Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

História Pura: João Ameal, Ideia da Europa


Anteriormente ao golpe maçónico de 1974, a cultura portuguesa pautava-se pelos mais elevados padrões de rigor e de excelência com a finalidade de, através da honestidade, a evolução de Portugal e do Mundo se processar de forma natural. Assim, gozamos ainda da possibilidade, uma vez fartos da penosa mediocridade contemporânea, de alimentar o espírito e procurar a verdade nas obras que passaram à clandestinidade. Na pesquisa dos autores banidos deparei-me com o notável, historiador, escritor e político, João Ameal através de uma das suas obras: Ideia da Europa.

João Ameal (1902-1982) viria a encorpar o chamado "Grupo dos Cinco" que, mantendo-se fiel a D. Manuel II, criou a Acção Realista Portuguesa. João Ameal, antes de alinhar na Acção Escolar Vanguarda, integrou também na organização nacional-sindicalista de Rolão Preto. Colaborando no Estado Novo viria no entanto a desiludir-se com Salazar acabando por se afastar da política activa.

Lendo este admirável texto, de forma simples e com o prazer de um romance, se fica a conhecer a História da Civilização Europeia. João Ameal aponta-nos a riqueza do que herdamos dos nossos heróis do passado, numa altura em que os valores contavam: “Fé, convívio, trabalho – principais características do património europeu” (pág. 13). Sublinho a sua nota sobre os gregos: “Os gregos representam o tipo exemplar do que se pode chamar o homem mediterrânico – dotado de viva inteligência, de fértil imaginação, de pronta iniciativa, de fluência verbal, tão apto ao jogo das ideias como ao dos negócios, audaz, aventuroso, artista” (pág. 21). De realçar também a comparação entre os povos da Grécia e os de Roma: “Enquanto o Grego era dispersivo, falador, indolente, mitómano, volúvel – o Romano é laborioso, tenaz, conciso, disciplinado, sofredor, prático. As qualidades que possui tornam-no em especial o melhor soldado da época – modelo de resistência, de persistência, de capacidade, de esforço, de espírito de sacrifício, de estoicismo patriótico, de acatamento da hierarquia. E acaba por vencer sempre.” (pág. 24-25). Vejamos ainda as bases da superioridade dos povos europeus derivada de uma fusão singular:
“A ideia da Europa [nasce no início do século VI] integra os seguintes valores essenciais:
Uma Filosofia, nascida na Grécia, ao mesmo tempo rigorosa e subtil, maleável e ordenada, introspectiva e objectiva, a constituir superior criação da inteligência humana;
Um Direito, nascido na Roma imperial das legiões e dos juristas, a espada a apoiar a lei, as instituições e as magistraturas, a garantir, na síntese de Valéry, «um poder organizador e estável»;
Uma Teologia, a de Cristo, que os apóstolos e doutores do Cristianismo propagaram, firmada no conceito de Deus uno, omnipotente e providencial, consolo para os que sofrem, estímulo para os que lutam, juiz para os que erram, libertador das velhas servidões e dos velhos erros; a doutrina do amor fraterno e da universal promessa de redenção;
Uma Aristocracia Militar, a dos Germanos, apoiada nos laços de sangue e na ética da Família e do Combate, que será a grande geradora das nações futuras.” (pág. 51).
Aqui fica apresentado um pouco da potencialidade desta obra que não tem o mínimo cunho marxista, pois é fruto de uma época onde a evolução era preferida à revolução.

Bibliografia:
João Ameal, Ideia da Europa, Companhia Nacional Editora, Lisboa, 1968
http://www.infopedia.pt/$joao-ameal