"Comparadas com as actuais, todas as tiranias do passado foram tímidas e ineficazes. Os grupos dominantes, até certo ponto, sempre se deixaram contaminar pelas ideias liberais, e permitiram que inúmeros domínios escapassem ao seu controlo, contentando-se em tomar apenas em consideração actos explícitos, sem se interessarem pelo que pensavam os súbditos. Pelos padrões actuais, até a Igreja Católica da Idade Média foi tolerante. Explica-se isto em parte pelo facto de que no passado nenhum governo ter capacidade para manter os cidadãos sob vigilância constante. A invenção da imprensa, no entanto, tornou mais fácil manipular a opinião pública, e o cinema e a rádio levaram ainda mais longe o processo. Com o desenvolvimento da televisão e os avanços técnicos que tornaram possível emissão e recepção simultâneas através do mesmo aparelho, a vida privada acabou. Cada cidadão, ou pelo menos cada cidadão suficientemente importante para valer a pena vigiá-lo, pode ser mantido vinte e quatro horas debaixo dos olhos da polícia e sob a influência da propaganda oficial, com todos os outros canais de comunicação cortados. A possibilidade de impor a todos os súbditos não só a obediência absoluta à vontade do Estado, mas também uma absoluta uniformidade de opinião, existe agora pela primeira vez." (1984 - Contracapa)
Um livro de ficção que nos transporta para um futuro provável, o presente é já um prenúncio da profética visão do autor da fábula O Triunfo dos Porcos.

1 comentários:
é realmente um bom livro , já li à alguns (muitos) anos mas lembro-me que gostei bastante dele
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