Sábado, 31 de Dezembro de 2011

Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011

Desilusão do Liberalismo: Alexandre Herculano


Longe de insuspeições e com erudição clara, a melhor crítica ao liberalismo chega-nos de dentro daqueles que o viveram entusiasticamente, que o apoiaram incondicionalmente e que por fim, incapazes de esconder a sua amargura perante os resultados trágicos daquilo em que um dia tanto acreditaram, o denunciam como uma maldição assassina inimiga de povos e nações. O fragmento seguinte, não deixa dúvidas da decepção que o brilhante escritor sentiu em relação ao liberalismo que disseminava o caos social no Século XIX, o século da expansão do individualismo radical.

“O povo tinha liberdade e quis licença; tinha justiça, e quis iniquidade; o povo perecerá.
Desgraçado daquele, que anda fora dos caminhos do Senhor; correndo despeado por despenhadeiros sentir-se-á por fim o baque do seu corpo, que se esmigalha batendo no fundo de um precipício.
Quando uma Nação quebra todos os laços sociais, dela será todo o dano.
Para as turbas, o cheiro do sangue é um perfume suave; o roubo uma gloriosa conquista. Porque a plebe desenfreada é um fantasma do crime, como o espectro da morte, como o grito do extermínio.
Os tiranos sorriem, e dizem por escárneo aos homens virtuosos: ide, e dai liberdade às turbas; erguei à dignidade de homens livres servos e devassos, e educados no lodo; eles vos pagarão com a única moeda que guardam em seus tesouros.
Povo! Os que hoje saúdas como numes, amanhã tu os farás em pedaços, e lhes arrastarás pelas ruas os cadáveres cobertos de feridas e pisaduras.
Porque, bem que tarde, conhecerás que eles te hão enganado. Prometeram-te abundância, e achar-te-ás faminto; prometeram-te liberdade, e achar-te-ás servo.
A licença mata a liberdade; porque se livremente oprimes, livremente podes ser opresso; se o assassínio é o teu direito, direito será para os outros assassinar-te." (Alexandre Herculano in «A Voz do Propheta», 1ª e 2ª séries, extractos.)

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Antiliberalismo: José Acúrcio das Neves

Nascido no Casal de Cavaleiros de Baixo, distrito de Coimbra, em 1766, foi «sempre zeloso partidário do Sr. D. Miguel, em cujo serviço continuou activamente até à morte, e para o seu tempo assaz versado nos estudos d´economia política, e em matérias industriaes», no dizer de Inocêncio. Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, Cavaleiro das Ordens de Cristo e de N.ª Senhora da Conceição, bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra, exerceu a magistratura, tendo sido Juiz de Fora da cidade de Angra, secretário do tribunal da Real Junta do Comércio de Lisboa, desembargador da Relação do Porto e deputado às Cortes de 1822. Numa vasta obra dá a ressaltar a «História geral da invasão dos franceses em Portugal e da restauração deste Reino», bem como vários manifestos contra a tirania francesa e diversas memórias descritivas sobre assuntos de economia e de política. Morreu em 1834 no lugar de Sarzedas, (Caldas da Rainha) pouco antes do fim da guerra civil. (Miguel Taveira, De Santo António a Oliveira Salazar, Por Portugal, Edições Fernando Pereira, Lisboa, 1980)

“Desde que os reformadores de 1789 puderam pôr em prática o seu infernal sistema, eles não têm cessado de enganar, e concitar os povos com o simulacro desta divindade quimérica. E com que se têm achado os povos? Com a escravidão, com a licença demagógica, que outra coisa não é a liberdade plantada pelas baionetas, e sustentada a tiros de peça. É uma liberdade que tem feito da Europa um campo de batalha, e substituídos os governos legítimos, a cujo abrigo as Nações tinham chegado ao mais alto ponto de prosperidade, um vandalismo mais cruel, e mais destruidor que o dos bárbaros de Genserico. A verdadeira, a justa liberdade, que não excede os limites que lhe prescreve um Governo bem ordenado, e só descansa à sombra da pacífica oliveira, foge do estrondo das armas, foge do tumulto das revoluções." (José Acúrcio das Neves, In «Cartas de um português aos seus concidadãos», Lisboa, 1822, pág. 45.)

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

Música do Barroco: Alessandro Marcello


O Barroco deu ao mundo os melhores compositores de música espiritual, dos principais destacamos Henry Purcell, António Vivaldi, Johann Sebastian Bach, e, entre os menos falados homenageamos, hoje, Alessandro Marcello (1669 – 1747) que foi um distinto compositor do barroco veneziano. O Concerto em Ré menor que o nobre músico escreveu para oboé, cordas e baixo contínuo é das suas obras a mais conhecida, embora em nosso entender merecesse muito mais divulgação do que aquela que tem tido. Mas, como bem sabemos a modernidade cilindra tudo aquilo que a incomoda e que choca com os seus dogmas revolucionários.

Conforme testemunha este riquíssimo tema musical, a harmonia e a alegria interior conviviam sem incompatibilidades nas artes realizadas antes dos efeitos nefastos da ignominiosa Revolução de 1789. Nas sociedades tradicionais o vírus mental subversivo estava neutralizado, tudo respeitava uma ordem, tudo era feito de acordo com as provas dadas e tudo era pautado pela excelência que a divindade generosamente nos oferecia. Na música os sons eram combinados de forma a torná-los agradáveis ao ouvido apelando à serenidade. A agressividade e a distorção, formas abjectas da estética moderna, que actualmente dominam, estavam banidas dos meios artísticos.

Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011

Livros: Heródoto - A Batalha das Termópilas

“No verão do ano 480 a.C. o poderoso exército persa, sob o comando do rei Xerxes, avança pelo Mediterrâneo com um objectivo claro: a conquista da Grécia. Atenas e Esparta decidem defender-se, mas, frente à superioridade numérica dos persas, vêem-se forçadas a usar todo o seu engenho.
Leónidas, rei de Esparta, e os seus guerreiros hoplitas aguardam o exército persa no desfiladeiro das Termópilas. Num acto de heroísmo que lhes custou a vida, os trezentos espartanos retêm o inimigo tempo suficiente para que a Grécia se prepare para o verdadeiro combate.
Nestas páginas, o leitor poderá seguir o desenrolar deste episódio, através das crónicas de Heródoto. Ao longo dos séculos, muitos têm sido os autores a basear-se no seu testemunho para recriar de mil maneiras – em forma de poema, novela, película e comédia – esta gloriosa epopeia.” (Contracapa)

Este facto histórico revestido de grande heroísmo, apanágio do mundo antigo, mostra-nos a grande diferença de homens e de valores entre aqueles que com o sacrifício da própria vida defendiam as suas nações, os seus deuses e as suas famílias, e aqueles, que hoje, aburguesados e agarrados a todo o tipo de direitos mas que escorraçam os seus deveres entregam sem pestanejar as suas pátrias, negam o Deus que lhes facultou a existência, desprezam as famílias, e enfim vendem a alma ao diabo por um prato de lentilhas.

A honra expressa pela proeza levada a cabo por estes nobres europeus é testemunho da grandeza legada pelos nossos antepassados e deve ser uma orientação segura para enfrentarmos o tenebroso futuro que se aproxima.