Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

Discriminação: O Grande Álibi

Um dos truques usados para impedir o regresso da ordem política e social é a recorrência sistemática ao chavão “discriminação”. Este termo serve frequentemente para rotular de forma pejorativa, consoante os interesses instalados e os objectivos pretendidos, alguns comportamentos mais indignados, inconformados e revoltados. Ao serviço do poder instalado este é uma ferramenta de constrangimento perfeita, assim, quando se pretende silenciar ou impedir alguém de agir contra os dogmas vigentes do sistema demoliberal - o conjunto de dogmas socialistas correspondente normalmente àquilo a que se chama pensamento politicamente correcto – diz-se imediatamente: cuidado, discriminação! E, perante as regras socialistas discriminar é agir contra a lei, pode até dar prisão. A pessoa que se sente ofendida na sua liberdade de reagir devido a qualquer situação com a qual não concorda, é obrigada a anular-se com receio da hostilidade social e, passa esta pessoa de ofendida a oprimida e a ser subjugada pelo peso da ética revolucionária que é sempre arbitrária uma vez que não se fundamenta nas leis naturais. Aliás, quem nega a verdade jamais pode orientar o seu juízo de forma a servir a justiça. Caso a pessoa opte por manifestar o seu pensamento então pode ter a certeza que a injúria contra si não estará longe.

A liberdade de expressão é como todos podem compreender uma miragem, existe apenas para servir aqueles que já estão servidos, os parasitas, os oportunistas, e outros vigaristas. Quem tencionar fazer alguma coisa em prol do bem comum depara-se com mil obstáculos. É a angústia da liberdade!

Quando alguém é acusado de discriminar e logo impedido de se expressar, passa então a ser também ele discriminado, portanto, esse alguém passa a ser marginalizado em função do sentimento exteriorizado, precisamente por aqueles que se dizem contra a discriminação. Estamos como se constata perante um absurdo. Prontamente, concluímos que há na sociedade actual coisas que se podem discriminar e outras que não se podem discriminar conforme sirvam ou não os interesses sectários de quem tem o poder.

Não poder discriminar é não poder julgar, é não poder separar o bom do mau, é não poder separar o trigo do joio tal como Jesus ensinou, é bloquear a razão e a intuição que qualificam. Discriminar é crime à luz dos iluminados que moldam a sociedade, mas por outro lado, não discriminar significa, perder capacidades e reduzir significativamente a nossa inteligência. Como se verifica, existe um controlo apertado da mente, as pessoas não podem ultrapassar um determinado limite de pensamento e são obrigadas a respeitar determinadas balizas de acção. Daqui resulta que tudo o que corresponda à destruição dos fundamentos, dos pilares das instituições milenares é aplaudido, enquanto que tudo o que seja reagir contra a maré destrutiva é considerado altamente perigoso. Como tal soltam-se outros chavões castradores: fundamentalistas, radicais, extremistas, etc. Estes são acusados de bloquearem o maravilhoso progresso revolucionário em curso, que aliás só produz coisas boas como se pode comprovar pela crise crónica em que mergulhámos.

Também na Internet é muito usual os manipuladores utilizarem as justificações simplistas “intolerância e ódio” para impedirem o acesso a conteúdos que lhes são desagradáveis, incomodativos e ameaçadores para os seus intentos. Estes utensílios mágicos geradores de complexos encontram-se em quase todos os meios audiovisuais e no ensino público. Não há margem para dúvidas de que o ambiente que se vive é de uma verdadeira tirania encapotada. Por exemplo, os comentários nos jornais diários on-line são censurados caso não correspondam ao padrão de preceitos estabelecidos, os comentários naturalmente incómodos, aqueles que colocam o dedo na ferida, mas que não são insultuosos para particulares e nem são ordinários, comentários que não são ofensivos para ninguém em concreto são desavergonhadamente eliminados.

Podem calar a voz de alguns portugueses mais atentos, mas não digam que há liberdade de expressão, a não ser aquela liberdade de expressão destruidora e intelectualmente redutora.

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