Domingo, 27 de Dezembro de 2009

Sábado, 19 de Dezembro de 2009

Redutos de Consciência


Face aos resultados desmotivadores que o tempo teimou em conservar, este blogue passa pelo questionamento da sua existência. Apenas a alegria da frequência de outros blogues amigos permite concentrar alguma força para que seja mais uma peça na busca da verdade que ninguém quer ver. A impressão de que se trabalha para nada é terrível. Não houve aquisição de novos reforços, não houve um acréscimo de participação, não houve a vinda de novas pessoas desanimadas com a angustiante sociedade actual. A continuação da obra precisa de alimento e de fundamento, não pode haver actores sem público. No presente os resultados são constrangedores, talvez para o futuro fique algum gérmen positivo, não se sabe. Este ano não foi fácil e o próximo adivinha-se pior, assim o balanço de fim de ano traz a questão da existência deste espaço. Em ambiente de alienação total salvam-se alguns lugares na blogosfera que são exemplos de distinta consciência. Obrigado a todos os que me têm acompanhado nesta caminhada e participado com elevação. Felicidades e que Deus nos abençoe a todos!

Quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

A Tolerância e a Paz Podre


Curiosamente a tolerância aparece na boca de todos os papagaios das mais diferentes correntes filosóficas, políticas e até das religiões partidárias do progressismo. Todos juntos, desde os marxistas até aos clérigos actuais, todos juntos na promoção da tolerância, da via do relativismo e do desprezo pelo rigor. As fronteiras da paciência ao erro ninguém as define, fica ao critério de cada um avaliar o certo e o errado, inculcam-nos que se deve aceitar tudo e não criticar nada, é que podemos ao resistir aos abusos alheios estar a ofender os ímpetos do nosso semelhante segundo esta nova doutrina universal. E o ridículo multiplica-se, falar em “semelhante” também se entende como ultrapassado pois os dogmas da modernidade definem-nos a todos como “iguais”. Basta olhar para uns e outros e verificar que a igualdade não existe, mas os dogmas inquestionáveis assim o exigem. Nestes dogmas se enquadram também a liberdade e a tolerância. A tolerância obriga a acatar tudo aquilo que os manipuladores entenderem, pois movemo-nos no campo do abstracto e não do concreto, desde a obrigação de aceitar tudo até dar-se bem com Deus e com o Diabo. Nasceu assim uma nova forma de relação entre os homens onde domina o parecer e não o ser.

È preciso simular e dissimular, fingir que se é amigo, fingir que se concorda com tudo, é preciso representar em todo o lado, desde o lar ao local de trabalho. Até nos meios conservadores a rectidão foi trocada pela tolerância. Mas, não será o instinto de fraqueza a prevalecer, a dúvida a crescer, e a coragem a desaparecer? As consequências desta falsidade são evidentes, todos podem verificar o caos social em que estamos metidos. Os amigos acabaram, os familiares odeiam-se, todos são inimigos do seu próprio Estado, enquanto que a guerra de todos contra todos estalou. É o salve-se quem puder, é a selva, é a lei do mais forte ou poderoso economicamente. Qual justiça qual quê, alguém sabe já o que isso é?!

A paz podre é esta insatisfação permanente disfarçada de sorrisos forçados, a sensação de que a guerra civil não está longe, que algo de muito mau está para acontecer. Este sistema é um verdadeiro labirinto para a ordem. Deus, a Pátria e a Família desapareceram, resta agora o quê?! As pessoas unem-se em torno do interesse e do consumo, o homem vale por aquilo que consome, e consome tudo, mas a felicidade não vem desta forma como é óbvio. No entanto, enquanto houver recursos estes zombies mantêm-se calmos, assim que lhes faltarem os primeiros rebuçados irão ficar descontrolados, ao rubro, e derreterão tudo à sua passagem. A autoridade tornou-se obsoleta e a hierarquia repugnante para as ideologias universalistas e humanistas ou para os oportunistas e parasitas que sempre aparecem um pouco por todo o lado. A legalidade e a obediência afugentam todos os exemplares democratas; é preciso bom senso, jogo de cintura, flexibilidade, pacifismo, muita tolerância, dizem-nos. A moral foi enterrada juntamente com todos os valores ancestrais. Nem honra nem reputação, nem distinção, todos iguais.

O egoísmo e o seu par a inveja são agora aplaudidos por todos, difícil mesmo saber onde estar a salvo. Triunfou o “é proibido proibir” da extrema-esquerda dos anos 60, é proibido julgar, a moral deve ser algo proibido. Sempre se disse que não se pode contrariar os malucos. Neste momento nenhum lugar é suficientemente puro e arejado para os justos, para os honestos, para os de carácter nobre. O medo está em todo o lado, ninguém está seguro. A cada um a sua Sibéria.

Domingo, 13 de Dezembro de 2009

Grandes Novidades: Dominique Venner, O Século de 1914


A despoluição cultural decididamente começou, demos graças a Deus. Uma amostra da história desmarxizada é o que Dominique Venner tem como jóia no topo da coroa para oferecer aos europeus. Depois de tantos anos de facciosismo, de falta de rigor e mesmo de pura sacanice em relação à apresentação dos factos, o leitor até estranha, mas sentindo paralelamente a alegria da nova atmosfera que prima pela imparcialidade e pelo não servilismo a seitas políticas e ideológicas tão na moda. O nosso destino, o destino dos povos europeus, segundo o autor, e bem, ficou tragicamente traçado com o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Três Impérios Europeus (Império alemão, Império austro-húngaro, Império russo), alicerçados em valores milenares, foram arrasados. Perdeu a Europa, viriam a ganhar os novos senhores do mundo situados no bloco comunista de domínio russo e no território norte-americano sob o democratismo.

O aniquilamento da Nobreza em França com o triunfo do Absolutismo é apontado como factor decisivo para que a Burguesia em conjunto com gentes de carácter duvidoso provocasse a onda de terror em 1789 e subvertesse toda a ordem instituída. A Nobreza, que segurava na sociedade os valores de Dever, de Honra e de Lealdade, ao desaparecer arrastou consigo a perda da harmonia social. Com a destruição dos Impérios que zelavam pela ordem antiga, após a catástrofe que se inicia em 1914, vence mas não convence os ideais revolucionários herdados da Revolução Francesa. E na tentativa de resgatar os valores perdidos numa Europa cada vez mais decadente se precipita a Segunda Guerra Mundial. O resultado é conhecido, as tragédias daí decorridas afogaram a Europa numa crise de uma amplitude enorme, desde a crise de valores até à crise económica.

Ainda como mentalidades diferentes são apontadas as religiões derivadas da Reforma: o calvinismo revolucionário em Inglaterra e o pietismo luterano na Prússia. O primeiro originou homens exteriormente livres interpretando a Bíblia como bem entendem e o segundo homens que desprezam as riquezas, o luxo, o conforto e o prazer mas valorizam o trabalho.

Dominique Venner tem a aqui a virtude de nos relatar a história juntamente com o suporte filosófico que está por detrás das ideias em confronto. Os principais filósofos revolucionários e contra-revolucionários são enumerados sem constrangimentos. Esta obra é pois uma verdadeira pérola para os pensadores livres e para quem gosta de ir ao fundo das questões. Afinal talvez tenha chegado o fim da ditadura de pensamento com base em manipulações cinematográficas e fotográficas. A verdade está longe das fotografias e filmes usados e descaradamente abusados. As ilusões e fantasias poderão ter fortes adversários, esta é mais uma obra que nos dá uma grandíssima esperança.

Depois dos nacionalistas espanhóis pagarem com o seu sangue o bloqueio da cruzada estalinista na península ibérica protegendo a Igreja, salvando-a da fúria revolucionária, veja-se a recompensa: “A aliança franquista entre o sabre e o altar romper-se-á bruscamente na sequência do Concílio Vaticano II (1962-1965). De um dia para o outro, apesar de algumas resistências marginais, a Igreja de Espanha, como em toda a parte, inverte a marcha e toma a senda da adesão à ideologia dos direitos do homem, já preparada pelas equipas da Opus Dei, muito influentes desde 1957. Acabaram-se a “cruzada” contra o comunismo, a exaltação da pátria, da ordem e da autoridade. Chegou a vez de uma fraseologia humanitarista em sintonia com a redenção cristã dos pobres e dos desprotegidos. Do velho arsenal reaccionário só subsistirá a rejeição da contracepção, um fraco estandarte, como toda a gente admitirá, para assegurar a perenidade da causa nacional. […] a edição espanhola, que continuava submetida à censura eclesiástica, será autorizada a publicar os clássicos do marxismo e os principais autores de esquerda, Marcuse ou Reich, enquanto Nietzsche, Spengler ou Heidegger permaneceram sempre rigorosamente proibidos.” (Dominique Venner, O Século de 1914, pág. 354).

O terror comunista não passa impune, a justiça está a chegar, finalmente as verdades emergem, é que já alguém dizia “não é possível enganar a todos durante todo o tempo”, e é verdade, esta obra confirma-o. Após mais de 60 anos na obscuridade, com este audacioso historiador francês “abandona-se o domínio da propaganda para se entrar no do conhecimento histórico”. Parece um sonho, imperdível!

Dominique Venner, O Século de 1914. Utopias, Guerras e Revoluções na Europa do Século XX, Civilização Editora, Porto, 2009.

Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Machismo ou Feminismo?


Na sequência da discussão gerada em torno do post Desafio aos conservadores no Blog Tradição Católica, e não tendo as minhas intervenções sido publicadas, aqui fica o segundo comentário, que o primeiro perdeu-se lamentavelmente, como contributo para o assunto em questão:

Querida Magdália,

Desde já lhe digo que sou um leitor assíduo do seu blogue e que nutro uma admiração enorme por si e pelo seu trabalho. Houvesse muitas pessoas com as suas características e a sociedade portuguesa mudaria seguramente para melhor. No entanto não nos percamos em elogios. Ambos somos tradicionalistas, ambos fazemos o melhor que podemos e sabemos para reverter a tendência caótica para onde a sociedade caminha cega. Não tenho interesse em discussões e nem o pormenor deve prevalecer sobre o todo, no entanto na questão do papel da mulher na sociedade não posso deixar de discordar consigo.

O facto de não ter suportado o meu comentário revela por si só a sua posição sobre o assunto. Contudo ao classificar o meu comentário de machista terá também que chamar machista a S. Paulo, que nas suas cartas diz que a mulher não é a cabeça do casal. Portanto as minhas ideias “machistas” são ideias bíblicas. Repare que sem hierarquia e autoridade nada é possível construir, seja na sociedade, seja na família. A união tem um preço, e o preço é o respeito pelas diferenças e a submissão de cada um à determinação divina. A subversão é um valor revolucionário que por nós merece repúdio. A dignidade da mulher em nada é afectada quando cumpre o seu dever de respeito profundo para com os seus esposos.

A mulher tem um papel importantíssimo no lar, ela deve garantir a harmonia porque tem qualidades ímpares em relação ao homem. Mas, quando não se respeitam as diferenciações entre sexos e se iguala tudo, se confundem os deveres de um e outro, só resta a anarquia dentro de casa. A família tem o bacilo da destruição quando a mulher se emancipa. A Nova Ordem Mundial fomenta isso mesmo para que a família seja abolida. É com pena que assisto a que a nata do tradicionalismo em Portugal se alie aos seus piores inimigos nesse assunto. Sem famílias sãs não há reino de Deus que chegue. A dignidade do Ser está no rigoroso cumprimento do seu dever. O divórcio que hoje é moda encontrou o meio propício na emancipação feminina. A desigualdade foi instituída por Deus e o homem tem a obrigação de a aceitar. A bem da ordem, da felicidade, e da continuidade.

Cumprimentos,
NC

Sábado, 5 de Dezembro de 2009

Nietzsche e os Judeus

Finalmente aparece a resposta, que há muito colocava, sobre qual o sistema político e moral propugnado por Nietzsche. O autor do Anticristo é dos mais ferozes opositores da Igreja Católica, dos mais radicais anarquistas, dos mais imorais seres que a cultura ocidental conhece, sempre na linha da frente da defesa do caos, da vivência na lei da selva. Infelizmente, muitos se deixaram ingenuamente seduzir pelo super-homem revelado na obra Assim Falava Zaratustra, porém, o excerto seguinte esclarecerá muitas dúvidas e mostra ainda a razão pela qual este autor devasso é tão idolatrado por todos os anarquistas do mundo. Afinal o super-homem de Nietzsche deverá ser procurado entre o povo eleito?!

“Diga-se de passagem: todo o problema dos Judeus só existe no seio dos Estados nacionais, na medida em que aí, por toda a parte, a sua capacidade de trabalho e superior inteligência, o seu capital intelectual e volitivo, acumulado de geração em geração na longa aprendizagem do infortúnio, têm de vir a preponderar numa proporção que desperta a inveja e o ódio, de modo que em quase todas as nações actuais – e, na verdade, tanto mais quanto mais estas voltam a adoptar uma atitude nacional – se espalha o mau costume literário de levar os Judeus ao matadouro como bodes expiatórios de todo os possíveis inconvenientes públicos e particulares. Logo que já não se trate da conservação de uma raça europeia mista, o mais vigorosa possível, o Judeu é tão utilizável e desejável, como ingrediente, quanto qualquer outro resto nacional. Características desagradáveis, até mesmo perigosas, qualquer nação, qualquer pessoa tem; é cruel exigir que o Judeu tenha de constituir uma excepção. Essas características podem até ser perigosas e repugnantes em alto grau, e, talvez, o jovem judeu da Bolsa seja a mais asquerosa de todas as invenções do género humano. Não obstante, eu gostava de saber quanto se tem de desculpar, num balanço geral, a um povo que, não sem culpa de todos nós, teve, entre todos os povos, a história mais dolorosa e ao qual se deve o homem mais generoso (Cristo), o sábio mais puro (Espinosa), o livro mais poderoso e a lei moral mais eficiente do mundo.” (Nietzsche, Humano Demasiado Humano, Obras escolhidas de Nietzsche, Circulo de Leitores, pág.292/293.)