A subversão da linguagem, operada pelo espírito revolucionário enraivecido de anticlericalismo vindo a público em 1789, actuou em várias palavras-chave da nossa civilização, um dos conceitos pervertidos pela trama maçónica foi a liberdade. Blanc de Saint-Bonnet, filósofo esquecido pela cultura de morte em vigência, fiel ao espírito tradicional, demonstra claramente o que é a liberdade humana e que esta tem limites:"A liberdade humana, que é muito mal definida e que se torna assim, causa de incalculáveis males, é a faculdade de fazer o bem quando se tem a possibilidade de fazer o mal. Consiste no inefável poder de agir por si mesmo, de ser causa e, por conseguinte, responsável. O homem é causa, a liberdade é o próprio homem. Mas, pelo facto de que o homem pode escolher o mal, de modo algum se pode concluir que ele tenha o direito de o fazer; que isto seja, como se quer dar a entender, uma dependência da sua liberdade soberana. Esta é a realidade de facto. Deus impõe a sua lei à natureza e propõe-na ao homem. A liberdade é pois, no fundo, o poder que o homem tem de cumprir a sua lei: poder sublime que o coloca acima de toda a criação (com excepção dos anjos), torna-o semelhante a Deus. Efectivamente, o homem foi feito a esta imagem, a fim de que possa assemelhar-se a ele: Estore perfecti sicut Pater! É necessário atentarmos nisto, o poder de cumprir por si mesmo a sua lei não é de modo algum o direito de a violar, porque sobre o poder de a cumprir se encontra o de não a cumprir: interpretação que seria digna do nada, de onde nós somos, e não do ser que Deus quer fazer sair dele!" (Blanc de Saint-Bonnet, L´Infaillibilité, pp. 262-263.)
1 comentários:
A liberdade foi um conceito muito mal definido desde a sua origem. E isso não aconteceu por acaso.
Temos a liberdade de fazer o bem ou o mal, mas as implicações éticas não são as mesmas para as duas opções e aqui é que está o problema. Esta igualdade foi criada precisamente para diluírem estas diferenças entre dois campos opostos de polaridades metafísicas. Nivelou-se o bem e o mal, desculpabilizando-se este último sempre que necessário. E o resto da história é por demais conhecida. Cumprimentos.
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