
Os fanáticos materialistas, escravos do dinheiro como são, pois a razão da sua vida é o vício, e os vícios não se sustentam com escassos recursos económicos, concentraram toda a sua atenção nos rendimentos obtidos à custa do trabalho laboral. Multiplicaram-se as greves e as manifestações e, formas de pressão várias se inventaram para que o dinheiro fosse crescendo nos bolsos das pessoas. Efectivamente aumentaram os ordenados, aumentou o desejo, a ganância e a inveja, mas, aumentaram também as dívidas, as massas habituaram-se a ter tudo o que a sua imaginação deseja, e caso sejam contrariadas nos seus caprichos, a insatisfação corrói-as até à depressão. O reverso da medalha, causado pelo consumo absurdo, revelou-nos uma crise profunda cada vez mais difícil de solucionar. Tal é a obsessão pelo dinheiro que, paralelamente, a desintegração da nossa sociedade avança despercebida porque as atenções se focam apenas na economia.
Enquanto todos se preocupam muito com as percentagens dos aumentos dos vencimentos, de facto com alguma razão porque a perda do poder de compra é real, e com a riqueza gerada no país, eclipsa-se a percepção pelas verdadeiras razões do fosso económico. Assim, os materialistas cegos só vêem dinheiro, poucos se importam com a crescente criminalidade, com a crescente deseducação, com a crescente dissolução da família, com a crescente injustiça, com a crescente corrupção, a crescente colonização do nosso país, principalmente na capital, a crescente insegurança, enfim, com o crescente caos generalizado. Poucos estão atentos à abolição dos valores e dos princípios sem os quais é impossível o relacionamento entre os seres humanos.
Como tal, a sociedade afunda-se e não sem culpa de todos, praticamente todos se preocupam muito com o seu umbigo, mas muito pouco com o umbigo dos seus semelhantes. De uma forma generalizada as pessoas apenas se inquietam e despertam quando são elas próprias vítimas de injustiças, se for o seu companheiro do lado a sofrer os custos da desordem assobiam para o ar felizes da vida. Mais ainda constatamos que, só não vigariza o outro, nesta sociedade conspurcada, quem não pode. Todos querem enganar alguém. No meio do lodaçal social, alguns querem parecer muito generosos, principalmente com os recursos dos outros, e claro, aparecem logo alguns oportunistas a apelar à filantropia mundial com a cantiga desprezível do humanismo. Cantam os abelhudos que temos que ajudar os povos longínquos, mas estes pseudo-filantropos, os lobos disfarçados de cordeiros, aos seus vizinhos nem sequer as boas horas dão. A provar o lastimável desrespeito pelos que nos estão próximos, actualmente,
Portugal contabiliza 300 mil crianças na pobreza e pelo menos
300 mil pessoas a passar fome, mas a cantiga é sempre a mesma, o que interessa é ajudar aqueles com os quais não temos qualquer ligação afectiva, nem ligação cultural, nem ligação racial, nada em comum, apenas essa ideia lunática de humanismo, uma hipocrisia portanto.
A crise de valores não é menor do que a crise económica, aliás, a negação dos valores transmitidos durante séculos, de geração em geração, é que conduziu à recessão em que estamos embrulhados. A verdade é que a miséria cresce porque cortámos a ligação às nossas raízes.
Dada a inversão de valores, dado o triunfo da mentalidade subversiva, quem se consegue, hoje, opor aos paranóicos, aos pérfidos, aos néscios, aos maus carácteres, aos rufias carregados de sentimentos recalcados, às forças da mediocridade? Ninguém, pois o sistema é o seu fiel guardião. Vivemos entre os tubarões e as piranhas. Ai dos homens honestos, ai dos bons!
O romano Cícero dizia que “não há nada mais gratificante do que o afecto correspondido, nada mais perfeito do que a reciprocidade de gostos e a troca de atenções”. Porém, em virtude da desgraça trazida pelos modernistas, esta sociedade em ruínas é incapaz de garantir a mínima união entre os seus cidadãos, pois faltam os fundamentais ingredientes: a educação; a disciplina; a lealdade e a honra.