
Com o rolar das cabeças na guilhotina durante a Grande Revolução Liberal de 1789 disseminou-se a ideia de que tudo aquilo que é superior deve ser nivelado por baixo para que à força da castração do melhor se valide a abstracção da Igualdade.
Desde sempre os povos subsistiram graças a uma elite minoritária que sabiamente protegia os mais fragilizados de todo o tipo de adversidades. Obstinadamente, a modernidade fomentou a ideia de que os indivíduos selectos devem ser iguais a todos os outros e que todos juntos devem formar uma massa humana destruturada e desarticulada entre si. De tal forma as nações desmoronam-se para darem lugar ao Império das Massas. As massas, o conjunto dos indivíduos desligados da minoria directora, desprotegidas portanto, julgando-se donas dos seus próprios destinos, trataram rapidamente de liquidar tudo o que lhes cheirasse a autoridade e a hierarquia passando de seguida a temer ou a odiar todos aqueles que conservando a consciência de grupo laboravam para o bem comum. Esta cegueira tem um preço elevado a pagar porque é impossível a sobrevivência sem a dependência de um organismo ordenador.
Uma sociedade desmembrada é o que herdamos desta mentalidade triunfante nos últimos séculos, como tal, inevitavelmente, o caos social iminente é uma bomba superpotente a conta relógio com que temos de viver.
A falta de percepção para esta questão do medo dos mais capazes faz com que as massas apontem a sua fúria aos políticos e à política. Contudo, o problema não é de ordem política, e os políticos fazem tanta falta tal como o padeiro ou o sapateiro. O problema é pois metapolítico porque a questão da Igualdade está no espaço da metafísica e joga com o impalpável. Assim, as massas são incapazes de perceber que a mudança que se deu em 1789 foi mais religiosa do que política, passou-se do campo do real e do ideal para o campo da abstracção e da utopia.
Essa pretensa Igualdade provocou a indiferenciação entre o moral e o imoral, entre o virtuoso e o viciado, entre o competente e o incapaz, entre pais e filhos e por aí fora. Provocou ainda a opressão dos que cumprem os seus deveres e libertou de constragimentos aqueles que são incumpridores e transgressores. A sociedade ficou como é fácil de perceber com os valores subvertidos sobressaindo a imoralidade pública, que sem obstáculos saiu vitoriosa. A subversão moral desarmonizando a sociedade, obviamente, não pode trazer felicidade e bem-estar, por mais conforto que o materialismo possa oferecer a insatisfação dos indivíduos desagregados cresce e chega ao ponto do insuportável, que o digam os clínicos de saúde mental.
Há pois uma insubordinação espiritual em jogo que não permite que se recupere a ordem geradora de crescimento sustentável. E daqui resulta o deprimente espectáculo de que os piores são os que mais ordenam; as mais aburguesadas e toscas criaturas sobrepõem a sua vontade aos seres excepcionais.
Não é pois possível a sobrevivência de um povo sem a aristocracia, sem a elite, sem a minoria que cultiva a excelência composta por indivíduos eminentes, e enquanto não se perceber esta simples proposição continuaremos na rota da decadência. A cada dia que passa se desce mais um degrau e o abismo mais se aproxima.
A exploração das massas pelos habilidosos que as agarraram a mentiras está a chegar ao auge, a acumulação de uma riqueza astronómica pelos plutocratas internacionais apátridas disso é prova. No mesmo pacote de ódio ao que se destaca dos medíocres vem também o ódio à herança sanguínea dos melhores, o fanatismo igualitário não suporta a diferença quando esta representa o superior.
A solução passa pelo combate sem tréguas às teorias anti-aristocráticas e ao espírito rebelde que beneficia com a perdição dos povos e que destes se alimenta. Sem isso, esta sociedade enferma está condenada à ruína, só a unidade orgânica nos poderá salvar, porém a luta de classes, e a apologia do quanto pior melhor existem precisamente para que o mal perdure. Aqui chegados temos a possibilidade de ver com clareza o comunismo desconstrutor a servir na perfeição o capitalismo mais selvagem, imediatamente salta a evidência do paradoxo marxista que quanto mais ambiciona defender os pobres mais os empobrece.
2 comentários:
«(...) as nações desmoronam-se para darem lugar ao Império das Massas.» e «a exploração das massas pelos habilidosos que as agarraram a mentiras está a chegar ao auge,(...)». Estas são as frases nucleares do seu texto!
De facto, o pretendido pela Revolução Universal foi criar uma imensa legião de escravos, à custa dos quais um reduzido número se cevaria. E convenhamos em que esse pequeno grupo vai progredindo de feição.
O seu objectivo só não será alcançado se sobrevier uma catástrofe cósmica, da qual muito poucos sairão com vida. O que sucede viola todas as leis morais e físicas. Ora a Natureza vinga-se sempre, quando lhe tocam.
A outra via de salvação, que vejo cada vez mais difícil a ponto de crer que só por milagre se dará (milagre que, sejamos honestos, não temos merecido)está na recuperação da sociedade orgânica, passo que, aliás, também constitui uma ideia-mestra do seu texto!
Se Deus nos permitir viver mais alguns anos tenho impressão que ainda assistiremos a grandes mudanças políticas e a brutais tragédias a nível mundial. A Civilização Cristã já faz parte do passado, a ver se o futuro a restaura.
Cumprimentos,
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