Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

Antiliberalismo: José Acúrcio das Neves

Nascido no Casal de Cavaleiros de Baixo, distrito de Coimbra, em 1766, foi «sempre zeloso partidário do Sr. D. Miguel, em cujo serviço continuou activamente até à morte, e para o seu tempo assaz versado nos estudos d´economia política, e em matérias industriaes», no dizer de Inocêncio. Sócio da Academia Real das Ciências de Lisboa, Cavaleiro das Ordens de Cristo e de N.ª Senhora da Conceição, bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra, exerceu a magistratura, tendo sido Juiz de Fora da cidade de Angra, secretário do tribunal da Real Junta do Comércio de Lisboa, desembargador da Relação do Porto e deputado às Cortes de 1822. Numa vasta obra dá a ressaltar a «História geral da invasão dos franceses em Portugal e da restauração deste Reino», bem como vários manifestos contra a tirania francesa e diversas memórias descritivas sobre assuntos de economia e de política. Morreu em 1834 no lugar de Sarzedas, (Caldas da Rainha) pouco antes do fim da guerra civil. (Miguel Taveira, De Santo António a Oliveira Salazar, Por Portugal, Edições Fernando Pereira, Lisboa, 1980)

“Desde que os reformadores de 1789 puderam pôr em prática o seu infernal sistema, eles não têm cessado de enganar, e concitar os povos com o simulacro desta divindade quimérica. E com que se têm achado os povos? Com a escravidão, com a licença demagógica, que outra coisa não é a liberdade plantada pelas baionetas, e sustentada a tiros de peça. É uma liberdade que tem feito da Europa um campo de batalha, e substituídos os governos legítimos, a cujo abrigo as Nações tinham chegado ao mais alto ponto de prosperidade, um vandalismo mais cruel, e mais destruidor que o dos bárbaros de Genserico. A verdadeira, a justa liberdade, que não excede os limites que lhe prescreve um Governo bem ordenado, e só descansa à sombra da pacífica oliveira, foge do estrondo das armas, foge do tumulto das revoluções." (José Acúrcio das Neves, In «Cartas de um português aos seus concidadãos», Lisboa, 1822, pág. 45.)

1 comentários:

Raros da Web disse...

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