Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Alternância sem Alternativa

Fala-se muito em alternância democrática argumentando que é bom que quem está no poder seja substituído com frequência. Está sempre presente a ideia, amplamente difundida pela imprensa, que o bom é aquilo que passa depressa, que não cria raízes, que o poder é uma espécie de vício diabólico que deve mudar constantemente de mãos. Assim, impulsionados pela opinião publicada, e a bem da saúde democrática, todos vêem com bons olhos a mudança dos rostos responsáveis pelos destinos da Nação. A alternância dentro do socialismo, o jogo de pingue-pongue entre o socialismo rosa e o socialismo laranja, com enorme inveja do socialismo vermelho, tem até ao presente momento satisfeito a maioria dos cidadãos. Ora bem, mas quando aquilo que alterna se encontra num ciclo vicioso, e quando o movimento de queda é o único efeito de tal alternância, provado fica que essa conjugação de forças negativas não pode erguer o que quer que seja, e muito menos sustentar o futuro de um povo.

Chegada agora a factura dos cravos vermelhos, os erros pagam-se mais cedo ou mais tarde, e a constatação de que afinal o socialismo não é, e nem poderia ser, a solução para a conservação de um patamar de consumo elevado e de que as igualdades que defende só criam mais desigualdades, as pessoas sentem necessidade de uma verdadeira mudança, de uma ruptura mesmo com os agentes geradores da crise. Infelizmente, muitos abraçam o engodo de que a culpa do descalabro é apenas de um homem, a quem chamam Pinóquio, outros responsabilizam uma única facção ideológica, mas alguns, os que não se deixaram iludir pelas modas do facilitismo, sabem que a mentalidade subversiva é a verdadeira causa da decadência.

Nós, sabemos que a procura de soluções individuais para problemas colectivos não resulta, sabemos que se não cuidarmos do todo as partes acabam por morrer, sabemos que a mudança de paradigma político é essencial.

A alternância dura já há três décadas mas a alternativa tarda a chegar. Porém, só a alternativa pode inverter a caminhada alucinante para o abismo. No entanto, a alternativa está quase muda, está amordaçada e silenciada pelas mentiras que se instalaram pela força das armas e do terror psicológico.

O sofrimento no silêncio em que muitos homens justos se encontram não será em vão. E daqui sai uma advertência: oprimir o verbo dos bons não evita a justiça da verdade e não há liberdade numa alternância sem alternativa. A alternativa há-de surgir, mas quanto mais se desce mais penosa será a subida.

4 comentários:

Anónimo disse...

Muito bom.

FS

1143 disse...

Eurodeputado polaco elogia Salazar
http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=643043&page=-1

Skedsen disse...

Vivemos numa alternância sem alternativa, porque essa alternância faz parte do engodo democrático, caro NC.
Nós vivemos numa falsa democracia, se é que possa existir tal coisa, democracia, e pelo que vemos à trinta e sete anos a resposta é claramente negativa. A democracia é o brinquedo da plutocracia, é o isco que potencia todas as fraudes e iniquidades da qual somos em parte vítimas. E nós todos damos sustento a isto utilizando o sufrágio universal para legitimar a destruição dos povos. Urge destruir e acabar com este sistema democraticamente fraudulento. Nunca aquela velha máxima : "não se pode comparar o voto do sábio ao do ignorante" faz tanto sentido como hoje,mas é assim que funciona o edifício democrático, na base de uma massa de votos em sufrágio universal que não deveria existir pois não passa de um legitimar dessa mesma alternância sem alternativa e continuando a destruir os povos.

Marcos Pinho de Escobar disse...

Excelente texto. Este regime putrefacto foi erigido em dogma. Mudar as moscas de nada servirá para evitar o abismo que se aproxima como culminação desde processo anti-nacional iniciado há 37 anos. O pouco que resta de Portugal - físico e espiritual - corre o sério risco de desaparecer na voragem.
Abraço.