“Uma sociedade é um grupo de seres desiguais, organizados para satisfazer necessidades comuns.Em qualquer espécie de reprodução sexual a igualdade dos indivíduos é uma impossibilidade natural. A desigualdade deve, por conseguinte, ser reconhecida como a primeira lei dos agregados sociais, quer nas sociedades humanas, quer em quaisquer outras. Por seu lado, a igualdade de oportunidades deve ser olhada como a segunda lei das espécies vertebradas. As sociedades de insectos compõem-se de castas geneticamente determinadas, mas as comunidades de vertebrados seguem outro princípio estruturante. Qualquer vertebrado, excepção feita para raras espécies, tem sempre garantida a igualdade de oportunidades que se traduz na utilização das suas capacidades segundo impulsos individuais.
Enquanto uma sociedade de iguais – de babuínos, de corvos, de leões ou homens – é uma impossibilidade natural, já uma sociedade justa é um fim realizável. A sociedade justa, como a concebo, é uma sociedade com ordem suficiente para proteger os seus membros, quaisquer que sejam as respectivas heranças genéticas e em que certa desordem faculte a cada um oportunidade segura para desenvolver os genes recebidos. É a este equilíbrio entre ordem e desordem, variando em rigor com o acaso ambiental, que chamo contrato social.
A violação das leis biológiocas tem sido o grande fracasso do homem como ser social. É que, apesar de vertebrados, temos vindo a ignorar a lei da igualdade de oportunidades desde as primeiras horas da civilização. E, embora seres de reprodução sexual, fingimos que a lei da desigualdade não existe. Iluminados, enquanto perseguimos o inatingível tornamos impossível o realizável.” (Robert Ardrey In Social Contract).
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