o enfraquecer. È a aplicação legitimada da velha máxima: dividir para reinar. A conclusão a que inevitavelmente se chega é que ser cristão e liberal acarreta em si um grande equívoco, uma enorme contradição. A cosmovisão ordenada cristã forma servidores e senhores, a intelectualidade liberal exploradores e escravos. Para obter escravos em número elevado, e de forma dissimulada, fomenta-se, através do facilitismo nos estabelecimentos de ensino, e das pirosices nos media, o embrutecimento das populações. Os liberais a fim de criar uma ordem social fazem fé nas leis económicas, os cristãos têm fé no supremo bem, as leis que seguem são mandamentos divinos. O liberalismo cresce com a competição desleal, com o desenrasque, com o improviso, porém em tal ambiente nunca se terá sossego e no meio de tanta corrupção e da recorrência à intrujice para se poder sobreviver o homem entra em autodestruição. Há cerca de dois mil anos atrás São Paulo dizia: “se vos mordeis e devorais uns aos outros, cuidado, não sejais consumidos uns pelos outros” (2 Gal 5,15).

O liberalista vai pelo caminho do laicismo, do naturalismo, do materialismo e do individualismo, visando a ruptura com todo o conservadorismo a fim de transformar a sociedade. O religioso opta pelo caminho do realismo, do idealismo, do altruísmo e do espiritualismo, respeitando a tradição. Na forma de organização laboral, no cristianismo surge a tendência para a corporação, no liberalismo a tendência para o sindicalismo. O liberalista nutre simpatia pelas revoluções enquanto o homem contemplativo que tudo busca na sua interioridade prefere a evolução natural. E, para não me alongar mais, enquanto o liberal tolera o cristão perdoa.

Bibliografia:
Henri Denis, História do Pensamento Económico, Livros Horizonte.
John Rawls, O Liberalismo Político, Editorial Presença, 1997.
São Paulo, Bíblia Sagrada, Cartas de São Paulo, Difusora Bíblica, Lisboa, 2001.

quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

A BÍBLIA

Merece publicação, com destaque, esta descrição da Bíblia deixada na caixa de comentários do post anterior, pelo Sr. Rui Barandas:


A Bíblia contém a mente de Deus, a condição do homem, o caminho da salvação,
a condenação dos pecadores, e a felicidade dos cristãos.
Suas doutrinas são santas, seus preceitos são justos,
suas histórias verdadeiras e suas decisões imutáveis.
Leia-a para ser sábio, creia nela para estar seguro e pratique-a para ser santo.
Ela contém luz para dirigi-lo, alimento para sustê-lo, e consolo para animá-lo.
È o mapa do viajante, o cajado do peregrino, a bússola do piloto,
a espada do soldado e o guia do cristão.
Por ela o paraíso é restaurado, os céus abertos e as portas do inferno descobertas.
Cristo é o seu grande tema, nosso bem o seu intento e a glória de Deus a sua finalidade.
Deve encher a mente, governar o coração e guiar os pés.
Leia-a lenta e frequentemente e em oração.
É uma mina de riqueza, um paraíso de glória e um rio de prazer.
É-lhe dada em vida, será aberta no dia do julgamento e lembrada para sempre.
Ela envolve a mais alta responsabilidade, recompensará o mais árduo labor
e condenará a todos quantos menosprezarem seu sagrado conteúdo.
A mesma está dividida em ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS
e os seus livros estão divididos em capítulos e versículos.
Para melhor se poder consultá-la, oriente-se pelos mesmos.
Por exemplo se está em dificulades leia o Salmo 16 que se encontra no Antigo Testamento.
Se está enfermo e em dor leia S.Tiago 5:14-15,
que quer dizer que deve abrir em S. Tiago no capítulo 5 e versículos 14 e 15 que diz
14- Está alguém entre vós doente?
Chame os presbíteros da Igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor
15 e a oração da fé salvará o doente, e o senhor o levantará;
e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados....
Quando oramos, nós falamos com Deus, mas quando lemos a Bílbia, Deus fala connosco.

quarta-feira, 27 de Agosto de 2008

O Estoicismo: Princípio e Fim


Do princípio de que a virtude constitui o bem supremo e de que a natureza é a medida de todas as coisas, funda, em Atenas, o filósofo helenista, Zenão de Cítia em 300 a.C. o estoicismo. O ambiente que o proporcionou enquadra-se no período helenístico resultante da profunda penetração de Alexandre o Grande em território asiático. O helenismo caracteriza-se pela mistura da Cultura Oriental com a Cultura Grega. Nas raízes do pensamento filosófico ocidental, o precursor desta nova corrente filosófica, que tem por sede o Pórtico, pois era aí que Zenão se reunia com os seus discípulos, encontrou a sua inspiração em distintos pensadores helénicos tais como Heraclito e Sócrates. Na continuidade do seu trabalho intelectual destacam-se os fiéis seguidores, Cleantes, Crísipo de Tarso, Panécio, Possidónio de Apameia, o advogado e político Séneca, o escravo Epicteto e o imperador Marco Aurélio. A justiça e o pensamento serão os dois grandes pilares que suportarão toda a arquitectura filosófica estóica cujo fim é a obtenção da felicidade.

Para além da matéria, o sábio estóico sabe que existe uma força espiritual a não negligenciar, assim, Deus é adorado como a alma e razão do mundo. A forma de agradar a este Deus, entendido também como ordem natural ou Zeus todo-poderoso autor da Natureza, que não necessita de ritos, sacrifícios, ou orações, é escutar a sua voz que se encontra no íntimo de cada homem. Desta forma, olhando à interioridade apela-se a uma procura contínua da erudição e do virtuosismo, pois é através da reflexão, envolta em serenidade, que o nobre estóico encontra as directrizes divinas que o tornam um melhor cidadão. Desta consciência introspectiva advém também a atitude sábia que permite ao homem harmonizar-se com o seu destino, pois como dirá Epicteto: “coisas há que dependem de nós, e outras há também que de nós não dependem”. Dando atenção ao lema «suporta e renuncia», o homem estóico é convidado a tudo fazer para dominar os seus instintos, experimentando assim as vantagens da paz de espírito. Da meditação sobre si mesmo vem o conhecimento de si próprio, quem se conhece a si próprio conhece melhor os outros porque a natureza é comum, e no ambiente contemplativo revela-se a nossa liberdade interior, a verdadeira liberdade. Ensina Marco Aurélio, o imperador filósofo: “se manténs autodomínio por meio da inteligência não sofres lesão, não sofres entrave”, e ainda “que tranquilidade e passo leve, que alegria e autodomínio se notam no homem que em tudo segue a razão”.

A virtude é necessária e suficiente para a felicidade, o seu segredo reside em viver conforme a natureza, como tal, só aqueles que respeitam as leis naturais fundadas na razão são livres. Todos os outros, os néscios, os homens vulgares que preferem o caminho do prazer, dos excessos, da irracionalidade estão condenados à escravatura, senão corporal seguramente espiritual, pois facilmente se deixam seduzir pelos mais decadentes vícios. O conceito de liberdade estóica recusa a sujeição da alma às paixões e à sorte diversa, ser livre é não ser escravo dos instintos primários e das inúmeras contingências a que o ser humano está exposto. Os afectos interiores são impulsos que alteram o equilíbrio e por outro lado são frequentemente dados a enganos e causa de dor, mas o sábio estóico dominá-los-á. O homem inteligente, sábio, prudente, tem sempre em mira a sua autonomia, procura alimentar-se apenas de si mesmo, e busca a imperturbabilidade da alma, a ataraxia. A vida atribulada não encontra eco no homem que se domina a si mesmo. O ideal da auto-suficiência tem um papel de destaque nesta filosofia prática cultivada pelo homem que valoriza a racionalidade evitando as sensações fortes e os prazeres corporais desmesurados.

Os estóicos dividiram a filosofia em três disciplinas principais: Lógica; Ética; Física. Ainda hoje a humanidade se regula pela lógica proposicional inventada pelos estóicos, mas já o mesmo não se pode dizer no que concerne à sua ética das virtudes que coincidia com a ética aristotélica, pois foi trocada, na modernidade, pela ética utilitarista que privilegia a quantidade em desfavor da qualidade. É facilmente compreensível esta mudança paradigmática, atendendo a que a moral estóica se tinha tornado um embaraço para o novo homem egocêntrico permanentemente insatisfeito. No que respeita à teoria do conhecimento, o sábio estóico recomenda um olhar às profundezas do nosso interior; o conhecimento não está fora de nós, o conhecimento vem de dentro. Escutemos o imperador filósofo Marco Aurélio: “a filosofia consiste em velar atentamente pelo deus interior”. Os ensinamentos estóicos apontavam para uma excelente adaptabilidade do homem ao meio ambiente. A sociabilidade era a sua prioridade, tudo o que o estóico se propunha a fazer visava o bem comum, a harmonia social, a equidade. Nos pensamentos do imperador romano pode ler-se o seguinte: “faça eu o que fizer, sozinho ou ajudado, devo sempre atender a este fim único: o que é útil à comunidade e vai de harmonia com ela”. A sabedoria estóica declara, sem complexos, o vício como o mal absoluto. E, por todos os meios, o tenta combater com a consciência plena de que é uma missão impossível, embora se cada um cumprir o seu dever, segurando-se ao rigor, se possam alcançar significativos progressos. A natureza tanto dá vida a vermes como a águias.

Entre os valores exercitados pelos estóicos enumeram-se: a justiça, o amor ao trabalho, a lealdade, a beneficência, a sinceridade, a coragem, a temperança, a cortesia, a serenidade imperturbável, a discrição, o carácter viril, a piedade, a vida simples, o encurtar necessidades, a franqueza, a rectidão de carácter, a disciplina, a independência, a benevolência, a família patriarcal, o amor à família, à verdade e ao bem.

O estoicismo terminou com a morte do imperador filósofo, no século II, ao que se seguiu o declínio do Império Romano. Mas, toda esta forma de pensar, que conduzia o homem para o bom relacionamento com os seus semelhantes, perdurou até ao apogeu da idade moderna. Após o instalar das novas ideias, que privilegiavam os interesses sectários, sobrepuseram-se os direitos privados. A mentalidade de servidão pública propugnada pelos sábios foi abruptamente ceifada, não sem antes dar alguns perigosos sinais, pela Revolução Francesa. Após o domínio da mentalidade liberal mais radical, o bem comum ficou irremediavelmente perdido, o individualismo revolucionário burguês era agora a medida para todas as coisas. Triunfou o egoísmo, medraram os patifes. Os ingratos, os invejosos e os insolentes rejubilaram e em pouco tempo toda a Europa ficou dominada pela nova peste vermelha. Estava aberta a porta para o caminho do salve-se quem puder. A lógica da serenidade, da paz de espírito, da razão, foi trocada pela lógica do desassossego, do frenesim, da competição, da irreflexão. Apesar de Montesquieu, o teórico da divisão de poderes, nutrir grande admiração pelos estóicos, reconhecendo que com eles as virtudes humanas foram elevadas ao seu ponto mais alto, não evitou o esmagamento dos ideais nobres pelos seus comparsas iluministas. Os fanáticos dos direitos atraiçoaram os guardiães dos deveres. A mediocridade ganhou terreno em todas as frentes. Marco Aurélio tinha alertado: “De duas uma: ou desordem, confusão, dispersão; ou união ordem e providência”. Após o século XVIII prevaleceu a primeira opção. Restam, porém, muitos indícios da sabedoria estóica no cristianismo.

Bibliografia:

Anthony KENNY, História Concisa da Filosofia Ocidental, trad. Desidério Murcho, Fernando Martinho, Maria José Figueiredo, Pedro Santos e Rui Cabral, Ed. Temas e Debates, Lisboa, 2ª edição, 2003.
Epictecto, Manual do Epictecto, Nova Vega
Marco Aurélio, Pensamentos, Relógio d´Água Editores
Rafael GAMBRA, História da Filosofia, trad. Fernanda Soares, Ed. Planeta Editora, Lisboa, 1993.

terça-feira, 26 de Agosto de 2008

Alexandre Soljenitsin: Expoente do Pensamento Cristão

Alexandre Soljenitsin, romancista, dramaturgo e historiador russo, nasceu em 1918 e morreu em 2008. A Igreja Ortodoxa Russa considera Soljenitsin como um expoente do pensamento cristão. Este destemido autor não se coibiu de divulgar ao mundo as atrocidades cometidas pelos comunistas soviéticos. Após a sua morte, milhares de pessoas prestaram-lhe homenagem e o mundo viu mediatizado o seu nome. Em Portugal estava devotado ao esquecimento sendo pouco conhecido do grande público. Paz à sua alma.

Obras do autor com tradução portuguesa aqui.

segunda-feira, 11 de Agosto de 2008

Alvin Plantinga

Alvin Plantinga, nascido em 1932, é considerado o maior filósofo cristão contemporâneo, demonstra em 5 passos lógicos a existência de Deus. Mais um génio pouco conhecido entre nós.
Página dedicada a Alvin Plantinga:

sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

O Livro que as Feministas Detestam: Kierkegaard - O Banquete

Soren Kierkegaard, pioneiro do existencialismo, nasceu em 1813, na Dinamarca. Acreditava que a angústia da existência, a percepção da existência e o constatar da insuficiente concepção racionalista conduzem-nos a Deus. Defendia que o homem só se completará na vivência religiosa pois é a única maneira de alcançar a felicidade. Para Kierkegaard a fé é a mais elevada paixão de todos os homens. Advogava que a existência precede a essência, aproximando-se, por esta via, da filosofia antiga e da escolástica. Cristão vigoroso mas crítico em relação à Igreja, considerava que esta com as suas práticas e ensino são a própria negação do verdadeiro cristianismo, entendia que a vida só pode ser compreendida olhando para trás, mas só pode ser vivida olhando para a frente. Fazendo uma pirueta filosófica opôs-se a todo o idealismo sem abandonar o mundo divino da transcendência.

No Antelóquio, de O Banquete, Kierkegaard enaltece a recordação, transparecendo que a vida sem recordações é vazia, formal, isenta de conteúdo e de gratificação. A recordação, privilégio do homem experiente, resulta de um limar de memórias, que adoçando a vida dos que gozam do poder da contemplação, permite o auge da felicidade na tranquilidade de uma postura serena. A memória é fundamental quer para guardar segredos quer para fazer reviver tempos que não voltam mas que foram únicos. Mesmo quando a idade nos rouba a memória, o essencial da vida permanece, a sabedoria é imortal. A solidão, longe da confusão dos ruídos próprios de cada época, é caminho recheado de actos de recordações e potência para futuras vivências proporcionadas pelo rememorar com o passado. O recanto do silêncio, retiro secreto pessoal é condição necessária para a vida feliz e fonte de inspiração ilimitada. Sejamos então espectadores de um Banquete de recordações e recomendações. Este poderoso manual, recheado de reflexões, é sem dúvida uma obra que faz pensar e, longe dos fantasmagóricos enredos proporcionados pela ficção, somos convidados a exercitar aquilo que de mais divino possuímos, a mente. Neste colóquio, roçando o sublime, se reúnem cinco distintas personagens: Johannes o Sedutor, Vítor Eremita, Constantino Constantius, e dois personagens secundários, o mancebo inexperiente e o alfaiate.

In Vino Veritas deixa revelar, de forma brilhantemente eloquente, as preocupações e as diversões destas fantásticas personagens criadas por um génio do pensamento, Kierkegaard. Não há vinho sem prazer, não há prazer sem sensação, recordação ou afirmação. As mulheres, ou a mulher, ocupam legitimamente ou ilegitimamente parte do cérebro do ser masculino desde tenra idade. Kierkegaard alicerçado em profunda reflexão deixa a nu tão misterioso e imprevisível ser: a mulher. Neste Banquete, de genialidade intelectual, qualquer jovem leitor se apoderará de conhecimentos, sobre o sexo feminino, que só um homem experiente e não preguiçoso na arte de pensar, se dá ao luxo de possuir. Esta conferência festiva, entre as várias entidades presentes, é um manual da vida e para a vida, revela o que o amor tem de cómico, de acessório, de superficial, de ilusório, de sofrimento e, por fim, de ridículo. As paixões são enganadoras, escravizam o homem a uma dependência da qual não pode sair vitorioso, são a castração da felicidade no pensamento livre. O amor que a alma tem de mais sublime é ofuscado pela ilusão, acabando por se exprimir, no acto sensível mais próprio de porcos que de homens.

Trágico na revelação, porém, mágico na dedução, este monumento filosófico, obra de arte de invulgar destreza, disseca a mulher mais pavoneante em sintonia com a moda mais actual como se fosse um imóvel cadáver pronto a revelar os meandros mais latentes aos ataques de um hábil bisturi nas mãos de um respeitado profissional. É ou não, afinal, a mulher o sexo fraco?
Durante a animada conversa, proporcionada por tão fecundo banquete, alguém afirma, possesso pela magia do vinho: “Limitar-me-ei a concentrar a minha alma para agradecer o único favor que me foi concedido: o de ter nascido homem e não mulher” (O Banquete, pag. 97). Remata ainda: “Ser mulher é já uma infelicidade; mas infelicidade maior é não ver essa infelicidade” (O Banquete, pag. 101). Poderemos colocar a arte da sedução feminina na reforma, depois de iluminadas reflexões neste banquete, à luz da profunda reflexão? A mulher, mesmo casada, pertence ao homem ou continua a pertencer à moda?

A mulher tem sem dúvida a capacidade de embebedar o homem com o seu encantamento natural, os deuses dotaram-na com essa propriedade alucinante. Afinal, homem e mulher nunca foram iguais, apesar das tentativas das modas ideológicas actuais, homem e mulher completam-se e é na diferença que está a beleza e a riqueza de tão instintiva relação. Igualar os sexos pondo-os a competir como se fossem dois robots apenas com leds de cor diferente, simulando pupilas artificias, é de uma violência extrema. A sua existência na diferença é uma obrigação da natureza, não há forma de enganar o determinismo natural nesta matéria. A essência é diferente e é uma condição necessária para a continuidade da espécie humana. Esta essência não choca com a existência, não retira qualquer liberdade a ambos os seres, esta essência pelo contrário, é a razão da vida, do sonho do sério e do bobo. Negar a diferença é estragar aquilo que a natureza, que essa inteligência que existe mas que não se vê, de mais lindo e perfeito fez num mundo caótico.

Kierkegaard é um filósofo da vida real, sem ilusões, preferindo um trágico real a um mágico irreal. A vida sabiamente vivida recusa o enterrar da cabeça na areia e fingir que não se vê aquilo que é inevitável ou fatal. A vida, sabe-se desde há muito, é composta pelo justo e pelo injusto, o segredo reside em saber ultrapassar com a força da razão e do coração esta imposição ditatorial da qual a natureza é rainha e senhora. O destacado filósofo nórdico, habituado às intempéries do seu meio natal, não deixa passar, sem causar alvoroço, as intempéries da vida real que assombram o ninho dos pombinhos mais aconchegados. Desta visão fatal, mas real, que esta extraordinária obra permite alcançar, resulta uma redentora catarse ao nível da mais trágica e sanguinária tragédia que os gregos inventaram há seis séculos antes de Jesus Cristo, o salvador, vir ao mundo. A ilusão da paixão poderá, para os incautos, ferir mais profundamente que a lamina afiada de uma arma de combate. Kierkegaard abre os olhos aos cegos e convida-nos a penetrar no maravilhoso mundo, comandado pela razão, que só a profunda reflexão pode alcançar, sem máquinas, sem qualquer tecnologia, sem a ciência ou os equívocos da experiência. A razão está no interior de cada um, o silêncio é o segredo que permite o emergir de um mundo encoberto mas que mais fantástico não existe. Por todas as razões e mais alguma deixemo-nos revelar pela profundeza da introspecção, na companhia e com a super visão de In Vino Veritas.

Bibliografia:
Soren Aabye Kierkegaard, O Banquete, Colecção Filosofia & Ensaios, trad. Álvaro Ribeiro, Lisboa, Ed. Guimarães Editores, 2002.

sexta-feira, 1 de Agosto de 2008

Séneca: Gigante da Cultura Romana

Rubens - Séneca na hora da morte
Lucius Annaeus Seneca, ou Séneca, nasceu na Península Ibérica, em Córdova, no ano 4 a.C., e faleceu em Roma, a 65 d.C., após ter sido intimado a cometer o suicídio através de uma ordem dada pelo imperador Nero, de quem tinha sido conselheiro. Orador e advogado que chegou ao Senado, Séneca, ao longo das suas obras expõe os ideais estóicos clássicos de renúncia aos bens materiais supérfluos e de busca da tranquilidade da alma - a ataraxia - mediante o conhecimento e a contemplação. Dedicou-se também à promoção de uma fraternidade universal, considerada semelhante ao cristianismo. Admite-se que os cristãos por intermédio de Séneca assimilaram os princípios estóicos, cuja escola foi fundada no século III a.C. pelo filósofo helenista Zenão de Cítio. O pensamento de Séneca, “viverei com o pensamento de que nasci para os outros”, funde-se totalmente com o modo de vida cristão. Séneca influenciaria profundamente o pensamento do teólogo cristão francês, João Calvino, que originou uma variante do Protestantismo durante a Reforma Protestante: o Calvinismo.

Pensador e escritor proeminente da Roma Antiga, Séneca entendia a afirmação da virtude como a única fonte possível para a felicidade e preocupava-se com a forma correcta de viver a vida, valorizando a ética, a física e a lógica. Não receando estar sozinho contra todos, pregava o sereno estoicismo como a maior virtude, e, juntamente com Marco Aurélio, Cícero e Epicteto, conta-se entre os mais importantes representantes do estoicismo romano, como tal, via no cumprimento do dever um serviço à comunidade. Procurando sempre aplicar a sua filosofia à prática, não viu nenhuma contradição entre os seus ensinamentos e a riqueza material que possuía, dizia que “o sábio não estava obrigado à pobreza, desde que o seu dinheiro tivesse sido ganho de forma honesta”. No entanto, devia ser capaz de abdicar dele e não ficaria desesperado caso perdesse a fortuna pois a maior riqueza está no seu interior.

Na sua obra Da Vida Feliz, não receando a impopularidade nem convenções de demagogos, recomenda que não se perca demasiado tempo com a populaça nem se dê demasiada atenção às cismas irracionais das maiorias: “Para atingir a felicidade é necessário evitar a multidão e abandonarmos a ideia de que o melhor está ligado ao maior número […] a multidão toma posição contra a razão […] a opinião da multidão é indício do pior”. Ao dizer “procuremos aquilo que é melhor e não o que é mais comum” não esconde o seu grandíssimo desprezo pela quantidade em detrimento da qualidade. Este sapiente latino via-se como um sábio imperfeito: "Eu elogio a vida, não a que levo, mas aquela que sei dever ser vivida." Os afectos (como relutância, vontade, cobiça, receio) devem ser ultrapassados, o objectivo não é a perda de sentimentos, mas a superação dos afectos. A sua sabedoria consiste em cultivar a força da vontade para colocar a felicidade na virtude e não nos acasos da fortuna, “a verdadeira felicidade está na virtude”, diz-nos.

A felicidade, móbil para todos os homens, só pode resultar, da harmonia com a natureza, “a vida feliz é uma vida conforme à sua própria natureza”, assim, Séneca condena os modos antinaturais de vida, que podem proporcionar prazer momentâneo, mas nunca a realização pessoal. O culto da mediocridade também não agrada pois a promoção da fraqueza, do coitadinho, do desintegrado, pode potenciar uma violência incalculável, “a crueldade vem sempre da fraqueza” infere Séneca. A solução para o mal que existe no mundo reside na ordem, e no incondicional cumprimento do dever “o homem feliz pratica aquilo que é honesto e contenta-se com a virtude, o seu prazer está no desprezo dos prazeres […] a vida feliz tem por fundamento imutável um juízo recto e firme”. O filósofo romano condena ainda a inveja, o consumismo, e a extrema ambição ao dizer “é feliz aquele que ama aquilo que tem”. O bem não pode coincidir com o prazer, como agora nos querem convencer, e lembra que “aqueles que fazem do prazer o soberano bem, sabem muito bem o lugar vergonhoso em que o colocaram […] A virtude existe muitas vezes sem o prazer e nunca tem necessidade dele”. O vício, também agora inculcado às massas embrutecidas, já na Roma Antiga era condenado por Séneca: “as virtudes devem estar onde reinam a harmonia e a unidade, os vícios onde imperam as dissensões”. O prazer vem da rectidão “o sábio nada faz para obter o prazer, o prazer vem sem ser chamado”, e a liberdade é tão simples, nada tem a ver com a liberdade para a transgressão e para o parasitismo trazida pelos socialismos, e ensina Séneca:”nascemos num reino: ser livre é obedecer a Deus”.

Antes, como agora, acusam-se os bons de não serem perfeitos, que afinal são iguais aos demais, iguais àqueles que são iníquos e não se importam com isso, mas Séneca sabiamente refuta da seguinte forma: “exige, de mim, não que seja igual aos melhores, mas que seja superior aos maus”. Desenganem-se aqueles que fazem coincidir a riqueza material com o supremo bem, pois o seu equívoco é total, “as riquezas não são um bem, pois se o fossem, tornariam bons os ricos […] no caso do sábio as riquezas estão ao seu serviço, e ao insensato dirigem-no”. Os bens podem ser adquiridos, na condição de não deixarmos que se estabeleça uma dependência deles. Também o ócio fomentado pelos apologistas do socialismo extremista, com raízes no materialismo, não encontra eco em Séneca, a felicidade exige esforço, e lembra-nos que “uma virtude não existe sem sofrimento”. Este gigante do estoicismo não simpatizava com a alienação do pacifismo e do comodismo “nunca um general confia na paz ao ponto de não se preparar para a guerra”. E, ambicionando um mundo melhor, Séneca adverte que “o sábio critica os outros não por sentimento de raiva, mas tendo em vista a sua cura”. Tanto que os homens pós-modernos têm para aprender com este nobre homem romano.

Bibliografia:
Séneca, Da Vida Feliz, Relógio D´Água Editores

domingo, 27 de Julho de 2008

38º Aniversário do Falecimento do Presidente Salazar




Salazar deixou-nos fisicamente a 27 de Julho de 1970.
Ele sabia-o: sem Deus, sem Pátria e sem Família não há liberdade, há temor e escravidão.

"Quando se pronuncia o nome de homens de um mérito impar, fazeis como pequenos cães na presença de desconhecidos, ladrais" (Séneca)

quinta-feira, 24 de Julho de 2008

A Besta em sua Casa

A mentalidade dos portugueses mudou bastante ao longo das últimas décadas. O espírito de conservação foi trocado pelo de destruição, ao espírito de sacrifício opõe-se agora o espírito oportunista e parasita. O ecrã demoníaco, a tela da invasão e da evasão, é sem dúvida a principal causa de tamanha lavagem cerebral. O endividamento familiar em massa, coisa desconhecida no tempo dos nossos avós, é agora encarado como sinal de modernidade e de bem-estar social. Pede-se até dinheiro emprestado para passar férias no outro lado do globo. O número de divórcios aumentou em flecha, a família desfez-se ao ritmo a que proliferaram as telenovelas e afins. O número de doentes com depressão multiplicou-se, o isolamento, o suicídio e a indiferença pelo próximo também. A taxa de natalidade fértil, ainda nos anos setenta, desceu vertiginosamente e agora estamos juntamente com os outros europeus a perder peso demográfico no mundo e a caminhar para a extinção. A família, célula basilar de toda a sociedade saudável, corre grave perigo. Enquanto isso partilhamos descuidadamente com o monstro das ilusões o nosso lar, e demasiada ilusão paralisa a acção indispensável à conservação da vida. Para diminuir a população, na China comunista decreta-se a proibição de gerar a vida, no Portugal socialista consumir produtos televisivos basta.

terça-feira, 22 de Julho de 2008

O Cerco a Lisboa no Início do Séc. XXI


segunda-feira, 14 de Julho de 2008

Sete Pecados Extincionais


Feminismo - Movimento subversivo que com base no modelo marxista da luta de classes gerou a luta de sexos, intencionando os seus promotores a emancipação e domínio da classe feminina. A consequência imediata é o desequilíbrio do lar provocando a instabilidade familiar inteiramente incompatível com o clima de tensão e mal-estar permanente a que esta doutrina agitadora obriga. Homem e mulher foram criados para se completarem e não para competirem. A vida resulta do amor que só a harmonia conjugal permite. Nunca nenhuma sociedade foi matriarcal.

Individualismo – Filosofia que subordina o interesse geral à conveniência particular, coincide com o egoísmo no plano moral. O indivíduo empola-se como valor fundamental desprezando toda a realidade exterior a si próprio. Como consequência aumentam as desigualdades sociais devido ao princípio injusto do “vale tudo”. Inevitavelmente o sujeito mais poderoso acabará por esmagar o mais indefeso, e a indiferença pelo próximo, em complemento com a preocupação apenas com o dilatar das suas panças sempre insatisfeitas, acarretará para a humanidade um sofrimento adicional e inevitáveis tumultos a médio prazo.

Relativismo – Teoria que defende que nada é absolutamente verdadeiro. Na moral favorece o conformismo potenciando o ser amorfo e o ser apático. Na religião engendra a tolerância, pois na impossibilidade de se saber qual professa a verdade todas terão que ser igualmente aceites. Na justiça fomenta a injustiça uma vez que tudo depende de pontos de vista e segundo o ponto de vista de qualquer sujeito este terá sempre a sua razão, mesmo que seja um perigoso assassino. Como consequência aparece o estado de confusão, o imobilismo, a desordem. Porém, fazer o bem ou fazer o mal não é a mesma coisa e, nivelando o bem e o mal perdendo a capacidade para a sua diferenciação permite-se que a sociedade, dominada pela ambiguidade total, se precipite para o caos.

Multiculturalismo – Forma moderna de luta político-económica que fomenta a miscigenação. Visando a massificação dos indivíduos, retirando-lhes todas as suas referências e ligações culturais, este recente movimento filosófico abre a porta à globalização quer económica, defendida pelos liberais moderados, quer cultural, defendida pelos revolucionários. Uns e outros, por motivos diferentes, vêem interesses no desenraizamento humano. Contudo a experiencia do multiculturalismo não é positiva pois os confrontos entre os diferentes grupos étnicos são frequentes. Como consequência aumenta o desespero, a infelicidade, a depressão e a criminalidade. O multiculturalismo mata a diferença e provocará a extinção da riqueza tradicional, como os costumes, e dos povos menos adaptados às mudanças antinaturais.

Materialismo – Doutrina política, oposta ao espiritualismo e ao idealismo, que concebe a realidade focando apenas a matéria. Nutre total desprezo pelo mundo das ideias e rejeita a existência da alma e de Deus. No materialismo tudo é reduzido ao palpável, ao visível, à sensação, à matéria caótica. Negligencia a essência da vida e todas as capacidades espirituais que estão na origem da evolução da humanidade. O materialismo ao negar as virtudes espirituais iguala os homens tornando-os apenas números onde a sua qualidade e as suas virtudes morais são desprezadas. As consequências são o aumento da pobreza, da exploração e o desbravar caminho para uma sociedade de escravos onde o verdadeiro amor não floresce.

Facilitismo – Atitude politico-filosófica que favorece o incumprimento, o oportunismo, o decadentismo, em suma o ócio. A falta de esforço e de espírito de sofrimento estão sempre presentes. Como consequência da negação da excelência e do rigor surge a mediocridade e a injustiça. As sociedades são arrastadas por esta mentalidade comodista para um pântano de ignorância e de retrocesso civilizacional. A negação do zelo e do poder da vontade conduz à negação da vida, pois esta requer a acção suada para a sua manutenção.

Consumismo – Moda inculcada pela propaganda mediática actual visando o crescimento económico com base na aquisição de bens supérfluos. Neste meio a aparência prevalece sobre a realidade, a ostentação sobrepõe-se à contenção. A ânsia pelo querer ser igual ao outro, através da competição no luxo, não tendo possibilidades para o fazer potencia o endividamento individual e familiar. Enquanto os indivíduos mais pobres se precipitam sobre a miséria, aqueles que detêm os recursos económico-financeiros crescem a olhos vistos. O desequilíbrio social agudiza-se e as famílias vêem-se impossibilitadas de sustentar os seus filhos. Por outro lado, o esgotamento dos recursos naturais e o aumento da poluição provocará graves hecatombes. A morte é o fim da sociedade de consumo.

segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Subjugados à Mediocridade

O erotismo, a transgressão, o decadentismo e a irreverência são pontos de referência e de culto obrigatório para todo o revolucionário digno desse nome. Estes “novos valores” apresentam-se como inquestionáveis manifestos de liberdade. E, embora o seu simbolismo remonte a milénios, os auto-denominados progressistas apresentam-nos como um triunfo da modernidade, como uma orgulhosa conquista da grandeza da liberdade. O carácter contestador, tipicamente infantil e eternamente insatisfeito, é agora modelo para a humanidade emancipada. Por outro lado, agudizando o mal-estar, a libertinagem, a rebeldia, e o mau carácter prevalecem e cercam a rectidão tornando a honestidade um valor dos retrógrados, dos extremistas, dos atrasados mentais. O homem cumpridor, zeloso e leal é cunhado pela miopia actual como um homem da idade da pedra lascada. A marginalidade, depois das campanhas da tolerância, é aceite como normal. O bom trocista e o homem decadente são, após a lavagem cerebral em marcha há décadas, admirados e louvados por todo o lado. Desta forma, a abjecção radical está incrivelmente e comodamente instalada sem qualquer vestígio de oposição. Quando no futuro escrevem uma história da infâmia a contemporaneidade prestará seguramente uma rica contribuição.

Esquecendo por agora a violência física, cada vez mais instalada e com contornos cada vez mais chocantes, foquemo-nos na violência psicológica não menos nefasta e muito mais difícil de combater, pois ou não se a vê ou não se quer vê-la. Toda a ambiência desordenada abre necessariamente feridas nos indivíduos, a violência contra a psique causa danos por vezes irreversíveis. As obras de arte modernas estão carregadas de mensagens contra a razão, contra a lógica, contra a moral e contra a utilidade. Fomenta-se a banalização do mal, que torna as pessoas indiferentes a tudo. A lógica do desassossego ocupou o lugar da ordem, da harmonia, da paz e da felicidade. Caso não seja travado o avanço das forças rebeldes sempre afeiçoadas à imoralidade, à perversão e à corrupção assistiremos a um incrível retrocesso da humanidade.

A modernidade brindou-nos assim com um cativeiro. O homem para além de escravo das máquinas e refém da tecnologia tem ainda que suportar o reino da mediocridade instituída. Há efectivamente liberdade, mas é para destruir, para corromper. Liberdade para despir o homem de si próprio em favor de interesses que o alienam e o dominam. Porém, o homem responsável, está acorrentado e anulado perante uma degradação insuportável e insustentável. Sabe-se que a propensão para o mal é uma propensão natural e por isso mesmo houve necessidade de estabelecer referências, de apontar caminhos próximos do ideal, de enaltecer a razão. A referência da transcendência é imprescindível. Mas, agora cultiva-se a irracionalidade, o trabalho de séculos, físico e espiritual, que catapultou a Europa para lider mundial até à 2ª Guerra Mundial encontra-se arruinado. Resta perguntar se os mentores de toda esta confusão e da negação civilizacional perderam já o controle total da situação caótica, por todos visível, ou se a desorientação é ainda fomentada e estes pastores obscuros sabem muito bem o que querem e para onde vão. Até que se esclareça o rumo que a sociedade tomou e se disperse o nevoeiro que nos tolhe o espírito resta-nos continuar a assistir à sinfonia do horror que vai livremente actuando.

terça-feira, 1 de Julho de 2008

A Arte como Paradigma Moral


Platão, filósofo clássico grego, representa o paradigma da arte metafísica ou moral: a verdade deve vencer a ilusão. O seu conceito de belo coincide com uma manifestação do bem, da perfeição e do que é verdadeiro. A falsidade é sempre condenável, assim, é necessário exultar os verdadeiros artistas, pois são almas capazes de ver o brilho da ideia, possibilitando dessa forma a elevação da humanidade. A falsidade na arte pode ser comparada à mentira no campo moral. Ensina Platão: “Caso haja imitação que se imite a coragem, a sensatez, a pureza, a liberdade, e todas as qualidades desta espécie. A baixeza não deve ser imitada, nem nenhum vício, pois a partir da imitação pode passar-se ao gozo da realidade. É preciso formar homens superiores, o homem não deve imitar as mulheres nem os escravos. […] [Na música] as harmonias lamentosas, a mixolídia e a lídia, devem ser excluídas visto que são inúteis para as mulheres, que convém que sejam honestas, para já não falar dos homens. […] A característica de um homem é ser forte e manter a tranquilidade”. O amor verdadeiro depende da ordem, da harmonia e da beleza, mas estes só são possíveis através da austeridade, da educação e da disciplina, “a alma boa, pela sua excelência, permite ao corpo ser o melhor possível” diz Platão. A perfeição não se altera, as belas figuras e melodias, as pinturas e as esculturas ascendem a séculos. O que é bem do ponto de vista moral também é duradouro, fixo, imutável. A rectidão da imitação entre o agrado e a medida, entre o sensitivo e o racional, corresponde também à rectidão de carácter, ao comportamento exemplar. Platão deixa-nos uma regra que não permite dúvidas entre o desejável e o abominável: “Tudo o que destrói e corrompe é mau, ao passo que o que salva e preserva é bom”.

Ainda no período de grande esplendor filosófico, Aristóteles associou a arte à imitação da natureza, porém o processo de imitação deve ter regras contra o improviso e contra os caprichos. Assim, considera que a tragédia é a imitação mais perfeita, pois, “enquanto a comédia é uma imitação de caracteres inferiores a tragédia é a imitação de uma acção elevada e completa, dotada de extensão e de uma linguagem embelezada, serve-se da acção num ambiente de compaixão e temor”. A tragédia proporciona conhecimento e o conhecer é o fundamento de tudo, inclusive agir bem. Faz o mal quem é ignorante, o vício pratica-se por ignorância pois ensinados os homens agem bem. Introduz-se um critério ético quando se representam os homens bons ou maus, estes distinguem-se pelo vício e pela virtude, atingindo a arte uma dimensão moral como os feitos na pintura. O fundamento da actividade mimética, a arte de imitar, é a natureza porque imitar é natural nos homens e pela imitação o homem aprende e distingue-se dos animais. Imitar é uma actividade de um movimento que vem da natureza para a arte. Todos sentem prazer nas imitações e nas reproduções, o prazer de conhecer é natural no homem. A tragédia, que não deve conter nada de irracional, e a comédia, imitando os homens em acção, permitem quer a educação, quer a expiação. Diz Aristóteles “ a tragédia representa os homens superiores aos da realidade enquanto a comédia representa os homens inferiores. A comédia imita os caracteres inferiores, não contudo em toda a sua vileza, mas apenas na parte do vício que é ridícula”. A tragédia sendo a imitação de homens melhores do que nós é altamente recomendável. A arte ao imitar a natureza, encontra-se sintonizada com o real das ideias, induz a ordem ou harmonia cósmica.

Para Aristóteles a Ética tal como a Estética vêm da natureza, o conhecimento, está relacionado com a intenção do agente “todo o saber e toda a intenção têm um bem porque anseiam. Esse bem porque anseiam é a felicidade”. A felicidade é o bem supremo, todas as pessoas querem ser felizes. Esta felicidade resulta da sensação de bem-estar, do reconhecimento público, da satisfação da natureza humana. Aristóteles entende que há três formas principais de viver a vida, ou três fins para a vida: o homem vulgar supõe que o bem e a felicidade são o prazer; o homem sofisticado dedica a vida à acção política, supõe que o bem é a honra e a excelência, cultiva as virtudes de carácter moral; a vida dedicada à actividade contemplativa. A razão humana tem por obrigação, por todos os meios, tender a mudar o determinismo primitivo inerente ao homem. Aristóteles é o clássico defensor da ética das virtudes, esta está assente no ser que aje e valoriza a intenção. A intenção, o motivo, é determinado pela disposição do carácter, por isso há que aperfeiçoar o carácter, a personalidade, dos homens. Deve-se, pois, cultivar as virtudes morais tais como a bondade, o senso de justiça, a sinceridade, a honestidade, a fidelidade e a lealdade. Mas, não devem cair no esquecimento as virtudes não morais: a coragem, a força de vontade e a inteligência. O homem bom transpira prudência e por isso as suas acções são sempre boas.

No século XVIII, sob a batuta arbitrária dos iluministas da Revolução Francesa, instaura-se a subjectividade que será um elemento perturbador de toda a ordem herdada. O universalista Immanuel Kant, o seu principal promotor, defenderá que os nossos juízos estéticos têm um fundamento subjectivo, dado que não se podem apoiar em conceitos determinados. Porém a ausência de conceitos pode provocar a confusão, a desorientação e a perdição. O critério de beleza que se inculca, mas não se instala, é o do prazer desinteressado que deve suscitar a nossa adesão. O juízo estético está ligado ao juízo moral pois as suas aspirações são comuns: o universalismo igualitário. O subjectivismo moral é a teoria segundo a qual os factos morais não são objectivos, sustenta que as verdades morais são relativas ao indivíduo e que os juízos morais descrevem a maneira como sentimos. As afirmações acerca do bem e do mal, do que é certo e errado, tornam-se ambíguas, egocêntricas, sem valor de rigor. Segundo esta concepção nunca existem verdades absolutas. Pretende-se, desta forma, que a ética seja um domínio em que cada um tem «a sua verdade». O certo e o errado dependem dos sentimentos de cada um. O subjectivista defende que o valor de verdade dos juízos morais deverá depender da perspectiva do sujeito que faz o juízo. A subjectividade traz o relativismo e o relativismo é sempre sinónimo de instabilidade, agitação, confusão, desordem e caos. O relativismo estendeu-se como uma praga originando o relativismo cultural que sustenta a perspectiva de que o bem e o mal são relativos a cada cultura, que "bem" significa "socialmente aprovado", estendido à política, “politicamente correcto”. Mas o relativismo cultural enfrenta o problema de negar a liberdade para formarmos os nossos próprios juízos morais. O relativismo cultural obriga a aceitar todos os valores mesmo os mais primitivos e ilógicos.

Este ambiente subjectivo, gerador de instabilidade individual e social, pode ser ultrapassado. A resposta está na unidade como saída para o caos. Para Platão tudo o que gera a multiplicidade é de evitar pois produz confusão nas almas. A alma aspira à unidade, e a unidade é condição de vida, por isso a unidade é superior à multiplicidade. O Estado ideal, ou a cidade ideal, deve copiar o mundo das ideias, deve ser o retrato da alma superior. A pintura e, de um modo geral, a arte de imitar, executam as suas obras longe da verdade. Platão entende que a arte de imitar só produz mediocridades. De acordo com Platão “o poeta imitador instaura na alma de cada indivíduo um mau governo, lisonjeando a parte irracional, forja fantasias a uma enorme distância da verdade”. Logo, o “eu criador”, independente de regras, tem desvantagens porque é produto da espontaneidade, do capricho, apenas multiplica o campo da ilusão. O querer fazer “à minha maneira” é sempre uma aproximação ao erro. Tanto o “eu” egoísta como a espontaneidade que recusa a reflexão aproximam mais o homem da animalidade do que da racionalidade.

O filósofo idealista alemão, Georg Hegel, ao considerar que o belo é objectivo permite espelhar o supremo bem num objecto fruto do que melhor possui o homem: a inteligência. Hegel vai revalorizar Platão, e considerar que o fundamento de toda a realidade é a ideia. O produto do espírito, o belo artístico, é superior ao belo natural. O espírito finito, preconizado por Kant, só vê divisões, mas a intuição intelectual capta a unidade. A intuição artística consegue superar as divisões, superar as cisões e captar a unidade, o uno. Toda a alma sã e consciente caminha para a união. Para Hegel a mais alta instância da apreensão da unidade não é a arte mas a própria filosofia que simboliza o auge da razão. Contudo, a arte é superior à natureza porque a arte é produto do espírito, produto da inteligência, e, só na arte se dá a objectivação da beleza. Postulado fundamental: o espírito é sempre superior à natureza. Só o espiritual é verdadeiro, eis um dos grandes princípios da filosofia hegeliana, tem ressonâncias platónicas.

A arte deve ser uma pesquisa do bem, deve imitar a harmonia. Nas mentes saudáveis pode dizer-se que há uma procura natural, por parte do espírito, do próprio ideal da beleza. A beleza é simultaneamente ideia, espiritualidade. Mas, ideia que busca o seu ideal por uma questão de necessidade e, isso tem acontecido ao longo da histórica. O fio condutor do ponto de vista da evolução artística é, adequar-se à própria ideia de beleza, é buscar o ideal. O absoluto é espírito, é a ideia, é a compreensão de um processo em que o uno e o múltiplo são faces do mesmo percurso. A eliminação das divisões é uma meta obrigatória para ultrapassar conflitos e atingir a paz de espírito. A arte evoluiu porque há um movimento que dinamiza o absoluto enquanto arte, esse movimento é conteúdo espiritual que procura a forma adequada, é a relação entre a ideia e o ideal. A arte é um conteúdo espiritual que procura o ideal de belo, a moral é um conteúdo espiritual que procura o ideal de justiça. Arte e moral são conceitos que estão interligados, há uma interdependência que não pode ser desprezada. Porém, a modernidade optou pelo caminho da alienação ao atribuir a primazia ou devaneio, ao capricho, à irracionalidade. As múltiplas aberrações contemporâneas são o produto da negação da ordem, da harmonia, da suprema inteligência.

quarta-feira, 25 de Junho de 2008

O Mito da Igualdade


O Supremo Criador criou a desigualdade e a diversidade no mundo, negar esta realidade, e insistir no erro, é destruir a obra divina. Aos olhos do Todo-Poderoso somos iguais na imperfeição inerente e na morte patente, mas muito diferentes em termos de capacidades, quer físicas, quer intelectuais, quer morais. Igualar o homem menos adaptado ou capacitado é condená-lo à inveja e à frustração. Igualar o mais forte é castrá-lo na sua liberdade criativa física ou espiritual resultando numa colossal perda para o bem-estar colectivo e para a evolução da humanidade. A felicidade do homem só é possível quando estiver em harmonia com a ordem natural, criada pela própria natureza, aceitando-se tal como é e possuir liberdade para evoluir de acordo com a sua vontade e a sua possibilidade. No bem servir e ser bem servido reside o equilíbrio e a felicidade.

domingo, 22 de Junho de 2008

Uma imagem que merece a reflexão de todos


terça-feira, 17 de Junho de 2008

Arte Moderna: Terapia ou Demência?


A Ordem Oculta da Arte, do psicanalista Anton Ehrenzweig, revela que por detrás do caos enganador patente na arte moderna, que agita o inconsciente e destrói a razão, existe na latência da arte, em estado dissimulado, uma face oculta onde reina a ordem resultante de uma perfeita articulação das partes com o todo. Porém, a sua compreensão é problemática e inacessível para as mentes mais lógicas dotadas de pensamento consciente, dignamente focalizado e diferenciado. A arte moderna, cuja ambiência é inteiramente subjectiva, é altamente perturbadora para as mentes mais rígidas, porque ao contrário do que estávamos habituados a observar, esta ordem na arte não mostra a harmonia do espaço exterior, não retrata a natureza ou o universo, mas revela, através da espontaneidade, o interior do artista expondo os seus impulsos reprimidos, os seus desejos mais secretos. Da tradicional imitação do exterior da natureza passou-se para a revolucionária imitação da natureza interior. Do plano social passou-se para a perspectiva individual. A representação passou a expor o conteúdo do espírito que se volta para si mesmo. Esta tendência da arte, apoiada em forças da distorção, que desprezando o sentimento colectivo se preocupa em satisfazer apenas o indivíduo criador e o homem sonhador, tem origem no Renascimento. Leonardo da Vinci com todo o seu simbolismo, e também Miguel Ângelo, dão início à abordagem individualista da arte. Nesta altura, o individualismo implícito está ainda na sua fase incipiente, mas tomará, posteriormente, formas verdadeiramente impressionantes e perturbadoras. Beethoven e Mozart, na música, dão também sinais de ambiguidade e dispersão, mas é com Richard Wagner que a estrutura musical mergulha completamente em ambiente desordenado, que exige atenção dispersa, reforçando a sua estrutura irracional. A construção polifónica ou multidimencional, que favorece variadas linhas de pensamento, extrema-se e provoca conflitos entre a orientação consciente e o instintivo inconsciente.

O jazz nascido do ragtime virá a quebrar todas as regras, a ideia era tornar a música incisiva e perturbadora. Na poesia, Johann Goethe, figura destacada da literatura alemã e do romantismo europeu, abandonando por vezes a lógica consciente, serviu também as necessidades da exposição mais profunda do seu interior deixando surgir uma corrente subliminar ao longo dos seus trabalhos. Na pintura, Pablo Picasso representa o auge da criatividade que esquece todo o controlo consciente. O cubismo ataca as sensibilidades conscientes e faz coisas incríveis para negar ao olhar pontos estáveis de foco. Na mesma linha, favorecendo o olhar vago e amplo, o pintor francês Oscar-Claude Monet foi aclamado como o precursor das sensibilidades modernas, o seu impressionismo contribuiu também para o enorme caudal da arte aparentemente caótica que se transvaza ao longo de todo o século XX.

A modernidade, com as suas obras mais radicais, oferece a perda de referências aos espectadores e impede que se focalize qualquer elemento isolado, até mesmo por um instante. A música e a pintura passaram a interagir como espaços que possibilitam exprimir toda a gama de relações humanas: solidão, autoprotecção, medo, agressão, dúvida, abandono, amor, etc. Entendo por arte moderna a maior parte da produção artística desde o fim do século XIX até meados dos anos 70 do século XX, a arte mais recente é designada por arte contemporânea ou arte pós-moderna. A noção de arte moderna está estreitamente relacionada com o modernismo, que abarca os movimentos culturais, escolas e estilos que atravessaram as artes e o design na primeira metade do século XX. Encaixam-se nesta classificação a literatura, a arquitectura, o design, a pintura, a escultura e a música moderna. A arte moderna fragmentada, apresenta-se em estilhaços aparentemente incoerentes, e move um ataque deliberado e selvagem às nossas sensibilidades de superfície ferindo o raciocínio.

O espírito surrealista da arte moderna, baseada nas técnicas de surpresa e rompimento, excedeu-se até torcer as nossas sensibilidades racionais violando-nos a razão. O objectivo era chegar ao estado de sonho acordado e sem propósito. O culto da auto-expressão surgiu como libertação, trazido pela ânsia dos românticos e depois dos dadaístas que se rebelavam contra as convenções e restrições que lhes eram impostas de fora. O individuo colocava-se contra a sociedade e, destruindo e chocando as sensibilidades convencionais, liberava dentro de si mesmo poderosas energias individuais. Todas estas tendências para a distorção, em vez de procurarem a beleza objectiva no mundo externo voltaram-se para dentro, para encontrar no seu espírito a origem das experiências estéticas. Contudo, a obra de arte permanece incognoscível e perante a impressão superficial de caos e de fragmentação as nossas impressões chegam a ser ilusões e até mesmo alucinações de coisas não-existentes. O resultado do anulamento da compreensão racional, provoca consequentemente ansiedades depressivas. Anton Ehrenzweig afirma que os moldes ambíguos causam ansiedade, desconsolo, confusão e inquietação nos observadores rígidos, pois são um ataque à percepção focalizada.

O século XX foi o século da depressão, o individualismo exacerbado e a confusão generalizada marcaram de forma trágica a contemporaneidade. A arte moderna, ao voltar-se para dentro do indivíduo, assinalando o processo íntimo da autocriação, satisfaz criadores e espectadores que actualmente gostam de projectar num quadro tudo o que lhes venha à cabeça. Sentem-se bem com modelos sem sentido que sirvam como um pano fundo neutro onde projectem os seus próprios devaneios. A tela-sonho proporciona a evasão e a alienação, contrasta com o mundo real, favorecendo o conflito entre as duas espécies de sensibilidade: o intelecto consciente e a intuição inconsciente. A obra de arte age como um “útero”, como um abrigo seguro e secreto, que recebe as projecções fragmentadas da individualidade do artista, os sinais desordenados, que são os seus impulsos inconscientes. Os espectadores despertos, habituados à racionalidade nunca poderão ver a arte, que resulta das divagações espirituais dos artistas, na sua verdadeira estrutura, a não ser que estejam treinados ou sejam verdadeiros amantes da arte moderna, pois esta é como um sonho sonhado.

Para criar a ordem no caos, o artista ou o observador experiente extraem dos detalhes, dos sinais insignificantes e dos conceitos fragmentados, possivelmente incompatíveis, alguma propriedade ou denominador comum e transformam-no num perceptível conceito unificador. Detalhes aparentemente insignificantes ou acidentais podem muito bem ser os portadores do simbolismo inconsciente. A força emotiva do traço inconsciente mostra o significado oculto, que é formal e emocional. A criatividade quando afasta o pensamento racional, consciente, focalizado e diferenciado, significa autodestruição. Todavia, nos tempos que correm, a fantasia auto-destruidora caracteriza imensos trabalhos.

Essencial para o entendimento da arte, que recusa a convenção de regras, é o possuir uma visão sincrética. A visão sincrética, ao contrário da visão analítica, é a capacidade de reconhecimento dos objectos mais por traços do que por uma análise de detalhes e, possui ainda a capacidade de ser altamente sensível aos menores sinais. As crianças até aos 8 anos de idade possuem esta capacidade. Diz-se que Picasso levou toda a sua vida para saber pintar como uma criança. Uma das suas emblemáticas frases mostra-nos isso mesmo: "Quando tinha 15 anos sabia desenhar como Rafael, mas precisei de uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças", disse Picasso. Mas para além de regressar à infância, Picasso regressou também à Pré-História, ao Paleolítico Superior, a 40.000 anos a.C., pois alguns dos seus desenhos têm surpreendentes coincidências com a arte rupestre, as mais antigas representações pictóricas conhecidas, gravadas em abrigos, cavernas ou em superfícies rochosas ao ar livre. Assim, Picasso aprendeu não só com as crianças mas também com os primitivos homens caçadores, que são os primeiros artistas, com as suas pinturas, esculturas e gravuras, os quais nos demonstraram que o desejo de expressão através das artes é inerente ao ser humano.

O paradoxo da ordem no caos reside no poder superior de triagem da visão sincrética que permite uma melhor percepção de traços individuais, embora não ligue a detalhes. Nas crianças a visão sincrética permite-lhes desprezar os pormenores porque vendo o mundo através de fantasias inconscientes, de um processo primário que não distingue os opostos, possibilita que todos os limites se dissolvam numa livre e caótica mistura de formas, que para ela fazem sentido. A possibilidade de interpretar a fantasia interna projectada numa obra de arte consiste em trocar a razão pela intuição. É necessário criatividade e atenção difusa, dispersa ou desfocada, contrariando os hábitos normais e lógicos de pensar. O processo primário é um instrumento de precisão para a triagem criadora, que é muito superior à razão discursiva e à lógica. A triagem inconsciente é feita pela percepção não-diferenciada, não focalizada, que pode compreender de uma só vez certos dados que a percepção consciente jamais o conseguiria. Porém, a ambiguidade inconsciente anula a compreensão racional e desperta a ansiedade e o uso de modos não-diferenciados de visão parece caótico aos ignorantes no assunto.

O cerne da questão que se prende com o desvendar do mistério da arte caótica tem a ver com o espírito criador que precisa de se identificar com o destino do deus moribundo dos antigos mitos orientais. O deus moribundo representa o rei-deus que tem que morrer para que um homem mais jovem e vigoroso venha a governar e a assegurar a fertilidade da terra. A tragédia grega descende deste ritual neolítico e representa a continuação do velho ritual do deus moribundo. Posteriormente, Aristóteles chegaria à conclusão de que a tragédia por meio da compaixão e do temor, provoca uma saudável purificação. Assim, o simbolismo da arte moderna remonta aos primórdios da humanidade, revelando o desejo do homem se ligar às suas raízes mais profundas. Sigmund Freud percorreu o mesmo caminho ao edificar a sua psicanálise com base na arte da tragédia grega. O estudo do trabalho criador, pertence ao estudo da psicologia psicanalítica do ego, que tem sido alimentada pelas análises de Freud sobre os sonhos. A análise da arte é a continuação da análise dos sonhos.

A arte abstracta favoreceu o abandono da atenção no objecto para a colocar no próprio aparelho psíquico do artista. A emergência da abstracção na arte viria a coincidir com uma crescente preocupação com temas de morte, de decadência e de ansiedade, de viver e de morrer. Vêm à tona, assim, as fantasias profundamente reprimidas, pois a fantasia inconsciente expressa-se com menos disfarces na arte do que em qualquer outra forma humana. Esta exteriorização, embora oculta na obra de arte para o leigo, tem para o artista uma importância vivificante. E, o criador artístico ao passar os seus tormentos para o exterior, liberta-se, redime-se, uma vez que, tudo indica que é mais fácil suportar as punições vindas de fora do que enfrentar as tendências autodestruidoras internas. A tendência para a autodestruição alojada no inconsciente do artista manifesta-se quando a criatividade afasta o pensamento racional. Criar uma obra de arte significa exteriorizar a actividade íntima do ego do indivíduo. O ego representa a razão ou a reflexão, cuja tarefa fundamental é a autoconservação, está ligado ao princípio da realidade.

A autodestruição é na mitologia grega representada pela figura do deus Dionísio que simboliza também o renascimento do espírito criador na sua forma mais pujante. O ritual da tourada assemelha-se ao destino do deus moribundo oferecendo-nos um espectáculo emocional, altamente benéfico, apesar do sofrimento envolvido. O touro transforma-se num animal que representa o deus moribundo, um símbolo das nossas fantasias de autodestruição. Não é possível haver fraude emocional no ritual de chorar o deus morto. A matança do touro, o sacrifício do deus moribundo, não exerce sobre nós um efeito verdadeiramente depressivo porque a morte uma vez aceite, torna-se uma festa, motivo de felicidade imensurável, representa a libertação da servidão humana. Dionísio, o deus autocriador, é também o deus moribundo que tem os seus membros dilacerados. Para além do efeito redentor surge também o efeito do fantástico motivado pela função social do artista que permite que recuperemos o colorido perdido, o ânimo castrado, das nossas experiências do dia-a-dia, através do contacto com a profundidade simbólica adormecida no inconsciente, favorecendo a fantasia, a ilusão, o sonho. A vida colorida, o entusiasmo, depende do contacto com o “útero” inconsciente onde se formam as imagens, se solta a imaginação, e no qual ainda se encontra activo o velho simbolismo. Observamos, desta forma, a arte como método para curar determinadas perturbações psíquicas.

A morte e a ressurreição reflectem a dediferenciação ou integração e a assimilação ou rediferenciação do ego, correspondendo respectivamente às, segunda e terceira, fases da criatividade. A acção destruidora do instinto de morte na fase de dediferenciação faz parte de um saudável ritmo do ego que, se for impedido, de acordo com Anton Ehrenzweig, pode significar a loucura e até mesmo a morte física. O carácter esquizóide de muita arte moderna reflecte as tendências autodestruidoras que rodeiam livremente a nossa civilização. Estas exteriorizações agressivas através da arte podem ser compreendidas fazendo a analogia com o bíblico bode expiatório. O bode expiatório precisava de ser devidamente expelido. A sociedade limpava-se com a ejecção de bodes expiatórios carregados com os males e pecados da comunidade. Uma vez que todos temos os nossos fantasmas, todos precisamos de bodes expiatórios. A vida, porém, não pode ser desligada da realidade e a realidade é por vezes trágica, o homem para poder enfrentar a adversidade e a infelicidade precisa de recorrer à fantasia. Uma saudável vida de fantasia inconsciente proporcionará um novo sentido de realidade num autêntico renascimento do ego. Por outro lado, entende-se que um espaço pictórico que verdadeiramente nos proporcione animação e desejo de viver pode vir a ser um estímulo tão potente como o erotismo. Efectivamente a arte moderna tem a capacidade de catapultar o indivíduo para fora do razoável, para fora da realidade, mergulhando-o no mundo da aparência e do maravilhoso, mas, o perigo está presente, pois a sua contemplação pode invocar a ansiedade e provocar danos mentais irreparáveis. A arte moderna potenciou as tendências egoístas e anti-sociais o que torna, por outro lado, a sua função contraproducente.

Para além destas tendências destrutivas provocadas pelo instinto de autodestruição e de morte, da necessidade de agressão contra si próprio devido ao sentimento de culpabilidade e do desejo de expiação, o indivíduo, de acordo com a psicanálise freudiana, quando não satisfaz os seus instintos, entre os quais o sexual, produz uma frustração que está relacionada com a angústia, com os mecanismos de defesa e de reprodução ou de conservação da espécie. A angústia por sua vez impede a satisfação dos instintos.

O entendimento e aceitação do bom selvagem de Jean-Jacques Rousseau, ou a utopia da natureza humana criada por Karl Marx, revela-se completamente impossível à luz da psicanálise, não passando as suas promoções de fraudes, pois são ignorados os instintos insensíveis próximos da animalidade, os impulsos, e os mecanismos inconscientes inerentes ao ser humano. Freud acusou o marxismo de desconhecer a natureza humana, não passando a sua teoria de excessivamente ingénua e optimista.

Os mitos, as tragédias, os romances e os quadros possuem uma corrente oculta de material simbólico. Mas, só o trabalho criador, segundo Ehrenzweig, consegue coordenar os resultados entre a indiferenciação inconsciente e a diferenciação consciente, que assim deixa a descoberto a ordem oculta do inconsciente. Recordando os ensinamentos do enciclopédico professor Hegel: “A arte mostra ao homem o que ele é para lhe dar a consciência de o ser”.

sábado, 14 de Junho de 2008

Xenofobia e Racismo para Xenomaniacos

Portas contra fronteiras abertas

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu este sábado que Portugal só devia “acolher os imigrantes que pode integrar”, para que estes possam viver com “toda a dignidade que merece o ser humano”.“Não é aceitável uma política demagógica de abertura completa das fronteiras, entra quem quiser e em qualquer circunstância”, afirmou. Portas comentava a Directiva de Retorno, que pretende harmonizar a regulação das diferentes políticas da imigração dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) e conceder-lhes mais poder para repatriar imigrantes ilegais.O líder democrata-cristão criticou os partidos de esquerda que prometem “mundos e fundos à imigração”, explicando que prefere ser “mais contido, mais reservado nas entradas, mais exigente do ponto de vista da humanidade na sua integração”.“Não devemos, como faz a esquerda, prometer fronteiras abertas para toda a gente, em qualquer canto, se depois não temos capacidade para os integrar”, frisou Portas, em Lamego, lamentando que por conta dessa política se vejam “imigrantes à volta dos caixotes do lixo a ver se têm alguma coisa para poder comer”.

terça-feira, 10 de Junho de 2008

Comemoração do 10 de Junho, Dia de Portugal, Dia da Raça Portuguesa