Relvas tem de ficar
Há 22 minutos


Para ajudar a entender a mente de Andrew Berwick, ao que parece é o pseudónimo de Anders Behring Breivik, o Rambo da Noruega, responsável por várias dezenas de mortos, está disponível para download, em inglês, o seu manifesto de 1518 páginas.
“Amo a vida mas não gosto deste mundo”, são os desabafos de alguém que ainda teve com quem partilhar as suas angústias. Quanto mais nos enterramos no modernismo mais nos distanciamos da verdade da vida, mais ilusões e mais desilusões nos fustigam, mais a imaginação e menos a razão determina o nosso destino. Cada vez mais a depressão alastra e bate à porta de mais portugueses, o desânimo, a tristeza profunda, a falta de força para viver acompanham quase 20% do nosso povo. Ao contrário do que os materialistas no poder dizem, não é a falta de dinheiro o problema maior, o problema maior é a falta de valores que por sua vez, dada a corrupção instituída, nos arrasta para a falta de dinheiro.
O cidadão vulgar, aquele que rege a sua vida pelo senso comum acreditando que tudo o que se passa à sua volta é resultado do acaso e do progresso, tem a crença inabalável de que os políticos, aqueles que aparecem nos mass media, são os responsáveis máximos pela crise ou pelo sucesso económico das nações. O cidadão vulgar julga que é ateu, agnóstico, laico, e que não acredita, portanto, em nada daquilo que não possa ser constatado pelos sentidos e provado pela ciência. No entanto, facilmente provamos que os cidadãos vulgares possuem crenças escandalosamente infundadas e que para além de não as combaterem ou desprezarem ainda as protegem com unhas e dentes, sendo mesmo hostis a todos aqueles que tentem demonstrar a sua falsidade.
“Uma sociedade é um grupo de seres desiguais, organizados para satisfazer necessidades comuns.
A subversão da linguagem, operada pelo espírito revolucionário enraivecido de anticlericalismo vindo a público em 1789, actuou em várias palavras-chave da nossa civilização, um dos conceitos pervertidos pela trama maçónica foi a liberdade. Blanc de Saint-Bonnet, filósofo esquecido pela cultura de morte em vigência, fiel ao espírito tradicional, demonstra claramente o que é a liberdade humana e que esta tem limites:
Por detrás do ateísmo proclamado no catecismo revolucionário construído pelos filósofos das Luzes esconde-se afinal uma religião; o Maniqueísmo Moderno constitui a nova religião forjada pelos mentores da Revolução de 1789, o filósofo espanhol Juan Donoso Cortés explica em que consiste: “[…] O homem que a fé não ilumina vê-se inevitavelmente arrastado por um ou por outro dos dois maniqueísmos: ou pelo maniqueísmo antigo, segundo o qual há dois princípios, um princípio do bem e um princípio do mal, cada um deles incarnado num Deus, de tal maneira que o homem tem dois Deuses supremos, entre os quais a guerra constitui a única lei; ou no maniqueísmo proudhoniano [de Pierre-Joseph Proudhon], que consiste em afirmar que Deus é o mal e que o homem é o bem; que o poder humano e o poder divino são dois poderes rivais, e que o único dever do homem é vencer Deus, inimigo do homem.” (Donoso Cortés, Essai sur le Catholicism, le Libéralisme et le Socialisme, p. 160.)
“O povo, dir-se-á, exerce a sua soberania por meio dos seus representantes. Isto começa a compreender-se. O povo é um soberano que não pode exercer a soberania: […] partindo-se do princípio de que existem 25 milhões de homens em França e 700 deputados elegíveis cada dois anos, chega-se à conclusão de que, se esses 25 milhões de homens fossem imortais, e de que se os deputados fossem nomeados um de cada vez, cada Francês seria rei periodicamente cada 3500 anos aproximadamente. Mas, como neste período de tempo não se deixa de morrer de tempos a tempos e como, aliás, os eleitores são senhores de escolher quem lhes aprouver, a imaginação assusta-se com o número espantoso de reis condenados a morrer sem reinado.” (Joseph de Maistre, Étude sur la Souveraineté, em O.C., t. I, p.312.)
Há mais de 200 anos que a Europa se vem desligando da Civilização Cristã. O momento simbólico da cisão é sem dúvida o assassinato do Rei Luís XVI e da sua família pela mão criminosa do Clube Jacobino. Sobre o rei sacrificado é possível agora apurar a sua personalidade sem a luneta dos seus detractores. O Livro Negro da Revolução Francesa dá-nos uma preciosa ajuda, a página 86 serve de testemunho da sua virtude na caridade: “Luís XVI, às delegações dos guardas nacionais, em 13 de Julho de 1790, falando dos franceses: «Dizei-lhes que, se não posso deslocar-me convosco aos seus asilos, quero aí estar pela minha afeição e pelas leis protectoras dos mais fracos, velar por eles, viver para eles, morrer, se for preciso, por eles.» Luís XVI era, aliás, dotado de um carácter profundamente bom, que infelizmente foi assemelhado à fraqueza; esse carácter tinha chamado especialmente a atenção de Benjamin Franklin quando conviveu com ele: «Nenhum soberano que algum dia reinou teve, inegavelmente, mais bondade no seu coração, nem possuiu em maior o leite da ternura humana que Luís XVI.»”.
